Página inicial

Como atiçar a brasa

 


agosto 2019
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Pesquise em
Como atiçar a brasa:

Arquivos:
agosto 2019
julho 2019
junho 2019
maio 2019
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
janeiro 2012
dezembro 2011
novembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
março 2011
fevereiro 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
agosto 2010
julho 2010
junho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
fevereiro 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
julho 2004
junho 2004
maio 2004
As últimas:
 

agosto 11, 2019

Para José Olympio Pereira, Bienal não deve tomar lado, mas sim incentivar o diálogo por Marcos Grinspum Ferraz, Arte!Brasileiros

Para José Olympio Pereira, Bienal não deve tomar lado, mas sim incentivar o diálogo

Entrevista de Marcos Grinspum Ferraz originalmente publicada na revista Arte!Brasileiros em 7 de agosto de 2019.

Presidente da Fundação Bienal adota discurso conciliador, elogia o ministro Osmar Terra e o secretário de Cultura Henrique Pires e fala sobre o projeto de expandir a 34a edição da bienal pela cidade e ao longo do ano de 2020

É em torno das ideias de diálogo e convivência que o atual presidente da Fundação Bienal de São Paulo, o banqueiro e colecionador José Olympio da Veiga Pereira, pensa o projeto curatorial da 34a edição do evento paulistano, a ser realizada em 2020. Se o momento político brasileiro é conturbado e de “fervura alta”, inclusive no campo cultural, não é hora de incentivar maiores polarizações e confrontos, diz ele. “A gente tem que ser capaz de dialogar, mesmo que não concorde com a ideia do outro”.

Com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, a Bienal tem como proposta “abraçar a cidade”, se espalhando no tempo – ao longo de todo o ano com exposições e performances – e no espaço – incluindo diferentes instituições da capital para além do Pavilhão do Ibirapuera. Essa escolha, afirma Olympio, segue também a linha de reforçar relações, criar conversas e incentivar diálogos.

Ao contrário de grande parte das pessoas que trabalham hoje na área cultural – que propõem um discurso de resistência e combate –, ele prefere adotar um discurso conciliador. “Tomar lado é a antítese do que estamos propondo. O que a gente está propondo é que os diferentes lados tem que ser capazes de se relacionar”, afirma Olympio, que é também conselheiro do MAM-Rio, do MASP, do MoMA (Nova York), da Tate Modern (Londres) e da Fondation Cartier (Paris).

Além disso, ele ressalta que considera tanto o ministro da Cidadania de Bolsonaro, Osmar Terra, quanto seu secretário de Cultura, Henrique Pires, “pessoas competentes, sensíveis e bem intencionadas em seus trabalhos”. Afirma, ainda, que se de um lado o presidente dá declarações polêmicas, de outro o congresso deu um exemplo de capacidade de diálogo ao aprovar a reforma da Previdência.

Em entrevista à ARTE!Brasileiros realizada na sede do Credit Suisse Brasil, banco do qual é o atual presidente, José Olympio falou sobre estes e outros assuntos relativos à Bienal e ao contexto político. Leia abaixo a íntegra.

ARTE!Brasileiros – Como você avalia estes primeiros meses à frente da presidência da Fundação Bienal?
José Olympio da Veiga Pereira
– Eu estou há dez anos no conselho da Bienal, então não é que a Bienal seja uma novidade para mim. E há cerca de três anos eu já estava também presidindo um conselho consultivo internacional que nós formamos. Desde que assumi a presidência, acho que a coisa mais positiva foi me dar conta da qualidade dos profissionais que a gente têm. Conhecer mais a estrutura, os talentos e capacidades foi uma coisa muito boa. De fato temos um time muito competente, que veste a camisa, com muita experiência, o que é muito importante. Porque no nosso modelo de governança – temos um conselho de 60 membros, uma diretoria de dez membros, com mandato de dois anos renovável por mais dois – a função do presidente é limitada no tempo. O que garante a continuidade da instituição é o corpo de funcionários e de gestão que está lá, que mantém a memória e as capacitações, e acho que a gente está muito bem equipado nesse sentido.

No início do ano houve a escolha do Jacopo Crivelli Visconti como curador. Como foi esse processo e em que ponto anda o trabalho do time curatorial?
Sim, nesse período nós também avançamos com o projeto curatorial. Das propostas que eu recebi, que foram ótimas, se destacou a do Jacopo Crivelli, que convidou o Paulo Miyada como curador-adjunto e a Ruth Estévez, a Carla Zaccagnini e o Francesco Stocchi como curadores convidados. E nós criamos esse conceito de uma Bienal que abraça São Paulo, que se realiza não só no Pavilhão do Ibirapuera, mas numa rede de instituições culturais da cidade. Enfim, ao mesmo tempo estamos pensando sobre que outras missões a Fundação pode ter além da realização desta grande exposição a cada dois anos e das itinerâncias posteriores no Brasil e no exterior. E isso é uma coisa muito importante, essa promoção de arte global e brasileira entre um público brasileiro e global. Então acho que as coisas estão indo muito bem.

Existe a ideia de expandir a Bienal na cidade, com parcerias com outras instituições, mas também de expandir no tempo, com mostras que aconteçam ao longo do ano. Pode contar um pouco mais sobre isso?
Sim, são dois vetores. Então a Bienal vai começar em março, com três exposições individuais no primeiro semestre, de artistas que também estarão na mostra coletiva posteriormente. E nós teremos também no primeiro semestre três grandes performances apresentadas em momentos pontuais. E teremos também outros eventos ao longo do ano, educativos, debates, palestras etc.

E qual a ideia por trás dessas mudanças, dessa expansão? É parte de um desejo de expansão de público? Vem de uma percepção de que a Bienal ficava muito restrita a um período curto?
Eu acho que você tem toda a proposta curatorial que tem a ver com a poética das relações, a questão do ser humano ser capaz de se relacionar com alguém diferente dele. E eu acho que a formação dessa rede de instituições reforça a proposta curatorial, de criar diálogos. E a Bienal sempre foi um catalizador de atração de um público global e brasileiro que vem ver a exposição, o que faz com que todas as outras instituições culturais queiram caprichar na sua programação, fazer coisas especiais durante o período. Então por que não fazer isso em diálogo? Então vamos realmente oferecer ao grande público uma coisa muito interessante. Por exemplo, você pode ver na exposição coletiva da Bienal um artista que te interesse especialmente, e aí você tem a oportunidade de conhecer a produção dele mais profundamente em uma individual em outro museu. E aí perceber como é este artista visto individualmente ou como ele é visto em relação a outros artistas. E acho importante, para cumprir a nossa missão de promoção de arte, fazer uma coisa que tem impacto, oferecer um produto ao público que tenha interesse, que seja algo diferente. Nossa meta é transformar São Paulo em uma capital das artes plásticas, visuais, de setembro a dezembro do ano que vem. Fazer com que todo mundo que se interessa por arte sinta vontade de vir à São Paulo nesse período.

Uma das coisas que você propôs desde que assumiu tem a ver com um trabalho de criação de ferramentas voltadas à preservação da memória das artes, ampliando o papel, por exemplo do arquivo histórico da fundação, o Wanda Svevo. Poderia contar um pouco sobre isso?
Sim, isso está em formulação, mas é um projeto de mais longo prazo. A ideia é dar à Bienal uma missão institucional de ser um grande centro de memória de arte. Focado como um centro de estudos, de memória. O arquivo histórico Wanda Svevo já serve a um número grande de pesquisadores, mas acho que isso pode ser muito expandido. E estamos pensando como fazer isso.

Falou-se também num fortalecimento das relações da Bienal com a vida cultural no exterior, até pelo seu bom relacionamento com tantas instituições internacionais. Concretamente, o que isso significa?
A Bienal é a mais internacional das nossas instituições culturais. Ela promove este intercâmbio entre a arte global e a brasileira desde o início – inclusive, antigamente havia até representações internacionais. E eu acho que a gente tinha perdido um pouco esse contato. Então desde 2016 a gente começa, através da criação deste conselho consultivo internacional, a se reconectar ao mundo global das artes. Hoje já temos 11 membros neste conselho, gente da França, da Inglaterra, da Holanda, dos EUA, Argentina, Alemanha etc. Porque a gente quer a ajuda dessa rede para promover a Bienal, para conseguir acessar artistas que eventualmente a gente queira trazer, buscar obras importantes. Porque nós somos essa instituição global. E a nossa Bienal, embora muito tradicional e antiga, perdeu parte de sua relevância com o tempo por conta inclusive da infinidade de bienais que foram criadas ao redor do mundo. E o que a gente quer é afirmar a nossa importância, disputar o nosso espaço de luz ao sol neste mundo superpovoado de bienais.

Quando foram apresentadas as primeiras linhas do projeto curatorial, tanto o senhor quanto o curador falaram da importância de não alimentar polarizações neste momento político conturbado, de incentivar a capacidade de dialogar e conviver. Passados cerca de três meses, com os acontecimentos políticos recentes, com as políticas e declarações polêmicas do presidente, como você enxerga essa questão?
Acho que só reforçou o que a gente quer enfatizar. E acho que essa não é uma questão brasileira, mas é global. Quando você olha o que está acontecendo nos EUA, na Europa – com o Brexit, ou na França, na Itália –, a gente está infelizmente em um momento de polarização, de intransigência com a ideia do outro. E o que a gente quer buscar é dizer que, apesar disso tudo, a gente tem esperança. A gente tem que ser capaz de dialogar, mesmo que não concorde com a ideia do outro. É curioso, porque a gente vê ao mesmo tempo, aqui no Brasil, dois exemplos: de um lado as declarações do presidente, mas de outro um congresso que se uniu e aprovou a reforma da Previdência, com 379 votos, unindo partidos das mais diferentes colorações. Então há uma esperança.

A aprovação da Previdência é para você um exemplo da capacidade de união?
É uma capacidade de diálogo. Não é porque a ideia é do outro que ela é ruim. Temos que pensar no país, temos que ter esse diálogo.

Agora, pensando a Bienal como este evento que trabalha com arte, experimentação e criação – um espaço muitas vezes de radicalidade –, é possível neste contexto se furtar de tomar posição, tomar lado?
Tomar lado é a antítese do que estamos propondo. O que a gente está propondo é que os diferentes lados tem que ser capazes de se relacionar. E no fundo, o que a gente quer mostrar é que o lado que a gente está tomando é o lado de que o diálogo tem que acontecer. De que a polaridade não leva a lugar nenhum. Essa é a nossa posição com a proposta curatorial.

Enquanto presidente da Bienal, você lida diretamente com as áreas de cultura e educação. De modo geral, são duas áreas que parecem bastante ameaçadas pelo atual governo, seja na mudança na Rouanet, na Ancine, nas propostas de corte ao sistema S, nos cortes de verbas nas universidades…. Você não enxerga um discurso violento contra essas áreas? Não vê riscos com as novas políticas?
Olha, eu acho que ninguém discute que a educação é fundamental para o desenvolvimento do nosso país. Isso para mim está claríssimo. Você pode debater a efetividade ou não dos nossos esforços na educação, mas a importância da educação é inquestionável. Não vejo ninguém questionar isso. E acho que na cultura a gente tem um defensor, que é o ministro da Cidadania Osmar Terra. Vejo pela própria maneira como ele lidou com a Lei Rouanet. Havia muito medo do que poderia ser feito e acho que a solução final proposta por ele foi uma solução ok. E acho que tanto ele quanto o secretário de Cultura Henrique Pires entendem a importância da cultura e a importância de instituições culturais como a nossa, que foram absolutamente preservadas com a mudança na Lei de Incentivo à Cultura. Então eu acho que tem muito barulho, mas ameaças concretas eu não vejo, ao menos olhando do ponto de vista de entidades culturais como a Bienal e museus. Não quero entrar na seara de produtores culturais ou cinema etc., que aí é outro campo. No campo onde eu milito e participo eu acho que a solução que foi dada está ok.

E quanto aos artistas, você não percebe um clima de apreensão? As pessoas não estão assustadas?
Existe sim. Veja bem, está todo mundo assustado. Existe medo. Eu só espero que com o tempo essa poeira, essa temperatura, abaixe. Mas, sem dúvidas, a gente está vivendo um momento de fervura alta.

Vou insistir um pouco nessas questões políticas, que me parecem muito relevantes neste momento. Em entrevista recente você disse que achava que a cultura poderia ser valorizada independentemente de estar debaixo de um ministério ou de uma secretaria, que o fim do Minc não era um problema em si. Olhando agora, você acha que a cultura está sendo valorizada?
Acho que tem muito ruído em torno da cultura. Não tanto nas artes plásticas, não nas instituições culturais, mas em outras áreas, como na discussão em torno da Ancine. Enfim, espero que isso seja melhor endereçado. Mas continuo com a minha visão de que a gente não necessariamente precisa de um ministério para valorizar a cultura. Você pode ter um ministério e mesmo assim a cultura ser desvalorizada, porque o ministério não tem orçamento, não tem foco – como já aconteceu –, aí não adianta. Eu só acho importante deixar o registro de que eu considero tanto o ministro Osmar Terra quanto o secretário Henrique Pires pessoas competentes, sensíveis e bem intencionadas em seus trabalhos.

Por fim, eu queria saber sua avaliação sobre a participação brasileira na 58a Bienal de Veneza, com o trabalho de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, e na perspectiva em relação à participação brasileira na 17a Bienal de Arquitetura, em 2020, ambas ligadas à Fundação Bienal.
Acho que já na gestão anterior nós fizemos um gol com a participação da Cinthia Marcelle. Foi a primeira vez que o Brasil ganhou uma menção honrosa com o seu pavilhão, o que é uma coisa extraordinária. A escolha agora da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, com a obra Swinguerra, também foi extremamente feliz. Eu fui à abertura e pude constatar o sucesso do pavilhão mesmo antes de toda a imprensa europeia dar o pavilhão brasileiro como um dos dez melhores. Foi um baita sucesso, impecavelmente realizado, deu orgulho da nossa sala e das soluções técnicas encontradas. Acho também que a diretriz de ter um artista só é a mais adequada, tem mais força. E agora vamos apresentar o Swinguerra na Bienal, para o público brasileiro, essa obra que é absolutamente sedutora e hipnotizante.

E sobre a Bienal de Arquitetura…
Temos planos igualmente ambiciosos para a nossa representação na Bienal de Arquitetura de Veneza. Já está endereçado, mas vamos revelar em breve.

Publicado por Patricia Canetti às 1:04 PM


Novo site da Revista Tatuí

Tatuí foi uma revista de crítica de arte editada entre 2006 e 2015 a partir de Recife, Pernambuco. Ao longo de seus 14 números, foram publicados quase 200 textos e outras formas de pensamento crítico, reunindo dezenas de autoras e autores. Entre edições temáticas e imersivas – processos editoriais surgidos na convivência e trabalho coletivo protagonizado por agentes diversos das artes visuais (artistas, críticas/os, historiadoras/es, escritoras/es, pesquisadoras/es etc) convidadas/os a compor o corpo editorial e autoral dos números 1, 3, 00, 10 e 13 –, à Tatuí interessou promover um debate crítico público, denso e experimental.

Você pode conhecer, acessar e fazer o download da história da Revista Tatuí: edições, residências, oficinas, memórias, fotos, videos e reflexões críticas estão reunidas e online no novo site!

EQUIPE
Ana Luísa Lima - edição
Clarissa Diniz - edição
Daniela Brilhante - design gráfico
Bebel Kastrup - produção executiva
Virginia Correia - assistente de produção

COLABORADORES
Afonso Luz Alê Carvalho Alexandre de Oliveira Henz Ali Khodr Ana Bastos Ana Lira Ana Luisa Lima Angela Prysthon Artur Barrio Aslan Cabral Barbara Rodrigues Beatriz Lemos Beco da Arte Bianca Tomaselli Bruno Monteiro Camila Mello Carlos Heitor Barros Claire Bishop Clarissa Diniz Claudia Washington Coletivo Mergulho Cristhiano Aguiar Cristiana Cavalcanti Cristiana Tejo Cristiano Lenhardt Dally Schwarz Daniela Castro Daniela Labra Dellani Lima Demetrios Gomes Galvão Deyson Gilbert Eduardo Frota Fabiana Éboli Santos Fabrícia Jordão e Sicilia Freitas Felipe Scovino Fernanda Albuquerque Flavia Vivacqua Francis Vogner Francisco Alembert Gabriela Motta Gentil Porto Filho Gilberto Mariotti Grupo Gia Gustavo Motta Guy Amado Isabela Prado Jesus Vázquez Jonathas de Andrade Jorge Mena Barreto Jorge Soledar José Rufino Kadma Rodrigues Kiki Mazzucchelli Laymert Garcia dos Santos Lígia Nobre Lisette Lagnado Lourival Batista Lucas Bambozzi Lúcio de Araújo Ludmila Britto Luisa Duarte Luiz Pretti Luiz Pretti Lacerda Jr Maicyra Leão Manoel Veiga Manuel Segade Manuela Eichner Márcio Almeida Marcio Harum Marcio Shimabukuro Marcus Vinícius Maria do Carmo Nino Mariana Smith Mariângela Ribeiro Maurício Silva Max Hinderer Mayra Redin Micheline Torres Miguel Chaia Moacir dos Anjos Newton Goto Nicole Cosh Olívia Mindêlo Oriana Duarte Pablo Lobato Paulo Almeida Paulo Marcondes Soares Paulo Reis Paulo Whitaker Pedro Marighella Rafael Campos Rocha Raíza Cavalcanti Renata Nóbrega Ricardo Basbaum Ricardo Resende Roberto Winter Rodrigo Braga Ronaldo Brito Sérgio B. Martins Silvia Paes Barreto Simone Cruz Sofie Van Loo Tatuí Thaís Rivitti Tiago Mata Machado Tiago Santinho Vitor Cesar Yann Beauvais Yuri Firmeza Zeca Viana

Publicado por Patricia Canetti às 12:57 PM


julho 28, 2019

Marepe constrói painel nostálgico sobre a Bahia em sua primeira retrospectiva por Clara Balbi, Folha de S. Paulo

Marepe constrói painel nostálgico sobre a Bahia em sua primeira retrospectiva

Matéria de Clara Balbi originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 25 de julho de 2019.

Conhecido como o Duchamp baiano, ele reúne 30 obras que combinam humor e crítica social

“É uma situação bem desrespeitosa, não é? Cada um tem seu nome. Um é baiano, outro é maranhense”, comenta Marcos Reis Peixoto, o Marepe, quando questionado sobre um episódio recente em que o presidente Jair Bolsonaro usou o termo racista “paraíbas” para se referir a nordestinos.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, lugar onde vive até hoje e do qual sua obra plástica é indissociável, o artista faz sua primeira retrospectiva agora na Pina Estação.

Organizada por Pedro Nery, a exposição reúne cerca de 30 trabalhos pinçados da carreira do “Duchamp baiano” —alcunha que, recebida da curadora Lisette Lagnado nos anos 1990, permanece viva ainda hoje. Afinal, a prática de tirar objetos de seu contexto original com a qual o francês Marcel Duchamp revolucionou a história da arte no século 20 marca grande parte da produção do artista.

Ela já estava presente, por exemplo, em “Tudo no Mesmo Lugar pelo Menor Preço”, trabalho que mostrou na Bienal de São Paulo em 2006. Um muro pintado à mão retirado de sua cidade natal e reproduzido, intacto, no pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, ele é ao mesmo tempo símbolo de um Brasil arcaico e um pedaço de memória afetiva, uma vez que pai e avô do artista trabalharam na loja que o paredão anuncia.

O apelido ainda vale nas instalações, esculturas, fotografias e desenhos que Marepe agora traz ao museu. Como em “Os Filtros”, instalação formada por filtros de barro expostos sobre bancos de madeira, ou as pilhas de desempenadeiras de “Desempoladeira”, ou ainda os guarda-chuvas pendurados que compõem “O Cânone”.

Mesmo reconhecendo a influência de Duchamp sobre a sua trajetória, Marepe não gosta de rotular suas criações como “ready-mades”, nome dado pelo francês aos objetos produzidos em massa que ganhavam status de obra de arte quando expostos nos museus e galerias. Prefere chamar as peças de “nécessaires”.

“É uma homenagem ao Duchamp, que era francês, mas também é uma palavra muito nossa. E ela fala do que é necessário. No meu trabalho, uso objetos úteis no dia a dia”, explica Marepe.

“Não está tão ‘ready’ assim. Tem muito ‘made’”, diz Nery. O curador ressalta que, enquanto Duchamp trabalhava com o deslocamento puro, no caso de Marepe muitas das peças são feitas à mão, encomendadas a artesãos locais.

O caminhão de madeira de “A Mudança”, espécie de brinquedo de criança agigantado, por exemplo, é obra de um marceneiro contratado, assim como o armário modular de “Embutido Recôncavo”, dois trabalhos sobre o êxodo do campo para a cidade.

Esse embate entre artesanal e industrial, aliás, contamina a obra do artista, em trabalhos que mesclam crítica social e ironia em doses equivalentes. “Nenhum trabalho dele é direto”, analisa Nery, destacando as brincadeiras de forma e título características de Marepe.

“Satélite Baldio”, por exemplo, transforma quase 200 baldes de plástico num corpo celeste com as cores da bandeira nacional. “Metamorfose” enfileira 15 bacias de metal, formando um casulo prateado. Carretéis de costura desenrolados pintam o chão de um degradê de tons de azul em “Chorinho”.

O artista diz ver essa modernidade se apoderar aos poucos da cidade natal —mesmo os letreiros escritos à mão que abundavam em Santo Antônio na época de “Tudo no Mesmo Lugar pelo Mesmo Preço” foram praticamente extintos, substituídos por plotagens.

Mas ele não acha que as mudanças tenham afetado tanto as suas criações. “Tenho essa nostalgia ainda, viajo mais para o passado. Estou sempre com um pé por lá.”

O saudosismo, como qualifica Nery, aparece mais claramente em referências à infância e à sua família.

São obras como as “Camas de Vento”, macas acrescidas de asas de borboleta, “Palmeira Doce”, performance na qual o artista pendurou algodões-doces em troncos de árvores, e “Retrato de Bubu”, uma enorme pintura de nanquim que reproduz uma fotografia de seu avô. A última foi pendurada por Marepe ao lado do retrato de Georges Pompidou no museu de mesmo nome, em Paris, em 2005, quando o artista inaugurou uma mostra naquele museu.

“Periquitos” é uma de suas criações mais representativas nesse sentido. Um enorme televisor de mentirinha reproduz uma prática, comum nos anos 1960, de colar tiras de papel celofane sobre a tela para tornar a imagem colorida. Em seu interior, retratos de Marepe criança, fantasiado de periquito, se movem para cima e para baixo.

Ao responder como observa a evolução de sua carreira desde que começou, há mais de 20 anos, Marepe afirma que seus trabalhos ganharam camadas mais sutis, delicadas.

Uma mudança e tanto para um artista que, questionado pelo jornal Correio da Bahia sobre qual era o tema de seu trabalho em 2003, disparou: “Meu trabalho é todo ligado à pobreza”.

“Marepe: Estranhamente Comum” é mais uma mostra a abordar uma produção que floresceu no Nordeste neste ano em São Paulo. Além dela, estão em cartaz “Vaivém”, que chega ao fim no CCBB na semana que vem, À Nordeste, em cartaz no Sesc 24 de Maio, e a 36ª edição do Panorama do MAM, que, com o tema sertão, tem abertura marcada para o dia 17 de agosto.

O curador Pedro Nery recusa, no entanto, o rótulo de “regionalista” quando se trata do trabalho do baiano.

“Quer dizer que se um artista fizer uma obra sobre a avenida Paulista ela vai ser regionalista? O regionalismo está no olhar do outro”, afirma. “O que o Marepe faz é trazer a experiência dele para a produção.”

Marepe: estranhamente comum
Pina Estação - lgo. Gal. Osório, 66, 4º andar. Qua. a seg., 10h às 17h30. Abertura sáb. (27), às 11h. Até 28/10. Grátis.

Publicado por Patricia Canetti às 10:53 AM


julho 21, 2019

À Nordeste traz as diferenças entre posição e identidade | Exposição, Metrópolis

À Nordeste traz as diferenças entre posição e identidade | Exposição, Metrópolis

Partindo da pergunta 'À Nordeste de quê', a mostra 'À Nordeste' apresenta mais de 250 obras, desde Portinari até o mundo dos memes das redes sociais. Isso para pensar na ideia do nordeste como posição e não como identidade.


Exposição "À Nordeste" mostra o mundo visto a partir dos nordestinos, tvbrasil

Uma exposição no Sesc 24 de maio em São Paulo reúne 160 artistas que estimulam uma reflexão sobre o Nordeste e o "estar à Nordeste", confira!

Leia também:
Mostras atacam estereótipo do Nordeste como terra preguiçosa por Clara Balbi, Folha de S. Paulo
Uma Curadoria por Aracy Amaral, Arte!Brasileiros
Uma Crítica por Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos, Arte!Brasileiros
Um Nordeste para além de registros identitários por Bárbara Buril, Continente
Apesar de montagem confusa, “À Nordeste” aponta para questões urgentes por Tadeu Chiarelli, Arte!Brasileiros
À Nordeste no Sesc 24 de maio propõe outra História da Arte por Giselle Beiguelman, Rádio USP
Muvuca por Yuri Firmeza, Arte!Brasileiros

Publicado por Patricia Canetti às 6:35 PM


Muvuca por Yuri Firmeza, Arte!Brasileiros

Muvuca

Texto de Yuri Firmeza originalmente publicado na revista Arte!Brasileiros em 19 de julho de 2019.

Artista escreve sobre À Nordeste na Sala de Debate, coluna colaborativa da ARTE!Brasileiros

1.
Enosiofobia é o termo científico que se dá a quem tem medo de ter cometido uma crítica imperdoável. Parte da crítica brasileira parece ter sido acometida, de maneira epidêmica, por esta fobia. E por isso, na contramão, tanto me alegra ler o texto escrito por Bitú Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos. Se, por um lado, o texto é endereçado para outro texto, escrito por Aracy Amaral, não é menos verdade que o texto convoca, numa dimensão política-clínica, ao debate público acerca da “história oficial” da arte brasileira.

2.
Dizem que no carnaval de Olinda estamos sempre no meio. Não tem começo e nem fim e tem “gente” em demasia. Gente em demasia pode gerar epidemia, fujamos das multidões.

3.
Prefiro pensar que corpo demais pode gerar uma alegria indomável. Tem muita gente, mergulhemos na muvuca.

4.
Parte da crítica brasileira parece não gostar de carnaval, pois que o corpo – e de maneira contígua, a escrita – foram produzidos sob a égide da razão moderna e eurocêntrica.

5.
O texto de Tadeu Chiarelli publicado na revista ArteBrasileirXs (e o “X” não se trata apenas de uma implicância com a língua, como ele aponta de maneira simplista no texto) começa descrevendo um ambiente saturado, cheio, entre outras coisas, de gente. Procura um início, pior seria procurar se “nortear”. Parece-me que o esforço encontrado para iniciar a visita à exposição, corresponde ao esforço, a “sofrência” e o melindre a escrever tal crítica.

6.
Pierre Menard, personagem de Jorge Luis Borges, copia letra por letra, palavra por palavra, linha por linha… de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. O texto de Chiarelli parece almejar o mesmo, copiar letra por letra, palavra por palavra, linha por linha… do texto da Aracy Amaral. Não o faz tão diretamente. Acometido estaria pela epidemia enosiofóbica?

7.
Alguém dirá: estamos vivendo o furor Nordeste nas artes visuais, mas é preciso pensar o Brasil como um todo. Esta frase provavelmente será enunciada por este corpo descrito no bloco 4 deste texto. A cegueira historiográfica brasileira não é uma abstração. É constituída, antes, por agentes que têm respaldos e privilégios para inserir-excluir personagens de suas narrativas.

8.
Ainda na esteira do texto do Chiarelli, lemos que a exposição está repleta de obras que pensam o Brasil como um todo. Seria esta frase uma espécie de mea culpa do sulicídio (com L mesmo) operado sistematicamente à toda produção de pensamento fora daquilo que convencionamos chamar (cada vez menos, e essa exposição aponta para isto) de eixo? Pensar o Nordeste seria restritivo demais, vamos combinar, diz ele. De fato, seria. Mas esta exposição-ocupação passa longe de cair neste lugar do ensimesmamento. Ao contrário, e de forma reiterada, boa parte das exposições em São Paulo, feitas por paulistas, em instituições supostamente brasileiras, por exemplo, estão longe de sair deste lugar.

9.
Talvez o que falte é a tal liberdade (tão clamada e tão pouco praticada como forma de vida) em correr riscos. E sobra, quiça, o receio da perda de privilégios historicamente construídos, quando uma suposta ameaça se encontra num meio (múltiplo e que não é, portanto, O Centro).

Yuri Firmeza é artista e professor

À Nordeste, Sesc 24 de Maio, São Paulo, SP - 16/05/2019 a 25/08/2019

Também leia, assista e ouça:
Mostras atacam estereótipo do Nordeste como terra preguiçosa por Clara Balbi, Folha de S. Paulo
Uma Curadoria por Aracy Amaral, Arte!Brasileiros
Uma Crítica por Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos, Arte!Brasileiros
Um Nordeste para além de registros identitários por Bárbara Buril, Continente
Apesar de montagem confusa, “À Nordeste” aponta para questões urgentes por Tadeu Chiarelli, Arte!Brasileiros
À Nordeste no Sesc 24 de maio propõe outra História da Arte por Giselle Beiguelman, Rádio USP
À Nordeste traz as diferenças entre posição e identidade | Exposição, Metrópolis

Publicado por Patricia Canetti às 6:26 PM