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maio 18, 2021

Três Artistas de Engenho de Dentro no Museu de Imagens do Inconsciente, Rio de Janeiro

Museu de Imagens do Inconsciente realiza a exposição virtual Três Artistas de Engenho de Dentro – Adelina Gomes, Fernando Diniz e Octávio Ignácio

O Museu de Imagens do Inconsciente (MII) apresenta a partir do dia 18 de maio de 2021, às 18h30 – Dia Internacional dos Museus e Dia Nacional da Luta Antimanicomial – a exposição virtual “Três Artistas de Engenho de Dentro”, com um recorte inédito, que reúne 90 obras muito pouco conhecidas pelo público, de Adelina Gomes(1916-1984), Fernando Diniz (1918-1999) e Octávio Ignácio (1916-1980). Com curadoria de Marco Antonio Teobaldo, Luiz Carlos Mello e Eurípedes Gomes da Cruz Júnior, o maior desafio foi selecionar obras dentro da vasta produção dos três artistas. O formato digital permite valorizar a força de cada um dos trabalhos, que “reconta de certa forma suas trajetórias, traço característico do resultado do trabalho criado e desenvolvido pela Dra. Nise da Silveira (1905-1999)”, comenta Marco Antonio Teobaldo. A exposição poderá ser vista no link https://mii.org.br/3artistas.

Marco Antonio Teobaldo destaca que esta tarefa só foi possível graças ao profundo conhecimento que Luiz Carlos Mello e Eurípedes Gomes da Cruz Júnior têm do Museu, a que estão ligados há quase cinco décadas, e que, além de terem convivido com os artistas, “possuem a habilidade de resgatar as memórias contidas nos trabalhos”. Luiz Carlos Mello é diretor do MII, e ganhou o Prêmio Jabuti com o livro “Caminhos de uma psiquiatra rebelde”, e Eurípedes Júnior, músico e museólogo, é vice-presidente da Sociedade Amigos do MII, e curador do Museu Nacional de Belas Artes.

Os três artistas eram negros, de origem humilde. Marco Antonio Teobaldo salienta na apresentação da exposição que “não há como separar a figura dos criadores de suas respectivas produções artísticas, porque o processo de construção dessas obras e seus códigos estão diretamente relacionados com a história de vida de cada um deles”. “Esta exposição proporciona ao observador um mergulho em três universos distintos, que transitam entre feminino e masculino, sistemas e organização de imagens, cores saturadas e linhas. Impossível não se emocionar com tamanha beleza!”, afirma.

Na abertura da exposição haverá uma conversa virtual com a presença dos curadores e ainda de Erika Silva, diretora do Instituto Municipal Nise da Silveira, Heloísa Helena Queiroz, gerente de Museus da Secretaria Municipal de Cultura, Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras. A conversa estará disponível, ao vivo, no canal youtube.com/c/museudeimagensdoinconsciente.

EXPOSIÇÃO VIRTUAL DE LONGA DURAÇÃO

A exposição virtual será de longa duração, e é bilíngue (português/inglês), para ampliar o acesso a este raro e singular acervo, uma referência mundial do assunto. O Museu fundado por Nise da Silveira em 1952, no bairro Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, possui um acervo de 400 mil obras, o maior de seu gênero. Resultado da produção feita pelos pacientes psiquiátricos nos ateliês criados em 1946 pela Dra. Nise, essas obras atestam não apenas um trabalho pioneiro na psiquiatria mundial, que inspirou a Reforma Psiquiátrica brasileira – dotando o país de uma das legislações mais avançadas no mundo nessa área – como revelam seu valor artístico. Na 11ª Bienal de Berlim, em 2020, estiveram 26 dessas obras, dos artistas Adelina Gomes (1916-1984) e Carlos Pertuis (1910-1977).

“Três Artista de Engenho de Dentro” traz imagens de 30 obras de Adelina Gomes,30 obras de Fernando Diniz, e 30 de Octávio Ignácio. Cada imagem é acompanhada de informações de seu tamanho, técnica empregada pelo artista, e o ano de criação.

A exposição traz ainda minibiografias dos três artistas, textos críticos sobre o trabalho de cada um deles, além da apresentação de Marco Antonio Teobaldo. Comentários da própria Nise da Silveira sobre os artistas também estão na exposição.

O pesquisador e historiador da arte Raphael Fonseca conta que conheceu o trabalho de Adelina Gomes pelo cinema, no filme “Imagens do Inconsciente”, obra-prima de Leon Hirszman filmada entre 1983 e 1986 no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, lançado em 1988, após a morte da artista. No filme, o episódio dedicado à artista tem o título “No reino das mães”, e “aponta para as análises feitas por Nise da Silveira, que associa sua produção às relações com figuras femininas no decorrer de sua biografia”.

“Gosto de olhar para a produção da artista e para sua famosa frase citada por Nise da Silveira nesse documentário – ‘Eu queria ser flor’ – de maneira ampla e trans-histórica: que as metamorfoses de Adelina se cruzem tanto com aquelas descritas por Ovídio, quanto com as transformações sugeridas por Hayao Miyazaki. Propondo uma conversa com uma produção mais recente de arte no Brasil, que seus ecos da busca pelo ‘corpo-flor’ possam ser escutados nas poéticas de Castiel Vitorino Brasileiro e Tadaskia. Não nos prendamos a uma forma – entreguemo-nos ao movimento e à incerteza das transformações, assim como Adelina nos ensina até hoje”, escreve Raphael Fonseca.

O curador e crítico de arte Márcio Doctors escreveu sobre Fernando Diniz no catálogo da “Mostra do Redescobrimento – Imagens do Inconsciente”, na Bienal de São Paulo, em 2000. “A pintura de Fernando Diniz é deslumbrante. Não há outro adjetivo que qualifique melhor o vigor de sua imagem, que brilha com a precisão de quem constrói um abrigo para se proteger. É desse envolvimento reconfortante que trata sua obra. Há luxo. Há calma. Há volúpia nas suas imagens”. “É como se perseguisse um ideal burguês ao qual nunca teve acesso, mas do qual retirou a palpitação que alimenta seu imaginário. Alijado, mas prisioneiro, devolve, através de sua arte, uma profunda compreensão e admiração àquilo que nunca lhe foi dado ter. Sua pintura é expressão de seu desejo de penetrar esse universo”, analisa.

Eurípedes Gomes da Cruz Junior lembra que conheceu o Museu de Imagens do Inconsciente em “meados dos anos 1970, levado pelo meu inseparável amigo e irmão Luiz Carlos Mello, que depois tornar-se-ia o principal colaborador da Dra. Nise da Silveira”. Jovem estudante de música, Eurípedes Júnior recuperou um velho harmônio que lá havia e passou a tocar “longos improvisos durante as atividades do ateliê de pintura”. De Octávio Ignácio ele destaca que “era um diferencial no ateliê: os outros frequentadores eram internados, vestiam uniformes e cumpriam a triste rotina do hospício – enfermaria, pátio, ateliê, enfermaria... ele era um participante externo, vinha de sua casa e trajava roupas comuns”. “Octávio esbanjava alegria e se mostrava quase sempre extrovertido, jovial e brincalhão. Hoje vejo claramente a força simbólica que esse fato representava naquele momento. Depois de doze internações, ele começou a desenhar e pintar, e depois disso não foi mais reinternado. Octávio representava o futuro, a transição entre o velho e cruel sistema da psiquiatria tradicional e a revolução iniciada por Nise, baseada no afeto e na liberdade: hoje, nos ateliês do Museu de Imagens do Inconsciente, todos estão livres da prisão asilar! Essa personalidade irrequieta e alegre reflete-se em seu trabalho criativo”, pontua.

CATALOGAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO DE 64 MIL OBRAS

O Museu de Imagens do Inconsciente foi selecionado por dois anos seguidos pela chamada pública para Emenda Parlamentar do Dep. Marcelo Calero. Enquanto aguarda a liberação dos recursos pelo governo federal para os selecionados de 2020, o Museu finaliza as ações possíveis graças à verba recebida pela Emenda em 2019. Está em processo final a construção de um site bilíngue com 400 obras e textos informativos; um inventário de 22 mil obras do lote das 128 mil tombadas pelo IPHAN. Do universo de 400 mil obras de seu singular acervo, apenas 16 mil estão inventariadas. O Museu está assim exercendo seus objetivos principais, que são o de inventariar, preservar, pesquisar e disponibilizar para divulgação, nos mais diferentes formatos – exposições, publicações, seminários, cursos etc. –, este universo imenso e único que é seu acervo. “Este novo sopro de dinamismo é uma poderosa ferramenta para produção de conteúdos para projetos que auxiliam na redução de estigmas das pessoas portadoras de transtornos mentais, além de contribuir fortemente na inclusão social de uma comunidade extremamente rejeitada e estigmatizada”, destaca Eurípedes Júnior.

Assim que for liberada a verba para os contemplados em novembro de 2020, o Museu
alcançará a catalogação e digitalização de 64 mil obras – a metade do conjunto tombado pelo IPHAN – de seu acervo, de reconhecimento mundial, resultante do trabalho pioneiro a que Dra. Nise da Silveira (1905-1999) dedicou sua vida. Este projeto é fundamental para a segurança deste inestimável patrimônio, bem como para permitir o amplo acesso a ele. O edital possibilitará ainda a digitalização de três dos quinze documentários realizados pela equipe do Museu sob a supervisão da própria Dra. Nise, e dirigidos por Luiz Carlos Mello: “Emygdio: um caminho para o infinito” (45'), “Os Cavalos De Octávio Ignácio (30') e “Arqueologia da Psique” (75')

A Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente (SAMII) foi criada em 1974 para incentivar e apoiar as iniciativas científicas e culturais do Museu. Ao longo de sua trajetória de mais de 45 anos, a SAMII realizou diversos convênios com entidades públicas e privadas, cujos resultados alavancaram o Museu e permitiram a realização de inúmeras iniciativas tais como: mais de 200 exposições no Brasil e no exterior; cerca de 50 publicações, além de documentários, vídeos e filmes, seminários, conferência, cursos. A atual diretoria da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, presidida por Marcos Lucchesi, grande amigo da Dra. Nise, tomou posse em 2018, e tem como vice-presidente o compositor e museólogo Eurípedes Júnior, que trabalhou com ela e que lançará, ainda em 2021, o livro "Do asilo ao Museu – Nise da Silveira e as coleções da loucura", sua tese de doutorado.

Outro livro, editado em 2020 e com data de lançamento previsto para este semestre, é "Cartas a Spinoza", com textos de Nise da Silveira, em uma terceira edição revista, com dois mil exemplares impressos graças ao apoio de Max Perlingeiro, do Conselho Deliberativo da Sociedade de Amigos do Museu. O livro foi escrito por Nise da Silveira por incentivo de Marcos Lucchesi. Nise foi uma admiradora e estudiosa de Spinoza desde a juventude.

Outros três livros – “O Mundo das Imagens” e “Imagens do Inconsciente” – têm novas edições previstas pela editora Vozes, pois estão esgotados e são muito solicitados por estudiosos, pesquisadores e interessados pelo assunto. Assim como o livro "Do asilo ao Museu – Nise da Silveira e as coleções da loucura", de Eurípedes Junior, sua tese de doutorado, previsto também para 2021.

Para 2022, dentro do Projeto 4000, o Museu está planejando a exposição “Ocupação Nise”, um projeto do Itaú Cultural, que inaugurará a ampliação da sede do Museu, comemorando os 70 anos de sua criação.

Publicado por Patricia Canetti às 9:59 AM


maio 17, 2021

Futuro e memória nas poéticas contemporâneas no Oi Futur, Rio de Janeiro

Coletiva com obras de 10 artistas de seis estados brasileiros abre dia 26 de maio para visitação presencial com agendamento e todos os protocolos de segurança sanitária

O Oi Futuro inaugura dia 26 de maio, quarta-feira, a exposição coletiva Arte, Cidade e Patrimônio: futuro e memória nas poéticas contemporâneas, sob curadoria de Adriana Nakamuta, com 10 artistas de seis estados brasileiros, em que se debate memória e futuro através de poéticas urbanas, apresentadas em diversas plataformas, que vai ocupar todos os andares do Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro.

Acompanham a mostra um catálogo-livro e atividades paralelas, como palestras, conversas, vídeo-depoimentos dos/das participantes sobre seus trabalhos e visitas mediadas virtuais.

As/os artistas Beatriz Rauscher (MG), Clara Cavendish (RJ), Claudia Renault (MG), Denilson Baniwa (AM/RJ), Guto Nóbrega (RJ), Lucas Landau (RJ), Mariana Guimarães (RJ), Mauricio Pokemon (PI), Thiago Honório (MG/SP) e Thiago Martins de Melo (MA/SP) foram convidados a apresentar uma produção inédita em suportes e linguagens diversos, contemporâneos, múltiplos, mas conectados com a cidade e nossas diversas esferas de patrimônio, tendo como inspiração a cidade do Rio de Janeiro – Primeira Capital Mundial da Arquitetura, sede do Congresso Mundial de Arquitetos (UIA 2021) e Patrimônio Cultural Mundial na categoria Paisagem Urbana, ambos títulos concedidos pela Unesco.

A exposição justifica-se também pela realização do 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA), que seria realizado no Rio de Janeiro em 2020 pela primeira vez no Brasil. A UIA foi adiada para este ano, e em função da continuidade da pandemia, está ocorrendo em formato remoto e virtual, com agenda global.

Segundo a curadora, esses artistas “trazem para o espaço expositivo do Centro Cultural Oi Futuro a materialidade da arte contemporânea e ativam as experiências visuais em sua diversidade, para a construção e a reconstrução de memórias e redes de relações com o patrimônio e o território das cidades brasileiras”.

CURADORA

Doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com estágio de pesquisa no Instituto Nacional de História da Arte de Paris, na França. Possui graduação em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia, MG, mestrado em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade de São Paulo, especialização em Patrimônio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e UNESCO. Em 2018 concluiu o estágio e a pesquisa de Pós-Doutorado Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico na UFRJ. Atualmente é Líder Nacional da Área de Educação da YDUQS, professora do Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do IPHAN e da Especialização em História da Arte Sacra da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro.

ARTISTAS

BEATRIZ RAUSCHER: Artista mineira, professora e pesquisadora em poéticas visuais da Universidade Federal de Uberlândia. Seu trabalho questiona o patrimônio histórico e cultural pelo viés do valor natural, a partir das palmeiras imperiais, como elemento da tradição e história cariocas. A instalação “Distinção e poder” enfileira 178 mudas deste tipo de árvore, sobre um banco, desenhado em forma sinuosa, que se “oferecem” em adoção. Este é o número de palmeiras da Rua Paissandu, no bairro do Flamengo, RJ. Projetado sobre o telão de LED do espaço, o vídeo “Promenade tropical” mostra diferentes alamedas de palmeiras nesta cidade.

CLARA CAVENDISH: Pintora carioca, participou da exposição “Como vai você geração 80”, em 1984, no Parque Lage. Suas telas de “Rio em Postais” reproduzem flashes de um Rio de Janeiro turístico. Essa série de pinturas confronta visões da malha urbana, envolvendo as populações e seus habitats improvisados das comunidades, com a vegetação dos morros, a geografia carioca e o diálogo da produção arquitetônica neste contexto.

CLAUDIA RENAULT: Mineira, curadora e professora da Escola Guignard da Universidade Estadual de Minas Gerais, trabalha com a memória e a materialidade dos elementos construtivos. Com “Solidão, Esquecimento e Vestígio”, Renault traz uma arqueologia urbana dos becos, ruas e lugares esquecidos, recolhendo matérias-primas originalmente utilizadas em construções, edificações e ornamentações das cidades. A artista mostra aqui restos de janelas, portas e troncos recolhidos no espaço urbano, redefinidos na sua instalação.

DENILSON BANIWA: artista do povo indígena Baniwa, natural do Rio Negro. Vive e trabalha entre Amazonas e Rio de Janeiro. Seus trabalhos mesclam referências tradicionais e contemporâneas. Em “Repovoamento da memória de uma cidade-floresta”, lambe-lambes que ocupam duas paredes em L, o artista traz o movimento do sopro de um pajé para reestruturar e ressignificar o lugar dos povos formadores na construção de memórias coletivas e de identidades culturais.

GUTO NÓBREGA: artista visual e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, investiga a intersecção de arte e ciência. Ele chama atenção para a realidade vegetal da nossa memória, necessária ao futuro. Guto associa o vegetal, o natural e o artificial em “Aquário bolha plantado”, fazendo uma confluência entre realidades hiperconectadas.

LUCAS LANDAU: Fotógrafo carioca, autor da foto que viralizou no Ano Novo 2020/2021, de uma Praia de Copacabana quase deserta. Ele tem um olhar sensível às questões sociais e afetivas que envolvem o campo da arquitetura, das cidades e do patrimônio. No vídeo “Matermônio”, Landau desconstrói a definição de patrimônio como “herança paterna”, no propósito de uma construção coletiva que ressignifique o feminino no campo do patrimônio.

MARIANA GUIMARÃES: Artista carioca, educadora e pesquisadora de arte no Colégio de Aplicação da UFRJ. Ela apresenta a instalação “Caquinhos”, composta por cerca de 7.000 fragmentos de demolição, coletados nas ruas e caçambas da cidade do Rio de Janeiro. Mariana redesenha, pelo viés do descarte e da substituição do ambiente interno construído, a poética visual de uma narrativa de vidas.

MAURÍCIO POKEMON: Artista visual, natural de e residente em Teresina, tem em sua produção a construção de narrativas visuais de questões urbanas, como a gentrificação e a especulação imobiliária. Pokemon parte do estudo do movimento do corpo como poética significativa para o debate sobre memória e identidade. Da série “Braço Nacional”, ele mostra nesta exposição um políptico de 48 registros dos movimentos corporais de Idalina e Seu Cidinha, piauienses que vieram trabalhar no Rio de Janeiro. É o coroamento simbólico das memórias de um patrimônio nacional construído por trabalhadores nordestinos que migram para outras regiões em busca de uma suposta vida melhor.

THIAGO HONÓRIO: artista mineiro, radicado em São Paulo, professor da Fundação Armando Álvares Penteado. Transitando da matéria ao material, da extração do pictórico, Honório esquadrinha uma geometria de texturas em “Pintura de parede”, com lixas gastas usadas na pintura das paredes da residência do artista. Este conjunto de pinturas se dá pela extração de matéria e não pela adição de tinta. Seu trabalho nos conecta com o ato de restaurar edifícios históricos e de remover as múltiplas camadas que os revestem.

THIAGO MARTINS DE MELO: artista de São Luís do Maranhão, residente em São Paulo. Na animação stop motion [4” loop] desta exposição, “A queima do tempo do conhecimento”, trata do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, sob duas faces: Luzia [o fóssil humano mais antigo da América do Sul] e Dom Pedro II. O trabalho coloca em evidência as lutas travadas por territórios e poder. Lembra-nos que toda ação de preservação é também um ato político, em que vidas e histórias compõem batalhas na teatralização da memória e na projeção do futuro.

Arte, Cidade e Patrimônio: Futuro e Memória nas Poéticas Contemporâneas, em cartaz até 25 de julho de 2021, vem acompanhada de um catálogo-livro que fará parte da coleção Arte e Tecnologia do Oi Futuro.

A visitação segue todos os protocolos de segurança sanitária previstos pelos órgãos responsáveis e deve ser agendada por meio do site https://oifuturo.org.br/agendamentocentrocultural/ ou por telefone 21-3131-3060. A entrada é gratuita.

De quarta a domingo, com agendamento disponível para os seguintes horários:
12h às 13h30
14h às 15h30
16h às 18h

Patrocínio: Oi, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura; realização: Automatica.

Material de imprensa realizado por Meise Halabi

Publicado por Patricia Canetti às 11:36 AM


maio 13, 2021

Flávia Junqueira no Farol Santander, Porto Alegre

A mostra Revoada, inédita em Porto Alegre, ocupa o Grande Hall do edifício com 70 balões de vidro explorando a arquitetura local

Acervo de fotos com trabalhos realizados por Flávia Junqueira em teatros do Brasil também compõe a exposição, com destaque para as intervenções no Theatro São Pedro, de Porto Alegre, e no Theatro Guarany, em Pelotas

O Farol Santander, centro de cultura, empreendedorismo e lazer de Porto Alegre, abre sua temporada de exposições em 2021 com a mostra Revoada, da artista visual Flávia Junqueira, um dos principais nomes do cenário da arte contemporânea no Brasil. Inédita em Porto Alegre, Revoada tem curadoria de Paulo Herkenhoff e produção de Angela Magdalena (Madai) e Julia Brandão (Ayo). A mostra fica em exibição de 02 de fevereiro até 25 de abril de 2021 na capital gaúcha.

A jovem artista paulistana ocupará o Grande Hall do histórico edifício com a instalação “Revoada”, homônima à exposição e que consiste em uma cenografia lúdica e imersiva, com aproximadamente 70 balões de vidro, medindo de 90cm a 40cm, coloridos e suspensos a partir do teto. A suspensão dos balões será realizada com cabos de aço que dão a sensação dos objetos estarem voando pelo ar.

Essa instalação proposta por Flávia Junqueira potencializa as cores do vitral do Grande Hall e introduz novas colorações, estimulando uma sinergia singular entre a poética da artista e a arquitetura do espaço.

Reconhecida no cenário artístico nacional por utilizar balões como elemento poético, Flávia Junqueira convida o público a uma volta ao período em que vivenciamos e processamos nossas primeiras descobertas como seres humanos. A exposição Revoada provoca sensações conectadas ao universo das nossas primeiras descobertas.

“Depois de uma passagem de sucesso por São Paulo, apresentamos a exposição Revoada – exclusivamente produzida e adaptada à beleza desse espaço. Por meio de fotografias, vídeos e instalações que fazem referência a jogos, brincadeiras e atividades criativas, a renomada artista Flávia Junqueira cria uma obra na qual o grande protagonista é o universo visual da infância.”; ressalta Patricia Audi, vice-presidente executiva de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil.

Além da instalação com os 70 balões, Flávia exibirá no Farol Santander Porto Alegre mais de 15 fotos de aproximadamente 120cm x 150cm, com intervenções artísticas realizadas em grandes salas e teatros do país, como: Theatro São Pedro (RS), Theatro Guarany (RS), Theatro Amazonas (AM), Theatro Municipal de São Paulo (SP), Sala São Paulo (SP), Theatro São Pedro (SP), Farol Santander São Paulo (SP), Teatro Coliseu de Santos (SP), Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ), Theatro Municipal de Niterói (RJ), Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (MA), Theatro da Paz (PA), Theatro José de Alencar (CE). Junto às fotos, três vídeos inéditos e de making of das instalações promovidas pela artista nos teatros também serão parte da mostra Revoada.

As ocupações destes teatros também são características do trabalho da artista, que catalogou uma série de espaços importantes em todas as regiões do Brasil, para promover, a partir de suas arquiteturas e importância histórica, a união entre a relevância cultural destes ambientes com a provocação lúdica dos elementos conectados a infância, mas próximos das fábulas, sonhos e fantasias da imaginação.

Revoada é apresentada pelo Ministério do Turismo e Santander, com patrocínio via Lei de Incentivo à Cultura. Realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Farol Santander Porto Alegre.

Sobre Flávia Junqueira

Flávia Junqueira (São Paulo, Brasil, 1985) lida principalmente com fotografia. O universo visual da infância e a construção de um imaginário sobre este período permeiam a obra da artista desde o início de sua produção.

Doutoranda em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em fotografia e bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Integra o Atêlie Fidalga sob coordenação de Sandra Cinto e Albano Afonso.

Participou do projeto do programa de residências da Izolyatsia’s Platform for Cultural Initiatives na cidade de Donestk na Ucrânia com curadoria de Boris Mikailov (2011), da residência Cité Internationale des Arts em Paris com apoio da FAAP (2011), integrou o Programa PIESP da Escola São Paulo (2010) e atuou como assistente de cenografia no Espaço Cenográfico de São Paulo de J.C.Serroni.

Entre os principais projetos e exposições coletivas que participou destacam-se: Culture and Conflict, IZOLYATSIA in Exile; Palais de Tokyo, The World Bank Art Program; Kaunas Photo festival; Exposição Individual “Tomorrow I will be born again” na Cité Dês Arts; coletiva “Una mirada latino Americana” do projeto Photo España; temporada de projetos Paço das Artes; prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Otahke, programa Nova Fotografia no MIS; Concurso Itamaraty; Residência RedBull House of Art; Atêlie Aberto da Casa Tomada, entre outros.

Algumas de suas obras integram o acervo de museus e espaços culturais como: MAR- RJ, MAM-SP, MIS-SP, MAB-FAAP, Museu do Itamaraty, Instituto Figueiredo Ferraz, RedBullStation entre outros. Flávia Junqueira é representada pela Galeria Zipper em São Paulo, pela Galeria Quadra no Rio de Janeiro, pela Reiners Contemporary Art na Espanha e Estudio Arara em Paris e Lisboa.

Protocolos de segurança e saúde

Para zelar pela segurança e saúde de seu público e funcionários, haverá medição de temperatura e tapetes sanitizantes e secantes para ingresso no prédio; será obrigatório o uso de máscaras; dispensers de álcool em gel estarão disponíveis em todos os andares do edifício e o ambiente também contará com sinalizações para que todos respeitem o distanciamento de 1,5 metro. O Farol ainda reforçou o serviço de limpeza e higienização de todo o prédio. A capacidade total atual está a 25% de visitantes.

Sobre o Farol Santander Porto Alegre

O Farol Santander, centro de empreendedorismo, cultura e lazer em Porto Alegre completou, em março de 2020, um ano de atividades.

No período, recebeu cinco exposições de artes visuais: “Contemporâneo, sempre: Coleção Santander Brasil”; “Roda Gigante – artista Carmela Gross”, “Saramago – os pontos e a vista”, “Estratégias do Feminino” e “GIGANTAS – uma experiência por Nonotak Studio”.

Foram exibidos 15 programas especiais no Cine Farol Santander, com destaque para a mostra “Cinema Atual Espanhol”; realizou encontros relevantes, como com o filósofo francês Luc Ferry e debates sobre moda e gastronomia.

O Farol Santander Porto Alegre também possui um Espaço Memória que traz a história da cidade, do prédio e da política monetária brasileira, além do Restaurante Moeda; todos concentrados no subsolo da instituição. Vale destacar a dinâmica de eventos, que disponibiliza todos os espaços do Farol Santander para locação.

Publicado por Patricia Canetti às 1:22 PM


Histórias brasileiras: Conceição dos Bugres no MASP, São Paulo

MASP abre biênio de Histórias Brasileiras com exposição de Conceição dos Bugres, que pretende resgatar e reposicionar obra de artista que atuou no Mato Grosso do Sul e se especializou na produção dos bugres, estatuetas feitas em madeira e pedra sabão

Conceição Freitas da Silva (Povinho de Santiago, Rio Grande do Sul, 1914 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1984), mais conhecida como Conceição dos Bugres, é a artista escolhida para dar início ao biênio das Histórias brasileiras no MASP. A exposição Conceição dos Bugres: tudo é da natureza do mundo começa em 14 de maio de 2021 e fica em cartaz até 30 de janeiro de 2022. Por causa da pandemia de covid-19, o museu precisou reorganizar sua grade de exposições. Neste ano, elas serão menores em número e maiores em duração. A partir do segundo semestre, essa mostra irá coincidir com as individuais de Erika Verzutti e Maria Martins (1894-1973), enfatizando o papel das mulheres para a linguagem escultórica no Brasil.

“Nesse país tão plural e diverso como é o Brasil, muitas histórias e agências ficaram à margem, por isso é tão fundamental iniciar esse ciclo de exposições com uma artista cuja produção tem um valor ainda a ser reconhecido e reposicionado na história da escultura em nosso país. Este projeto reafirma uma posição de Conceição dos Bugres como parte de um cenário amplo e inclusivo, ressaltando sua valiosa contribuição para a arte brasileira”, afirma Amanda Carneiro, curadora assistente no museu e curadora da exposição ao lado de Fernando Oliva, curador no MASP.

A mostra em questão se encaixa em um movimento que o MASP vem fazendo desde 2016 ao apresentar obras de artistas que ficaram fora das histórias oficiais da arte com o objetivo de reposicioná-los. É o caso, por exemplo, das exposições Agostinho Batista de Freitas (2016), Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência (2018) e Djanira: a memória de seu povo (2019).

“A trajetória da Conceição dos Bugres sofreu um processo de apagamento como a de muitos artistas da chamada ‘arte popular brasileira’. Há uma tentativa de inserção dela nesse grande escaninho, o que nem sempre é algo positivo para o artista”, explica Oliva.

Conceição foi uma artista ímpar para a história da escultura no Brasil, reconhecida por sua produção dos chamados “bugres”, trabalhos geralmente esculpidos em madeira e cobertos por cera de abelha ou parafina e tinta, mas que também podem ser feitos em pedra sabão e arenito.

O termo “bugre” tem sido questionado por sua dimensão pejorativa, principalmente por ser utilizado em referência à própria origem da artista; é indiciário do processo de discriminação contra as populações indígenas no país. No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, organizado por Antônio Geraldo da Cunha, quer dizer “designação genérica dada ao índio, especialmente o bravio e/ou guerreiro, por extensão, rude e grosseiro”. No entanto, com o tempo, o nome das peças passaram a nomear também a artista, numa relação ambígua entre a artista e suas esculturas.

Os bugres de Conceição, por sua vez, figuram personagens de tipo característico fundamentados na repetição do uso dos materiais e formas e na especificidade de seus traços. Apesar de apresentarem um padrão que as define, suas esculturas têm subconjuntos variados e são dotadas de fortes e singulares personalidades, distinguíveis em relação a sutis e apuradas modificações na forma, mas também à expressão, revelando a excelência da artista.

Segundo Oliva, a mostra é justamente baseada nessa fricção entre a repetição e a diferença. “As obras dela, supostamente, se parecem, mas existem também muitas particularidades que ainda não foram estudadas”, diz. “Como é uma artista que foi deixada à margem, existem alguns clichês sobre a obra dela, e a repetição é um deles”, completa. Assim como as comparações com os ex-votos do nordeste brasileiro e as aproximações com o minimalismo de Brancusi. O diferencial, no MASP, além da exposição em si, que já é uma novidade, será olhar para as diferenças entre as obras dela e ressaltá-las.

A expografia irá contribuir nesse propósito: uma das paredes do primeiro subsolo será ocupada por um grande painel que irá reunir todas as obras na mesma superfície, mas em diferentes alturas, criando um sentido de conjunto mas, ao mesmo tempo, chamando atenção para as especificidades de cada núcleo.

A artista teve certo reconhecimento nos anos 1970, ainda em vida. Roberto Pontual (1939-1994) foi um de seus principais divulgadores, seguindo caminho aberto por Humberto Espindola e Aline Figueiredo. Com mais de 50 anos, ela participou da exposição Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois (Rio de Janeiro, 1972) e da III Bienal Nacional (São Paulo, 1974). Essa visibilidade, por outro lado, não se converteu em ganhos financeiros e ela morreu pobre, em 1984.

Seu trabalho foi seguido por seu marido Abílio Freitas da Silva e, ainda hoje, seu neto, Mariano Antunes Cabral Silva, continua produzindo os bugres. Atualmente, Conceição é figura emblemática no Mato Grosso do Sul e sua imagem é comumente vinculada à produção artística do estado.

A exposição irá reunir 113 obras da artista, a maioria vinda de coleções particulares. Há pouquíssimas obras dela em acervos públicos, fato que também diz sobre esse processo de apagamento. Hoje, o trabalho dela se encontra apenas nas coleções do Museu Afro Brasil e do Itaú Cultural.

Catálogo

A publicação bilíngue e ilustrada (R$ 149) terá 240 páginas e estará disponível para venda na inauguração da mostra, na loja física do MASP e pelo site do museu. O catálogo incluirá textos dos curadores, Amanda Carneiro e Fernando Oliva, Julia Bryan-Wilson, Fernanda Pitta, Isabella Amizo e Naine Terena. A ideia, com o livro, é contribuir para ampliar o conhecimento da biografia sobre a artista, ainda muito restrita, além de difundir sua obra e despertar novas leituras de seus trabalhos.

Publicado por Patricia Canetti às 11:40 AM


maio 12, 2021

Mostra Pulso inaugura espaço expositivo da plataforma Bica

Mostrando trabalhos apenas na linguagem do GIF, Pulso inaugura o programa de exposições da Bica Plataforma, refletindo sobre formatos de imagens de alta circulação

Focada no uso do gif, Pulso discute um formato de alta circulação pela internet para testar suas possibilidades estéticas, críticas e políticas.

O título evoca diversas associações, das quais destaca-se a ideia de pulsação, sugerindo o processo de vida e morte das imagens. Entre os temas tratados pelos artistas estão desde os princípios básicos de repetição do gif, até discussões sobre sexualidade, violência, linguagem e identidade.

Alguns dos artistas, como George Teles, Yná Kabe Rodríguez Olfenza e Maura Grimaldi, já haviam trabalhado com essa linguagem anteriormente, mas a grande maioria não. “Me interessa pensar como a lógica da repetição ou o uso de materiais e imagens reprodutíveis já estavam presentes nos lambes de Lenora de Barros ou nas esculturas de João Loureiro, encontrando um nexo com o formato gif no interior dessas pesquisas”, diz o curador.

Para instrumentalizar todos os artistas participantes para a esse novo desafio na produção, a Bica ofereceu uma oficina de Gif, com a designer Nina Lins, aliando o programa de cursos e laboratórios da plataforma com o projeto de exposições.

Misturando artistas de diferentes gerações, localidades e linguagens, Pulso embaralha artistas jovens e estabelecidos, assim seus temas e discussões. Utilizando um recursos próprio do meio digital, a cada nova atualização da página do projeto, novas relações entre as imagens serão propostas aleatoriamente.

Desde o começo da pandemia, a necessidade de migrar para o virtual levou a uma profusão de estratégias de transposição do espaço físico para o digital, assim como o alto investimento em pesquisar seu potencial estético. Pulso busca utilizar um dos materiais e linguagens mais banais da internet para testar suas possibilidades formais, reflexivas e críticas.

SOBRE O CURADOR

Leandro Muniz (São Paulo, 1993) atua como artista e pesquisador e é formado em artes plásticas pela USP. Repórter na revista seLecT desde 2019, fez parte do grupo de estudos Depois do Fim da Arte, coordenado por Dora Longo Bahia. Já expôs em espaços e projetos como o Museu de Arte do Rio, Galeria Aura, DAP Londrina, Espaço das Artes USP, Sesc, Fábrica Bhering, Casa Alagada, Ateliê397, entre outros. Foi curador das mostras Torrente (Galeria Karla Osório, 2020), Esquadros (Partilha, 2020), migalhas (Galeria O Quarto, 2019), Lampejo (Galeria Virgilio, 2019), Disfarce (Oficina Cultural Oswald de Andrade, 2017), entre outras. Seus textos podem ser encontrados em publicações e portais como Arte que acontece, Relieve Contemporáneo, Terremoto e Revista Rosa.

SOBRE A PLATAFORMA BICA

Bica é um meio, água que corre de uma fonte inesgotável.
Em abril de 2021 surge BICA, um espaço virtual para propostas de vivência e compartilhamento de arte.

Trata-se de um lugar de investigação artística que propõe experiências expositivas, web residências e projetos de imersão com ênfase em experimentações e processos de criação. É uma plataforma de mediação, reflexão, diálogo e aprendizagem que acontece através de experiências entre artistas, investigadores e demais interessados em pensar projetos transdisciplinares que dialoguem com ações artísticas em ambiente digital.

Como lugar para reflexão crítica do contemporâneo, BICA oferece CURSOS de média e longa duração; LABS, encontros de um a dois dias como palestras e performances; WEB RESIDÊNCIAS com acompanhamento de curador convidado; EXPOSIÇÕES, experiências de ocupação da plataforma; e ON LINE ON SITE, ocupações artísticas semanais em ambiente digital.

Dia 7 de maio, BICA inaugura a programação de EXPOSIÇÕES com a mostra PULSO, com curadoria de Leandro Muniz. O título evoca diversas associações, das quais destaca-se a ideia de pulsação, sugerindo o processo de vida e morte das imagens. Entre os temas tratados pelos artistas estão desde os princípios básicos de repetição do gif, até discussões sobre sexualidade, violência, linguagem e identidade. Participam da exposção artistas de diversas gerações abordando o gif: Lenora de Barros, Giovanna Langone, faemyna, Sindy Paloma, Yná Kabe, Rodriguez Olfenza, Flora Leite, Wisrah Villefort, Maura Grimaldi, Bruno Alves, Renato Pera + Caio Fazolin, Marina da Silva, João Loureiro e George Teles.

Inaugurando a programação de CURSOS dia 4 de maio, BICA lança NFTs: três histórias entre arte, mercadoria e arte, proposto pelo pesquisador Pedro Silveira. Os LABS começaram com Gifs, ministrado por Nina Lins, aberto ao público, contou com a participação dos artistas que estão na exposição PULSO.

A primeira edição da WEB RESIDÊNCIA, mediada por Tarcísio Almeida, começou dia 05 de maio e traz como proposta criar situações de diálogo entre profissionais do campo da arte, e contribuir com sua formação e seus posicionamentos frente às dinâmicas de seus próprios processos de criação. São 10 vagas, com duração de 2 meses e os encontros semanais serão realizados entre maio e junho de 2021. Os processos de criação dos artistas residentes estarão disponíveis no site da BICA.

Como lugar de criação construído coletivamente por parceiros e colaboradores, BICA está aberta a propostas de intervenções artísticas a serem realizadas no site, e nos seus canais do Instagram, Spotify e Youtube. Os interessados devem entrar em contato através de bicaplataforma@gmail.com.

Publicado por Patricia Canetti às 12:38 PM