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agosto 31, 2020
Keyna Eleison e Pablo Lafuente assumem a Direção Artística do MAM Rio
Keyna Eleison e Pablo Lafuente assumem a Direção Artística do MAM Rio
Em processo histórico para a instituição, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro anuncia resultado da chamada internacional sul-americana aberta em maio
O diretor executivo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Fabio Szwarcwald, anuncia publicamente nesta terça-feira, 18 de agosto de 2020, a nova Direção Artística do museu. A curadora, escritora e pesquisadora carioca Keyna Eleison e o curador, escritor e educador espanhol Pablo Lafuente compõem a diretoria conjunta que, por um prazo mínimo de dois anos, responderá pela gestão das coleções e pela curadoria de artes visuais, além das iniciativas e eventos das áreas de educação, cinema, acervo e conservação, documentação e pesquisa. A retomada do Bloco Escola e a parceria com a Residência Artística Internacional Capacete também farão parte do escopo de atuação da dupla. Keyna e Pablo trabalham com curadoria de exposições de grande escala no Brasil e no exterior, e acumulam experiências como gestores de arte e cultura.
“Pela primeira vez, o MAM Rio terá uma direção artística selecionada por meio de processo aberto e transparente, que marca historicamente a escrita afirmativa da instituição. A criação desse modelo inovador fortalece a nova visão para o museu de integrar todas as áreas artísticas de forma criativa e contemporânea. As experiências complementares de um estrangeiro e uma mulher brasileira promoverão melhor trânsito entre as diversas expressões artísticas a partir de experimentações locais e internacionais que compõem o reposicionamento do MAM”, avalia Szwarcwald.
Eleison e Lafuente optaram pela candidatura conjunta por acreditarem que suas experiências complementares resultarão em uma visão artística e curatorial extremamente rica e diversa para o MAM, considerando a imagem de um museu de arte moderna ancorado na contemporaneidade. A abertura institucional à diversidade e a modelos de trabalho inovadores que respondam aos desafios do pós pandemia – que, segundo os curadores, demandam recriação das estruturas de afeto e reconstrução das maneiras de viver em comunidade - foi ressaltada pela dupla em sua proposição inicial.
“Tenho uma relação afetiva com o MAM Rio e é sobre afeto que se trata nossa direção artística. Eu e Pablo estamos juntos para pensar e desenvolver um museu vivo, situado e em rede. Estabelecer um diálogo prático e intelectual com saberes e visões de mundo, e ocupar espaços internos e externos de muitas formas. Estar na Diretoria Artística do MAM coloca na minha trajetória e na dimensão coletiva conquistas. Agora, temos muito trabalho pela frente”, afirma Keyna.
Para Lafuente, trabalhar a direção artística em dupla oferece uma oportunidade única para pensar o museu, a arte e a cultura: “Uma diretoria compartilhada implica conjugar visões diversas e negociar múltiplas posições, com o intuito de representar e conectar com a realidade que nos rodeia, no Rio, no Brasil e no mundo. Temos a convicção de que só a partir da troca e da construção coletiva é possível criar instituições que façam a diferença”, reflete.
A proposta da nova direção artística é trabalhar conjuntamente no desempenho de todas as funções que correspondem à posição, construindo uma visão plural e orgânica da arte. Uma visão que ecoe a diversidade da cidade do Rio e da sociedade brasileira, e os anseios dos profissionais da cultura. O anteprojeto apresentado ao MAM Rio propõe uma reativação de seus patrimônios material e imaterial, entendidos em sua complexidade expandida, e a reconexão do museu com seu exterior físico, digital e simbólico.
“A escolha de Pablo e Keyna, consensual entre os dois comitês, é marcada pela visão contemporânea que trazem sobre o papel dos museus na sociedade atual, por um plano de gestão de acervos integrado à renovação do Bloco Escola, além da experiência prévia de ambos na área de educação em centros culturais, integrada à articulação de redes locais e internacionais que se somam ao que temos desenvolvido nesta nova visão para o museu”, ressalta Szwarcwald.
As inscrições da chamada internacional sul-americana foram abertas no dia 3 de maio de 2020, data de comemoração de 72 anos de fundação do museu. Encerradas em 7 de junho, receberam o expressivo resultado de 103 candidaturas, selecionadas por um comitê interno deliberativo do MAM, formado por seis membros da equipe do museu. Em seguida, as candidaturas foram encaminhadas para avaliação de um segundo comitê técnico, composto pelo artista baiano Ayrson Heráclito; pelo curador e diretor da Casa do Povo (SP), Benjamin Seroussi; pela curadora baiana Diane Lima; pela diretora do Instituto Brasileiro de Museus, Eneida Braga; por Jochen Volz, diretor da Pinacoteca de São Paulo; pela curadora equatoriana Manuela Moscoso; pelo artista carioca Maurício Dias; pela coordenadora de educação do Instituto Moreira Salles de SP, Renata Bittencourt; e por Roberta Saraiva Coutinho, que integra a diretoria do ICOM Brasil. Na última etapa seletiva, os cinco finalistas também foram entrevistados pelo Conselho de Administração do MAM Rio.
Em todo o processo da Chamada Aberta, o MAM Rio manteve o princípio da isonomia, bem como seu compromisso de preservar os participantes, garantindo o sigilo das informações dos candidatos e membros dos comitês.
Trecho da carta de apresentação da candidatura de Keyna e Pablo à Direção Artística do MAM Rio:
“O Museu de Arte Moderna de Rio de Janeiro é a instituição mais importante dedicada à arte moderna e contemporânea na cidade e no estado do Rio, e uma das mais importantes no Brasil e América Latina, com uma história exemplar de experimentação com as manifestações, trajetórias e ramificações da prática artística entendida em um sentido expandido. Dinâmicas de trabalho em grupo não são novidade em contextos artísticos, mas fazer delas parte integrante da estrutura da instituição, combinando nossas experiências, olhares, competências e redes nacionais e internacionais para construir o projeto artístico, seria um sinal de que o MAM, em sua renovação, continua fiel a essa história, mostrando clara vontade de ser um museu de referência no mundo.”
Keyna Eleison, 41 anos, carioca
Curadora. Escritora, pesquisadora, herdeira Griot e xamã, narradora, cantora, cronista ancestral. Com experiência extensa em gestão de instituições de arte, cinema e cultura, e com gestão de projetos educativos.
Mestre em História da Arte e especialista em História e Arquitetura pela PUC - Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro); bacharel em Filosofia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Participa da Comissão do Patrimônio Africano para laureação da região do Cais do Valongo, como Patrimônio da Humanidade (UNESCO).
Curadora do 10a Bienal Internacional SIART, Bolívia (2018-19).
Atualmente, é cronista da Contemporary & Magazine e professora do Programa de Formação e Deformação da EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro.
Pablo Lafuente, 44 anos, espanhol
Nascido em Santurtzi, no País Basco, Pablo Lafuente vive no Brasil há sete anos, desde junho de 2013. Tem trajetória profissional nas áreas da curadoria, crítica de arte, edição e ensino, em contextos institucionais e informais, em projetos de pequena e grande escala. Em todos esses engajamentos, sejam eles de curto ou longo prazo, procurou desenvolver práticas interdisciplinares de modo colaborativo, com base em pesquisas teóricas e históricas, sempre pensando a arte desde seus contextos sociais e políticos e desde as plataformas institucionais que a fazem possível.
Coordenador, Programa CCBB Educativo – Arte & Educação, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, de 2018 a 2020.
Co-curador, 31a Bienal de São Paulo como parte da equipe curatorial composta inicialmente por 5 pessoas (com Galit Eilat, Nuria Enguita, Oren Sagiv e Charles Esche) e mais tarde 7 (com Luiza Proença e Benjamin Seroussi).
Curador Associado, Office for Contemporary Art Norway, Oslo, de 2008 a 2013, responsável pelo programa público e plano institucional em conjunto com a diretora Marta Kuzma.
Números que quantificam o interesse público pela convocatória:
O MAM Rio recebeu um total de 103 candidaturas, de 116 participantes, incluindo projetos assinados por duplas e coletivos. No total, foram 66 participantes mulheres e 50 homens.
As candidaturas partiram das Regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e do Distrito Federal. Outros participantes, incluindo brasileiros e sul-americanos, enviaram propostas da Alemanha (1), Argentina (6), Chile (1), Colômbia (1), Costa Rica (1), Emirados Árabes Unidos (1), Espanha (1), França (2), Hong Kong (1), México (2), Nova Zelândia (1), Portugal (1) e Reino Unido (2).
Após avaliação dos currículos pelos critérios de classificação, restaram 67 candidaturas válidas, analisadas por um painel de 5 avaliadores internos, que selecionaram 13 candidaturas para a segunda fase. Com apoio do comitê técnico consultivo, esta fase analisou as 13 candidaturas e apontou 5 finalistas.
Houve consenso entre os nomes indicados no ranking, tanto na primeira quanto na segunda fase, demonstrando alinhamento na leitura das propostas mais adequadas aos desafios do museu.
As cinco candidaturas finalistas, que passaram por uma primeira rodada de entrevistas com a direção do MAM Rio e do Capacete, representam a diversidade proposta pela chamada aberta, do ponto de vista de gênero, etnia e lugares de fala, sendo três candidatos sul-americanos e dois brasileiros (Keyna Eleison e Pablo Lafuente em candidatura dupla).
Sobre o MAM Rio
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), fundado em 1948, é voltado às vanguardas e à experimentação nas artes, cinema e cultura. Seu acervo de cerca de 15 mil obras forma uma das mais importantes coleções de arte moderna e contemporânea da América Latina. O museu realizou inúmeras exposições que marcam até hoje as expressões e linguagens das artes visuais e abrigou múltiplos movimentos artísticos brasileiros.
O MAM Rio é uma instituição cultural constituída como uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, apoiada por pessoas físicas e por empresas, que tem atualmente a Petrobras, o Itaú e a Ternium como mantenedores por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e o Grupo PetraGold como patrocinador.
Desde janeiro de 2020, a nova gestão do MAM Rio, liderada pelo diretor-executivo Fábio Szwarcwald, com o apoio do corpo de conselheiros do MAM e das demais áreas do museu, deu início a um processo de profunda transformação institucional envolvendo novas ideias, novos fluxos de trabalho e novas atitudes. Um movimento de potencialização das ações já realizadas no museu, em consonância com seu histórico, e de acolhimento de todos que desfrutaram da efervescência dos diversos espaços do MAM Rio, incluindo públicos que nunca visitaram a instituição.
As ações do processo de transformação buscam coerência com o projeto original do museu, pautado pelo tripé arte-educação-cultura. Está sendo planejada a reabertura do Bloco Escola, espaço de aprendizado, discussão e criação artística, e da participação da Residência Artística Internacional Capacete. Com esses gestos, o MAM Rio assume uma plataforma de aprendizado vivo em âmbito nacional e internacional e amplia suas bases de diálogo e experimentação.
Material de imprensa realizado por Mônica Villela Companhia de Imprensa