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Como atiçar a brasa

 


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fevereiro 11, 2020

Fernanda Gomes: rigor e dispersão por Leandro Muniz, seLecT

Fernanda Gomes: rigor e dispersão

Crítica por Leandro Muniz originalmente publicada na revista seLecT em 10 de janeiro de 2020.

Exposição da artista na Pinacoteca reúne obras de mais de quatro décadas apresentadas em um embaralhamento entre presente e passado

Fernanda Gomes produz objetos com uma paleta em que predominam os tons de branco e o cru da madeira. Ela recolhe materiais do seu cotidiano ou nas caçambas do entorno de seu apartamento, que organiza em composições simples, a partir de procedimentos como empilhar, colar e suspender. Outros objetos são projetados, como duas colheres presas pelas hastes, que parecem ter sido encontradas no lixo, embora sejam feitas de prata. O rigor na construção de cada uma das peças guarda uma abertura para arranjos provisórios e decisões rápidas, que resultam em uma obra eminentemente processual, já que vida cotidiana e arte, exposição e experimentação não se distinguem. Não há hierarquia entre meios e fins.

Sua individual na Pinacoteca de São Paulo leva adiante essa dinâmica, sendo o resultado de mais uma série de interações entre a artista, as obras e as especificidades do espaço ao longo de três semanas de montagem, como um ateliê temporário. A exposição reúne peças realizadas ao longo de mais de quatro décadas, mas seria um paradoxo chamar de retrospectiva um projeto no qual o tempo cronológico não existe, embaralhado continuamente. Os trabalhos não estão identificados com legendas e vários, na verdade, nunca haviam sido mostrados.

No texto do catálogo, o curador José Augusto Ribeiro analisa a inserção de Fernanda no circuito internacional da arte nos anos 1980, em meio a uma série de expectativas de “brasilidade” que o debate multiculturalista num incipiente sistema globalizado criava. Para o curador, a obra de Fernanda não responde a esses clichês ou a uma genealogia imediata da arte brasileira. Ainda que marcada por signos de classe – os resíduos da obra são ligados ao universo burguês, a uma vida de classe média, como os restos dos tacos dos apartamentos de Copacabana, rolhas de vinho ou páginas de livros em francês – há um sujeito anônimo e reflexivo que permeia os trabalhos.

Os paralelepípedos e quadriláteros pintados de branco ou feitos de madeira crua rebatem na própria arquitetura da instituição, gerando múltiplas narrativas e discussões em cada uma dessas pequenas mônadas e na posição reflexiva que assumem sobre o próprio espaço em que estão localizadas. O chão de madeira da Pinacoteca e os recortes de uma sala para a outra parecem o espaço ideal para a apresentação de um trabalho com essa natureza. Nas salas do meio uma concentração maior de objetos nos faz ver os diversos quadros estabelecidos pelas passagens de um lugar a outro. Não como uma mera crítica ao “cubo branco”, mas como uma ampliação da percepção daquele espaço, que passa-se a ver como não neutro, na medida em que as falhas das paredes, as variações tonais e as mudanças de luz são temas centrais do trabalho.

A concentração no centro também leva a pensar numa organização do espaço como círculos concêntricos, nos quais vemos o que enquadra o nosso olhar. Um espaço dentro do espaço. Essa reflexão sobre o local e suas relações internas, longe de gerar uma aridez tautológica, faz pensar sobre a lógica de museus e da própria arte, suas convenções e histórias, que ora são reiteradas – como nos plintos empilhados, nas embalagens de obras ou nas caixas de acrílico – ora desconstruídas, quando embaralha-se o que é pessoal e coletivo, íntimo e público.

Na obra de Gomes, há um sentido de educação estética, na medida em que as variações dos tantos brancos, das tantas cores ditas cruas, ou dos elementos do espaço que muitas vezes passam despercebidos tornam-se protagonistas, como as luzes e suas variações, os cantos ou os espaços de passagem. Uma pilha de moedas num canto do rodapé ou uma trama de fio dental suspensa em um ponto da sala, modificam o espaço e chamam nossa atenção sobre ele na mesma medida que mesas de formatos irregulares, ainda que geométricas, ou uma sala de paredes falsas construída para um corpo só. O que poderia ser monótono, no entanto, é marcado por dinâmicas e uma série de momentos inesperados.

Não há limites claros entre o que é ou não trabalho, tanto na exposição, quanto na gênese dos objetos individualmente. Se em um instante, sob determinada luz, a certa distância, um arranjo de restos de madeira parece incrivelmente potente, no fim da exposição ele pode ser descartado ou simplesmente reproduzido depois.

Este pensamento que indistingue processo e resultado e não cria hierarquias entre dentro e fora, também é reproduzido no catálogo da mostra. Desenhado pela própria artista, ele replica o modus operandi de Gomes, misturando fotos do ateliê, cor e preto e branco, passagens entre páginas vazias, imagens de trabalhos isolados e registros de exposições diversas, para além da representação bidimensional – impossível – da experiência no espaço da Pinacoteca.

Uma noção de prática, mais do que de produção, permeia os espaços criados por Gomes, nos quais o tempo parece mais alargado, mais poroso e ramificado. A suposta dispersão do conjunto guarda extremo rigor na articulação interna de cada peça e sua relação com o entorno. Isso não significa mudez, um espaço fora da sociabilidade e da comunicação, ou mesmo uma aparente recusa de temas sociais urgentes. Esses objetos não respondem às urgências da vida social e política para nos colocar imersos em uma experiência de presença física e mental radicais.

Serviço
Fernanda Gomes
Até 24/2/2020
Pinacoteca
Praça da Luz, 2
pinacoteca.org.br

Publicado por Patricia Canetti às 6:08 AM


Retrospectiva leva 50 obras de Fernanda Gomes à Pinacoteca de SP por Maria Hirszman, Arte!Brasileiros

Retrospectiva leva 50 obras de Fernanda Gomes à Pinacoteca de SP

Crítica de Maria Hirszman originalmente publicada na revista Arte!Brasileiros em 30 de novembro de 2019.

O trabalho de Fernanda Gomes possui a curiosa característica de não submeter-se à lógica do excesso da imagem

As sete salas climatizadas da Pinacoteca do Estado, usualmente reservadas para mostras de caráter histórico, transformaram-se nas últimas três semanas em um espaço experimental potente, tomado em seu conjunto por uma série de intervenções da artista carioca Fernanda Gomes. O resultado é uma exposição que aponta simultaneamente para o passado e para o futuro: ao mesmo que resume uma trajetória bem-sucedida que se estende por mais de três décadas, aponta também para a persistência e radicalização de um caminho ousado, de investigação dos limites da ação artística, de incorporação e subversão de elementos e procedimentos mais próximos da vida cotidiana do que do universo hermético da arte. “A arte existe antes que se possa nomear arte”, defende ela.

Assemelhando-se a um quebra-cabeças composto por diferentes peças reunidas ao longo do tempo (o trabalho mais antigo data de 1973, quando Fernanda tinha apenas 12 anos) que se articulam por meio de um pensamento semelhante, a exposição desafia o olhar do público. E o incita a descobrir relações pouco prováveis, diferenças sutis, conexões raras entre elementos na maioria das vezes banais.

Algumas características são marcantes em sua produção: a escala, normalmente diminuta ou reduzida a um tamanho confortável, íntimo; o uso exclusivo do branco, em suas mais variadas tonalidades, e das cores naturais da madeira; a reapropriação e reconfiguração de elementos de descarte; uma tendência quase obsessiva de procurar configurações geométricas, equilíbrios instáveis ou associações improváveis entre esses componentes; e uma tendência permanente ao enxugamento, à redução, a um tipo de articulação que valoriza o que há de mais singelo nas coisas. Há uma economia, uma resistência do precário e do sintético, em todos os sentidos.

A combinação desses elementos – ao qual se soma uma dose de bom humor e um meticuloso trabalho com a luz – acaba por abrir novos caminhos de pensamento visual, que assusta aquele espectador que procura uma chave racional para a compreensão do que têm diante dos olhos, ao mesmo tempo que fascina o público infantil. “Ficamos reféns da palavra como possibilidade de expressão”, explica ela. Além de resistir a uma exigência de uma lógica discursiva (não à toa nem o conjunto da exposição nem as obras individuais têm títulos), o trabalho de Fernanda Gomes possui a curiosa característica de não submeter-se à lógica do excesso da imagem, que parece dominar a produção contemporânea. Fotografá-lo é tarefa difícil para a própria autora, demonstrando a importância da relação direta entre público e obra.

Fernanda Gomes, Pinacoteca de São Paulo - 01/12/2019 a 24/02/2020

Publicado por Patricia Canetti às 6:00 AM


Sem identificar obras, artista propõe retrospectiva diferente na Pinacoteca por Clara Balbi, Folha de S. Paulo

Sem identificar obras, artista propõe retrospectiva diferente na Pinacoteca

Matéria de Clara Balbi originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 29 de novembro de 2019.

Fernanda Gomes revê 30 anos de produção que quer ensinar pessoas a ver

Apesar de integrar um programa da Pinacoteca dedicado a nomes que expandiram o conceito de escultura —uma seleção que foi dos seres maleáveis e teias de crochê de Ernesto Neto a Marepe—, é difícil classificar dessa forma os trabalhos que Fernanda Gomes exibe no museu agora.

Suas peças têm um caráter instalativo e se relacionam de maneira íntima com o espaço que ocupam e entre si.

Também parece estranho chamar o conjunto que se estende por sete salas do museu de retrospectiva.

Apesar de reunir obras dos 30 anos de carreira da carioca —uma monotipia que ela fez em 1973, aos 12 anos, se infiltra entre elas—, elas não têm plaquinhas de identificação ou títulos, uma prática que Gomes adota desde o início de sua trajetória.

O que vemos no museu são, assim, conjuntos de obras fragmentárias, peças que são ora objetos garimpados (bancos, louças, pedras), ora "assemblages" delicadas, sempre em tons de branco e da madeira natural de que são feitas.

Amontoados no centro do grande corredor que corresponde ao espaço expositivo, os itens se tornam cada vez mais rarefeitos à medida que se caminha em direção aos cantos.

Muitos deles foram produzidos ao longo dos 21 dias em que a artista se instalou no museu, sobre cavaletes que devem continuar numa sala mesmo depois da abertura.

Uma rebeldia sutil que pode ajudar a entender sua obra.

Contemporânea da chamada Geração 80, de artistas que, como Beatriz Milhazes, Daniel Senise e Leda Catunda, retomaram uma pintura gestual, expressiva, depois do reinado da arte conceitual, a carioca diz se sentir mais próxima da linguagem das décadas anteriores, de Artur Barrio e de Cildo Meireles.

Sua produção vai na contramão de espetacularização e excesso. Caminha em direção a uma economia de gestos e de materiais que o crítico Paulo Venâncio definiu como "design às avessas", uma recusa ao mesmo tempo do consumismo e do apelo pop.

Isso, aliado ao caráter conceitual do trabalho, pode ajudar a explicar a circulação limitada de Gomes no Brasil.

Embora tenha participado de mostras importantes aqui e lá fora, entre elas a Bienal de Veneza, e tenha sido tema de publicações como Art News e Artforum, ela diz expôr pouco fora do Rio de Janeiro, onde mora, e São Paulo, local da galeria que a representa, a Luisa Strina. Nos últimos anos, sua obra tem circulado sobretudo na Europa.

"Meus interesses estão cada vez mais anacrônicos", diz. "Hoje as pessoas veem o que querem ver, e não o que estão vendo. Se há uma tomada numa sala de exposição, fingem não vê-la. Eu não consigo."

Se transformar essa percepção não é exatamente um objetivo de Gomes no ateliê —"no pico da criação, você não pensa em nada", diz— sua obra convida os visitantes a explorarem os cantos, descobrirem variações de luz, traçarem relações.

"Tudo é exercício. Se nos dedicarmos a ver, vemos melhor."

Fernanda Gomes, Pinacoteca de São Paulo - 01/12/2019 a 24/02/2020

Publicado por Patricia Canetti às 5:51 AM


Fernanda Gomes abre ateliê e conta detalhes da retrospectiva na Pinacoteca por Ana Luiza Cardoso, Casa Vogue

Fernanda Gomes abre ateliê e conta detalhes da retrospectiva na Pinacoteca

Matéria de Ana Luiza Cardoso originalmente publicada na revista Casa Vogue em 15 de novembro de 2019.

Às vésperas de inaugurar uma grande retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo, a artista carioca abre as portas de sua casa-ateliê no Rio de Janeiro

Com vista para um paredão rochoso coberto de musgos e bromélias, o lar de Fernanda Gomes, em Copacabana, é mais uma de suas obras de arte. A luz invade os cômodos e reflete em esculturas e objetos espalhados pelas paredes e outras superfícies. Cores palpitantes, só na cozinha, entre os alimentos. De resto, predomina o branco e suas nuances, obsessão presente no trabalho da artista há 30 anos. “É uma espécie de... não sei explicar. É uma inclinação muito forte num determinado universo de cores”, justifica.

“Mas você sabe por quê?”. “Não, não sei. Eu poderia explicar de várias maneiras, mas nada que eu explique vai explicar, é como o amor”.

A partir do dia 30 deste mês, 50 obras da carioca – todas sem nome, como ela sempre fez – estarão distribuídas por sete salas da Pinacoteca de São Paulo, em uma retrospectiva de sua carreira, com curadoria de José Augusto Ribeiro. Até 24 de fevereiro de 2020, poderão ser vistas peças nascidas a partir de materiais familiares, de uso cotidiano, como gesso, madeira e vidro. Para tanto, Fernanda ficará três semanas no museu, transformado em ateliê durante a montagem, como é a sua casa do Rio de Janeiro, onde foi feita esta sessão de fotos.

Nascida em 1960, e formada pela Escola Superior de Desenho Industrial, Fernanda nunca pensou em ser artista. Queria jornalismo. “Eu fazia arte para mim. Eu era designer, tinha uma profissão decente”, ri de si mesma. “Existe uma espécie de indiferença, cinismo, resignação, todo um baú de tristezas que estamos sentindo e que, para mim, a melhor maneira, mais positiva, real, de lidar com elas é fazer o que estou fazendo. Me dá um sentimento muito bom”, explica. “Quando faço uma exposição, todo o resto da vida deixa de existir. Tenho momentos de êxtase e outros de ‘Por que estou fazendo isso, meu Deus?’”, conta. “Você precisa ter o entusiasmo mais rasgado e a autocrítica mais feroz. Os dois extremos são necessários para mim.”

A proposta para a exibição na Pinacoteca surgiu há dois anos. Ela rascunhou ideias, manteve e descartou outras tantas. Revirou gavetas e encontrou trabalhos de décadas atrás, inéditos. Na mostra, pretende ainda emprestar obras de diferentes coleções. Criará novas também, como fez recentemente em uma exposição no museu Secession, em Viena, no qual optou por chegar de mãos vazias.

“Você não levou nada. Não ficou ansiosa?”. “Ansiosa? Eu fico ansiosa normalmente, não fico mais ansiosa por causa disso, pelo contrário.”

Na Áustria, se viu feliz ao deparar com três espaços vazios, onde poderia criar do zero, e também por ter se livrado dos trâmites de transporte das obras para a Europa. “É caríssimo, um nível de burocracia insano, pegada de carbono nem se fala, e não acho divertido”, argumenta. “Eu não estou morta, né? Estou mais viva do que nunca.”

Em São Paulo, pretende erguer uma estrutura de três metros, num espaço com iluminação específica, contendo partes de outra obra exibida anos atrás. “Acho importante pensar o processo sem desperdícios, aquele trabalho foi feito para ser reutilizado muitas vezes.” Fernanda também deve apresentar esferas de cravo e linha, uma extensão de papéis de cigarros justapostos e algumas esculturas cinéticas.

Suas peças minimalistas, de traços delicados, podem ser apreciadas por qualquer um, garante ela. “Ninguém precisa falar nada, o discurso verbal é totalmente paralelo, ele não toca a obra, nem as minhas palavras tocam o que eu faço”, diz. “Confie no que está vendo, não peça para ninguém dizer o que é. Existe uma conexão possível, direta, imediata entre um observador e um objeto. E isso é uma comunicação muito preciosa que está sendo perdida”, resume.

Fernanda Gomes, Pinacoteca de São Paulo - 01/12/2019 a 24/02/2020

Publicado por Patricia Canetti às 5:42 AM


fevereiro 6, 2020

Histories’ Mysteries: In São Paulo, Curator Adriano Pedrosa Has Started a Revolution—Within a Museum’s Walls by Maximilíano Durón, Artnews

Histories’ Mysteries: In São Paulo, Curator Adriano Pedrosa Has Started a Revolution—Within a Museum’s Walls

Article by Maximilíano Durón originally published on Artnews website on 5th February, 2020.

The Museu de Arte de São Paulo (MASP) is located in the heart of Brazil’s most populous city on one of its busiest streets, Avenida Paulista, which takes its name from the term for the city’s residents. More important, the thoroughfare is home to much of São Paulo’s financial industry, and as such it has been the site of social and political actions since the early 20th century. When MASP opened to the public in April 1969, with a building designed by pioneering architect Lina Bo Bardi, it quickly became an architectural icon of Brazilian modernism—and a backdrop for Paulistas protesting all manner of things.

Recently, though, there has been a revolution going on within the museum’s walls. In 2014 the museum appointed a new artistic director, Adriano Pedrosa, a closely watched curator who had worked on some of the world’s most important exhibitions, including the 1998 and 2006 editions of the Bienal de São Paulo and the 2011 Istanbul Biennial.

Shortly before joining MASP, Pedrosa had organized, with frequent collaborator Lilia K. Moritz Schwarcz, an exhibition at São Paulo’s Instituto Tomie Ohtake called “Histórias Mestiças.” Mestizaje describes the mixing of races in the New World colonies of Spain and Portugal; Pedrosa and Schwarcz were using it as a lens through which to examine Brazil’s history—from onetime colony to empire to republic to dictatorship to today—and see it as far more than a single narrative that privileges the stories of wealthy white men.

Pedrosa brought the “Histórias” series to MASP, and has used it to turn the museum from a sleepy, somewhat provincial, institution to what Bay Area–based art historian and MASP adjunct curator Julia Bryan-Wilson calls “the most progressive and dynamic museum in the world right now.”

To fully grasp the impact of “Histórias,” it helps to know the history of MASP. In the years following World War II, Brazil’s economy was growing rapidly, and one of the country’s richest and most influential men, media mogul Assis Chateaubriand, set out to create a museum the country could be proud of. He amassed what became the largest and arguably the finest collection of European art in the entire southern hemisphere, and in 1947, with Italian art critic Pietro Maria Bardi, who had relocated to Brazil at Chateaubriand’s invitation, established what would become MASP.

Prior to Pedrosa’s arrival in 2014, MASP’s artistic directors didn’t seem to know quite what to do with the museum’s vast holdings of 17th-, 18th-, and 19th-century European art. Pedrosa took the collection as a challenge; he became interested in placing these works in dialogue with objects that are typically considered less valuable. Pedrosa found special resonance in the Portuguese word histórias itself, which as in other Romance languages, implies more than just a textbook retelling of past events. Together, these seemingly disparate objects might just create a new history, he said, that is less focused on chronology and “more open, plural, speculative, and perhaps in a way more marginal.”

“The political dimension of this is very much present,” Pedrosa said. “We are always questioning who is telling and writing these histories around Brazil, often white histories, and how can we offer juxtapositions or contrasts that question these hierarchies.”

Before bringing his collaborative “Histórias” exhibitions into MASP’s programming, Pedrosa rehung the museum’s permanent collection, restoring Bo Bardi’s original vision of exhibiting paintings on crystal easels installed in the galleries like sculptures that can be approached from various angles. “Histórias” would establish a research topic, and all the museum’s programming for the year would revolve around it.

“A different kind of curator, who might share Adriano’s political vision, could come in and say, ‘Who cares about all these dead white male Europeans? They’re irrelevant,’” Bryan-Wilson said. “But one of the things that’s genius about what he’s doing is: how can we activate the collection precisely in the service of queer histories, of Afro-Atlantic histories, of women’s histories, etc.? What can we do to use those objects as a way to reframe them that surrounds them in a totally new context?”

Pedrosa mounted the first “Histórias” exhibition in 2016, under the theme “Histories of Childhood,” and went on to explore Sexuality (2017), Afro-Atlantic (2018), and Women (2019). Upcoming are Dance (2020), Indigeneity (2021), Brazil (2022), Nature (2023), Sexual Diversity (2024), and Delirious Histories (2025). (In November the forthcoming “Histórias indigenas” won a share of the $250,000 Sotheby’s Prize in support of research for the exhibition.)

“At the museum, we are trying to address certain themes that are urgent right now and have become even more urgent in the last few months,” Pedrosa said this past September, pointing to the political tumult in Brazilian politics that has seen a public resurgence of racist, anti-black and anti-indigenous, sexist, and homophobic sentiments.

That sense of urgency has brought in a wider diversity of visitors. “Because MASP is located in the heart of São Paulo, we thought it would be good to have this idea to organize the whole program at MASP around the different histories throughout Brazil,” said Moritz Schwarcz, who is adjunct curator at MASP and a professor at the University of São Paulo. “The idea was to invite all kinds of Brazilians to enter the museum and to recognize themselves inside the museum. The idea was to change the identity of the museum.”

Pedrosa has encouraged thinking outside the box, and the juxtapositions can be jarring. As part of this year’s “Histórias das Mulheres” exhibition, which looked at artistic practices by women prior to 1900, Bryan-Wilson placed textiles on the same level as paintings: Punjabi and Uzbekistani fabrics are next to an undated oil painting by the obscure Chilean artist Celia Castro del Fierro, who is considered the country’s first professional female artist, and began studying at Santiago’s Academy of Painting in 1877. Elsewhere are works by Rosa Bonheur, Artemisia Gentileschi, Judith Leyster, Mary Cassatt, Vigée Le Brun, and Berthe Morisot, with pieces by similarly underknown artists and woven work from Pennsylvania, the Philippines, and pre-Columbian peoples living in the Andes. “To take women’s making seriously, we had to get rid of the category of fine art, which is just a category that to me is not interesting to uphold in the space of the museum anymore,” she said.

But perhaps the most groundbreaking of the “Histórias” exhibitions was 2018’s “Histórias Afro-Atlánticas.” Co-organized with the Instituto Tomie Ohtake, the exhibition included some 400 works and is accompanied by a 400-page catalogue in English and Portuguese. Placing Brazil as a central point within the Transatlantic Slave Trade, the exhibition looked at a broad range of histories and artistic practices from the 16th century to the present that centers on the lives of enslaved people and their descendants.

The section titled “Emancipations” brought contemporary work in a range of mediums by black artists like Kara Walker, Hank Willis Thomas, Glenn Ligon, Cameron Rowland, and Paulo Nazareth into dialogue with unsettling 19th-century paintings by Europeans like Augustus Earle, Alphonse Garreau, Samuel Raven, Jean-Baptiste Debret, and Thomas Jones Barker. The section also included historical documents: sketches of slave ships, racist drawings, engravings of lynchings, a receipt for the sale of a slave. In “Afro-Atlantic Modernisms,” paintings by Wifredo Lam, Rubem Valentim, and Howardena Pindell shared a wall; nearby were pieces by Americans Alma Thomas, Norman Lewis, Nigerian Uche Okeke, South African Ernest Mancoba, and Sudanese painter Ibrahim El-Salahi.

“I don’t think anyone in the United States could have done that show,” said Mari Carmen Ramírez, who is curator of Latin American art at the Museum of Fine Arts, Houston, and has plans to bring the “Histórias Afro-Atlánticas” exhibition to Houston.

The show held special significance in Brazil, which was the destination of about 40 percent of all people brought over from Africa and forced into slavery for more than 300 years. Over 50 percent of Brazil’s current population identifies as black or pardo (mixed race).

“It was a political statement—an act of resistance,” Moritz Schwarcz said of the exhibition. “The museum has a very important place in this context. Art can be a starting place for resistance.”

A version of this article appeared in the Winter 2020 issue of ARTnews, under the title “Histories’ Mysteries.”

Publicado por Patricia Canetti às 1:20 PM