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dezembro 16, 2018

Relatório NextGen Artist identifica os 500 melhores artistas, JLT Specialty

Relatório NextGen Artist, da JLT Specialty, identifica os 500 melhores artistas: quase um quarto deles reside em Nova York, enquanto apenas 9% vivem em Londres

A JLT Specialty, corretora de seguros especializada em consultoria de risco, publicou pela primeira vez o relatório ‘NextGen Artist’, em parceria com a ArtTactic, empresa de pesquisa de mercado de arte, em que identificou e analisou a próxima geração de artistas internacionais com menos de 40 anos de idade.

Com a arte contemporânea se transformando no maior filão das casas de leilão Christies e Sothebys*, este documento lança luz sobre a próxima geração de artistas e ajuda a compreender os fatores que influenciam a trajetória de cada um. (*Fonte: ArtTactic 2017)

O relatório identifica os 500 principais artistas do globo, trazendo dados sobre suas respectivas carreiras, educação, representação de galerias e presença tanto em leilões quanto nas redes sociais. Egressos de variados campos da arte, eles trabalham com diferentes mídias, refletindo as constantes mudanças da arte contemporânea.

Dos top 100, 37% são identificados como artistas multidisciplinares, seguidos por pintores (22%) e artistas de instalação (14%).

O documento também reforça o domínio dos Estados Unidos e da Europa no mercado internacional de arte. Quase um quarto (24%) dos artistas reside e trabalha em Nova York, cidade que revelou ser o epicentro global do segmento, seguida por Berlim (12%) e Los Angeles (9,4%). Londres apareceu como o quarto centro mais importante, com 8,7% dos artistas vivendo lá – embora a capital londrina tenha o segundo maior mercado de arte em termos de vendas, o relatório constatou que os altos custos de moradia e a dificuldade em encontrar trabalho acabam levando os artistas a se instalar em metrópoles europeias mais acessíveis, como Berlim.

“Nos últimos quinze anos, temos visto um extraordinário crescimento do mercado de arte contemporânea. Vivemos um momento emocionante para os envolvidos na indústria artística, sejam artistas, colecionadores ou investidores. Este projeto colaborativo resulta de nossa paixão e curiosidade sobre os fatores que contribuem para o sucesso de um artista hoje”, afirma David Gordon, CEO da divisão de Belas Artes da JLT Specialty. “Entender esses fatores nos permitiu identificar a próxima geração de artistas que terá o impacto mais significativo no mundo da arte no futuro, bem como identificar as estrelas em ascensão tendo em vista o interesse dos colecionadores e das casas de leilão”.

O relatório completo pode ser acessado aqui.

SOBRE A JLT BRASIL

A JLT - Jardine Lloyd Thompson – companhia inglesa integrante do Grupo Jardine Matheson – é uma das maiores empresas especializadas em gestão de riscos, corretagem de seguros e resseguros e consultoria em benefícios em todo o mundo. Com cerca de 11 mil funcionários e atuação em mais de 135 países, está entre as quatro maiores corretoras de seguros e resseguros do mundo, sendo a maior não-americana com seu capital aberto na bolsa de valores em Londres. O faturamento mundial no ano passado foi de US$ 1,9 bilhão.

No Brasil, o grupo atua desde 1989 e está presente nas mais importantes cidades de todas as regiões do país. São mais de 450 colaboradores e escritórios localizados em Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Macaé, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Uberlândia capazes de atender a toda demanda nacional. Em 2017, administrou R$ 2,3 bilhões em prêmios, com um atendimento multidisciplinar capaz de oferecer soluções inovadoras e diferenciadas para os clientes pelo nosso time de especialistas.

Publicado por Patricia Canetti às 12:09 PM


dezembro 15, 2018

Diante da variação cambial, brasileiros avaliam participação na Miami Basel por Nelson Gobbi, O Globo

Diante da variação cambial, brasileiros avaliam participação na Miami Basel

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 10 de dezembro de 2018.

Empresários festejam bons negócios, mas dizem que a disparada do dólar atrapalhou planejamento

MIAMI — Entre a expectativa de vendas e a realidade da economia nacional, galeristas brasileiros presentes à Art Basel Miami, que terminou anteontem no Miami Beach Convention Center, faziam contas para avaliar se a participação na maior feira de arte dos Estados Unidos ainda era tão vantajosa quanto no passado. Em um contexto de volatilidade cambial, na qual o dólar começou o ano a valendo R$ 3,3 e terminou a quase R$ 4, os galeristas celebravam os negócios e contatos realizados, mas sem abrir mão da cautela em relação ao balanço entre lucros e despesas. Caso da paulistana Jaqueline Martins, que levou para a seção Survey uma seleção de trabalhos da brasileira Regina Vater. Durante o evento, a galerista comemorou a projeção da artista, que morou por anos nos EUA, mas por pouco o projeto não se concretiza, já que ela quase desistiu de participar quando o dólar disparou, em setembro.

— Cheguei a mandar um e-mail para a organização, dizendo que se o câmbio piorasse eu teria que cancelar a minha participação. O dólar subiu para mim quase 30%, e não consigo repassar essa variação para as obras. Fora o imposto altíssimo que tenho que pagar no Brasil — ressalta Jaqueline. — Ainda assim, compensou estar aqui, tanto pelo interesse de colecionadores quanto pelas instituições. Além das tradicionais, os EUA têm muitas universidades com seus próprios museus, e com orçamento para fazer aquisições.

Para Antonia Bergamin, da Bergamin & Gomide, que comemorava a venda de obras de Leonilson e Ivan Serpa para instituições e colecionadores americanos, as vendas continuam sendo realizadas como no passado, embora observe uma mudança na dinâmica da feira.

— Acho que como vem acontecendo em feiras em todo o mundo, houve uma mudança no comportamento do colecionador. Não é mais como antes, em que vendíamos quase tudo no preview e depois ficávamos quatro dias quase sem nada para fazer no estande. Hoje o comprador vem, conversa, pesquisa, reserva e só depois efetua o negócio. Não tem mais aquele desespero — avalia Antonia, para quem a volatilidade da moeda prejudica todo mundo. — Claro que posso planejar vender algo a R$ 3,6 e receber a R$ 3,9, a oportunidade está ligada ao risco. Mas no geral é difícil porque, ainda que a maioria das obras esteja tabelada em dólar, se o câmbio chegar a R$ 8 eu não vou conseguir dobrar o preço dos trabalhos, tem uma média a ser feita.

Dona de galerias em São Paulo, Rio e Nova York, Nara Roesler também vê mudanças, mas no perfil dos colecionadores presentes à feira:

— Talvez tenha visto menos colecionadores conhecidos este ano, com mais presença de jovens, que estão começando as suas coleções. O que acho positivo, sinal que mesmo com o dinheiro mudando de mãos o interesse em adquirir arte continua. Ou, como disse um grande colecionador que passou aqui, comprar uma obra é a possibilidade de “transformar dinheiro em mágica” — conta Nara, que negociou obras de artistas como Julio Le Parc, Artur Lescher e Vik Muniz.

Há quem pretenda avaliar “com calma” a volta à feira no ano que vem. É o caso de Silvia Cintra, da carioca Silvia Cintra + Box 4. Neste ano, Silvia optou por levar à feira artistas de produção mais recente, a exemplo de Chiara Banfi e Pedro Motta, para ampliar sua visibilidade no mercado americano e, ao mesmo tempo, ter valores competitivos no evento.

— Em termos institucionais, o que nos interessa muito, Miami perdeu muito em relação ao que era no passado. Muitos curadores e representantes de instituições dizem não vir mais porque em dezembro a maioria das galerias já não tem como mostrar seu melhor — pondera Silvia. — Neste contexto, acho que as feiras menores podem ser mais interessantes, nos megaeventos as pessoas ficam aflitas para ver tudo e não param para ver as obras. Outros setores, como a moda, já estão buscando este caminho, talvez isso também aconteça com a arte em breve.

* Nelson Gobbi viajou a convite da Art Basel Miami Beach

Publicado por Patricia Canetti às 7:15 PM


Lei Rouanet dá retorno de R$ 1,59 ao país para cada R$ 1 investido em projetos, diz ministério, G1

Lei Rouanet dá retorno de R$ 1,59 ao país para cada R$ 1 investido em projetos, diz ministério

Matéria originalmente publicada no portal G1 em 14 de dezembro de 2018.

Estudo avaliou impacto do mecanismo pela 1ª vez. Resultados mostram que legislação injetou R$ 49,8 bilhões na economia desde 1991.

A cada R$ 1 investido por patrocinadores em projetos culturais por meio da Lei Rouanet, R$ 1,59 retorna para a economia do país. O dado é resultado de um estudo sobre o mecanismo de incentivo divulgado nesta sexta-feira (14).

O impacto financeiro da legislação foi avaliado pela primeira vez desde sua criação, em 1991, no levantamento encomedado pelo Ministério da Cultura (MinC) e realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

As conclusões mostram que a lei injetou R$ 49,8 bilhões na economia em 27 anos. O valor é a soma do impacto econômico direto (valor total dos patrocínios captados, corrigido pela inflação) com o impacto indireto (relacionado à cadeia produtiva movimentada pelos projetos contemplados).

Dessa forma, o retorno de R$ 1,59 inclui todas as movimentações financeiras ligadas aos projetos culturais. Por exemplo, a contratação de uma equipe para construção de um cenário ou a logística de transporte necessária para a montagem de um show.

Durante o anúncio dos resultados, em um fórum em São Paulo, o atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que o estudo "comprova que a Lei Rouanet é fundamental para o Brasil" porque gera "renda, emprego, arrecadação e desenvolvimento", além de beneficiar a cultura do país.

A legislação cultural foi um dos temas de destaque durante a campanha eleitoral à Presidência deste ano. Em setembro, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), então candidato, defendeu mudanças no mecanismo. "Ninguém é contra a cultura, mas a Lei Rouanet tem que ser revista", afirmou.

O estudo encomendado pelo MinC também avaliou quais áreas culturais geram maior impacto na economia. Patrimônio cultural (museus), artes cênicas e música aparecem nas primeiras posições. Veja, abaixo, a lista de setores e os respectivos volumes de recursos movimentados desde 1993.

Patrimônio cultural: R$ 12,1 bilhões
Artes cênicas: R$ 11,8 bilhões
Música: R$ 10,4 bilhões
Artes visuais: R$ 5 bilhões
Audiovisual: R$ 5 bilhões
Humanidades: R$ 5 bilhões

Como funciona a Lei Rouanet?

A Lei Rouanet é o principal mecanismo de incentivo à cultura do Brasil. Em 2017, o governo federal anunciou mudanças em sua aplicação para diminuir a burocracia e a concentração de recursos (entenda no vídeo acima).

Os projetos contemplados pelo sistema não são financiados com recursos públicos do Ministério da Cultura. Funciona assim:

- O governo federal, por meio do MinC, analisa os projetos para decidir quais poderão ser contemplados pela lei.
- Ao ter seu projeto aprovado pelo ministério, o produtor cultural sai em busca de patrocínio para obter os recursos.
- Pessoas físicas ou empresas podem decidir patrocinar o projeto. Em troca, elas recebem possibilidade de abatimento no Imposto de Renda de parte ou do total do valor aplicado.

Segundo o MinC, a renúncia fiscal do governo com a cultura, ou seja, o que ele deixa de receber de Imposto de Renda, equivale a 0,64% do total de incentivos concedidos em nível federal.

Publicado por Patricia Canetti às 7:06 PM


Lei Rouanet: o mínimo que você precisa saber para falar do assunto sem passar vergonha por Jan Niklas e Paula Autran, O Globo

Lei Rouanet: o mínimo que você precisa saber para falar do assunto sem passar vergonha

Matéria de Jan Niklas e Paula Autran originalmente publicada no jornal O Globo em 10 de dezembro de 2018.

Tema voltou a incendiar as redes após discurso de Fernanda Montenegro no Faustão

RIO — "Não somos corruptos". Com esse desabafo, a atriz Fernanda Montenegro fez uma defesa da arte e dos profissionais da cultura no Brasil, durante a entrega do prêmio Melhores do Ano do programa Domingão do Faustão, neste domingo. Ao ser homenageada com um troféu especial ao lado das atrizes Adriana Esteves e Marieta Severo, Fernandona discursou, emocionada, sobre os ataques que a classe artística vem recebendo na internet ("terra de ninguém", em suas palavras).

— Não somos ladrões diante da Lei Rouanet. Procurem os verdadeiros buracos corruptos deste país — afirmou a atriz, de 89 anos.

Rapidamente, as redes sociais viraram o costumeiro campo de batalha. "Tem que acabar com a mamata da Lei Rouanet" ou "Esse dinheiro usado para financiar artistas ricos deveria ir para saúde e educação" são algumas das frases feitas mais repetidas nas redes.

— São mentiras que vão sendo replicadas. As pessoas ficam repetindo isso. O desabafo da Fernanda veio bem a calhar para chamar a atenção para falácias como esta — diz o produtor cultural e jornalista cearense Henilton Menezes, que foi secretário de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) do Ministério da Cultura entre 2010 e 2013.

Mas, afinal, o que é verdade e o que é mentira? Veja a seguir um guia básico do mecanismo de incentivo à cultura, que há tempos se tornou a "Geni" das leis brasileiras. Para debater no social ou na rede social sem passar vergonha.

Para começo de conversa: o que é a lei?

A Lei de Incentivo à Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet, permite que cidadãos e empresas possam aplicar 6% e 4%, respectivamente, de seu Imposto de Renda em projetos culturais. Ou seja, caso uma empresa tenha que pagar R$ 1 milhão de imposto de renda, ela pode apoiar projetos via Lei Rouanet num valor de no máximo R$ 40 mil. Já uma pessoa física que tiver que pagar R$ 10mil de imposto de renda pode destinar até R$ 600 dele para projetos culturais.

A Lei Rouanet 'come' o dinheiro do país?

O percentual do incentivo à Cultura representa somente 0,66% da renúncia fiscal da União. A título de comparação, é bom saber que outros setores da economia têm muito mais incentivo. Confira alguns: Comércio e Serviços: 28,5%; Indústria: 11,89%; Saúde: 11,60%; Agricultura: 10,32%; Educação: 4,85%; Habitação: 4,45%. Repetindo: Cultura: 0,66%, dos quais 0,48 é destinado à Lei Rouanet.

Como funciona a captação do dinheiro?

Em primeiro lugar, o projeto precisa ser aprovado pelo Ministério da Cultura. Recebendo o sinal verde do órgão, o proponente pode começar a buscar por patrocinadores para o seu projeto. Ou seja, o dinheiro não sai diretamente dos cofres do Estado (como é muito repetido na internet), mas do imposto de quem deseja investir no projeto cultural. O governo apenas abre mão de receber aquela quantia via impostos para que o dinheiro seja aplicado em produções artísticas.

O prazo para conclusão da captação é de um ano, podendo ser estendido por até três anos. Ao final, a produção precisa enviar ao Ministério da Cultura documentos que comprovem os gastos e a execução do projeto.

Lei só beneficia artistas conhecidos?

Segundo Henilton Menezes — que é autor do livro "A Lei Rouanet Muito Além dos (F)Atos" — esta é uma das primeiras falácias ligadas ao incentivo.

— Até 2017, antes da crise, a lei ajudava a financiar cerca de três mil projetos por ano. Se você analisar a lista de beneficiados, verá que isso está longe de ser verdade — observa ele, acrescentando que a própria Fernanda Montenegro em alguns momentos usou a lei para projetos acessíveis a muitos brasileiros. — Uma coisa é ela montar um espetáculo num teatro da Gávea, no Rio. Outra é fazê-lo em Fortaleza. Sem incentivos fiscais, isso não seria possível.

Quem pode captar dinheiro através da Lei Rouanet?

Qualquer pessoa física ou empresa pode apresentar um projeto cultural para ser financiado via mecanismo de incentivo. Basta se cadastrar no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).

Lei Rouanet é 'coisa do PT'?

Não. O mecanismo federal de incentivo à cultura está em vigor desde 23 de dezembro de 1991. A lei foi criada pelo então ministro da Cultura, Sérgio Paulo Rouanet (por isso levou seu nome), e foi sancionada pelo presidente Fernando Collor de Mello.

Artistas como Chico Buarque mamam nas tetas da Lei Rouanet?

O cantor e compositor nunca se valeu do incentivo.

— Chico é um caso interessante — pondera Henilton Menezes. — Eu já paguei R$ 600 para ver um show dele em Belo Horizonte, cujos ingressos se esgotaram rapidamente. Mas ele tem uma obra que outras pessoas podem usar em seus projetos. E aí, se um produtor quer dar acesso às criações dele a mais pessoas, as leis de incentivo costumam ser o caminho.

Artistas 'sugam' impostos pagos pelo povo?

Quem decide se quer ou não destinar parte de seus impostos para a cultura (e onde quer investir isso) é o pagador do imposto (empresa ou pessoa física).

E a própria lei gera mais impostos.

— Há estudos que mostram que, para cada R$ 1 investido na lei, R$ 4 são recolhidos em impostos. Afinal, a Rouanet existe para incentivar um setor da economia que é a cultura. E um espetáculo gera um ciclo de investimentos, que envolve não apenas gastos com hotelaria e passagens aéreas, por exemplo, mas até o trabalho do pipoqueiro que fica na porta do teatro — diz Henilton Menezes.

Existe corrupção e roubalheira envolvendo a Lei Rouanet?

A imensa maioria dos projetos analisados passa sem restrições pela prestação de contas do MinC. Entre as exceções, porém, houve um caso recente que ganhou grande repercussão. No ano passado, o Ministério Público Federal denunciou 32 pessoas envolvidas no desvio de R$ 21 milhões em recursos. Os produtores captavam dinheiro de empresas para organizar eventos culturais. Mas usaram a verba para festas particulares. Entre as fraudes capitaneadas pela produtora Bellini Cultural houve até o pagamento de despesas do casamento em Florianópolis de um dos investigados.

Bolsonaro vai acabar com a Lei Rouanet?

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, declarou quando ainda era candidato que não pretende acabar com a lei, porém criticou o que considera uma má aplicação do mecanismo. Até o momento, ele apenas anunciou a extinção do Ministério da Cultura, que passará a compor a pasta do Ministério da Cidadania, reunindo também Desenvolvimento Social e Esporte. À frente do órgão estará o deputado federal do MDB Osmar Terra.

Para acabar com lei, o presidente eleito teria que se valer de uma medida provisória.

Publicado por Patricia Canetti às 6:57 PM


dezembro 10, 2018

Histórias afro-atlânticas é eleita a exposição do ano no New York Times

A seleção do ano dos críticos do New York Times - a mesma que projetou para o mundo o filme pernambucano O Som ao Redor, ao apontá-lo como um dos melhores de 2012 - traz Histórias afro-atlânticas como a melhor do ano.

A coletiva 'Histórias afro-atlânticas', carro-chefe do eixo temático de mesmo nome que pautou o ano no Masp, foi eleita pelo crítico Holland Cotter como a melhor mostra de 2018. Cotter é um dos três principais críticos de arte do jornal americano The New York Times, que divulgou nesta quarta-feira (05/12) a sua seleção dos melhores no mundo das artes neste ano. A exposição coletiva foi realizada pelo Masp em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, entre junho e novembro.

A exposição é recorde de público da atual gestão, que tem o curador Adriano Pedrosa como diretor artístico. Com 180.000 visitantes no museu, superou a de Toulouse-Lautrec, que teve 165.000 em 2017. No Tomie Ohtake, foram 138.000 visitantes.

1. ‘Histórias Afro-Atlânticas’ (‘Afro-Atlantic Histories’)

This immense exhibition, split between two Brazilian institutions, the São Paulo Museum of Art (known as MASP) and the Tomie Ohtake Foundation in the same city, was an eye-filling, mind-altering account of how a profound evil — slavery — revolutionized a hemisphere. The show closed just a week before Brazil elected Jair Bolsonaro, a right-wing populist, in the country’s most radical shift since the military dictatorship of decades ago. A second Ohtake Foundation show, organized by the young curator Paulo Miyada, documented that murderous earlier era and, in the charged postelection climate, felt like an act of courage.

Confira aqui a matéria completa.

Publicado por Patricia Canetti às 9:10 AM