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setembro 20, 2019

Geraldo Zamproni no Alfredo Andersen, Curitiba

Mostra traz fotografias e instalação inflável monumental, que ficará na área externa do museu

Conhecido por suas obras monumentais que interagem com o espaço público, o artista paranaense Geraldo Zamproni inaugura na próxima segunda-feira (23), às 14h30, a exposição "Sobre Aqueles", no Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA).

Além de fotografias que mostram o trabalho do artista em diferentes países do mundo, como Portugal, Estados Unidos, Espanha e Austrália, o artista também desenvolveu uma grande instalação de tecidos infláveis, montada no espaço externo do museu.

As fotografias estarão expostas em um novo local expositivo da Academia Andersen, espaço de cursos de arte do MCAA. A mostra fica em cartaz até 18 de outubro.

Em suas obras, Zamproni costuma fazer referências visuais a objetos do cotidiano, como grandes travesseiros e almofadas. "Uma característica da obra de Zamproni é a interação das instalações com a arquitetura dos locais onde são montadas", diz o curador da mostra, Renan Archer. Ele cita como exemplo um trabalho em Brasília, no Complexo Cultural Funarte, em que as enormes almofadas criaram a ilusão de sustentação do prédio.

"As obras de Geraldo visam alterar visualmente o espaço que as rodeiam, explorando a relação entre objeto, ambiente e observador. Esse emaranhado produz um efeito de estranhamento e instabilidade, um diálogo com o espectador", salienta o diretor do MCAA, Luiz Luiz Gustavo Vardânega Vidal Pinto.

O artista

Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Geraldo Zamproni é artista autodidata há mais de duas décadas. A estética de objetos industriais, como plástico, ferro e tecidos sintéticos são uma marca do seu trabalho, bem como a forte interação com a arquitetura.

O MCAA

O Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA) é um dos equipamentos culturais sob gestão do Governo do Estado do Paraná. O edifício, do fim do século 19, é um dos tesouros do centro histórico de Curitiba e serviu de residência e ateliê para o pintor norueguês Alfredo Andersen. A instituição guarda e exibe parte do seu acervo, com pinturas, desenhos e objetos pessoais. Além disso, o museu conta ainda com um anexo muito importante para o ensino das artes, a Academia Andersen, espaço que oferece cursos de arte para a formação cultural da comunidade. No total, estão disponíveis 32 oficinas, em horários pela manhã, tarde e noite.

Publicado por Patricia Canetti às 11:19 AM


Geraldo Souza Dias no Espaço Cultural Contraponto, São Paulo

De 24 de setembro a 5 de outubro de 2019, o Espaço Cultural Contraponto, na Vila Madalena em São Paulo apresentará um conjunto de 68 pinturas a óleo/colagens sobre tela do artista Geraldo Souza Dias, em sua grande maioria produzidas nos últimos cinco anos.

A exposição Ora bolas, ora retângulos tem curadoria conjunta do artista e de seu amigo e colega Sérgio Fingermann e discute principalmente a relação formal do suporte circular na prática pictórica — também chamado de tondo, do italiano rotondo=redondo — face ao formato retangular na pintura contemporânea.

Tanto os trabalhos circulares, com diâmetros que oscilam entre 30 cm a 1,50 m, como os retangulares apresentam composições geométricas e construtivas que remetem à paisagem urbana e mas trazem também elementos ou vestígios figurativos, em grandes ou pequenas dimensões. Ainda que não seja uma retrospectiva, a mostra tenta dar conta da delimitação de uma poética, que vem sendo definida ao longo de mais de quarenta anos de pratica de pintura.

Os trabalhos estarão à venda, com preços a partir de R$900,00 (novecentos reais) a R$8.000,00 (oito mil reais).

Publicado por Patricia Canetti às 10:20 AM


setembro 19, 2019

Matias Duville na Luisa Strina, São Paulo

Rotas para a mente que conduzem para o pôr-do-sol. O transito do carvão para a poeira do deserto. Matias Duville descreve assim os desenhos de grandes dimensões feitos em sanguínea (carvão vermelho) que estão reunidos na exposição Projection Soul, sua terceira mostra individual na Galeria Luisa Strina.

Cada vez que começa uma série com uma matéria prima não utilizada anteriormente, o artista conta que precisa experimentar por longo período o material: “Sinto-me em um novo ambiente e demora até equalizar a estrutura do material com a dos trabalhos; é o começo de uma nova realidade”, explica Duville. Trabalhando com sanguínea há um ano e meio, ele afirma que, após os dez primeiros desenhos, aproximadamente, começou a pensar na sensação de olhar na direção do sol com os olhos fechados. “O elemento propulsor desses trabalhos é o sol, o real. Os caminhos ou estradas que parecem conduzir até o Sol são um grande enigma.”

Antes de iniciar a série Vermelha, Matias havia trabalhado em um grupo de desenhos feitos com lama, durante uma residência artística no Rio de Janeiro, em 2018, quando realizou também uma vivência/workshop com alunos de artes no Parque Lage. “Quando uso lama, eu sou o desenho, porque é um material molhado, rápido e incontrolável. A mente também viaja rápido, sem filtros. Aqui, o material é seco, demorado e lírico”, compara Duville as duas experiências bastante distintas.

“Acredito nessa realidade paralela, em uma percepção aumentada, a amplificação da mente; cada desenho é uma ativação de uma nova área mental para mim ”, conta o artista. Seu interesse reside no fato de que, embora as obras possam ser lidas como oníricas, estão localizadas em um espaço concreto, pertencem a este mundo. Talvez isso tenha guiado a série de esculturas que dividem o espaço expositivo da Galeria Luisa Strina com os desenhos em vermelho.

Feitas em argila fundida em bronze, as peças são criadas a partir de um plano, sobre o qual o artista imprime redes, que criam uma padronagem de grid. “Nas esculturas, você tem uma maneira diversa de visualizar a mesma cena dos desenhos, ou seja, o contraste entre peso e levitação, entre cheio e vazio. São como microuniversos dentro das paisagens.”

Duville explica que quando produz suas esculturas, imagina que está manipulando a matéria total, como se não existisse mais nada e todo o contexto em que está inserido desaparecesse. “As esculturas são um diálogo entre a matéria e o vazio. Sua visualidade é algo intermediário entre objetos que poderiam vir do espaço sideral ou do oceano.” Algumas estão apoiadas, outras perdem seu ponto de gravidade, parecendo gravitar, como asteroides.

SOBRE O ARTISTA

Nascido em Buenos Aires (1974), onde vive e trabalha, Matias Duville é considerado uma referência no desenho contemporâneo latino-americano. Uma das características mais marcantes no trabalho do artista é a reflexão e pesquisa no uso de diferentes materiais, tais como caneta esferográfica, carvão, acrílico, carpete, nos quais ele trabalha seguindo as coordenadas que cada material dita.

Exposições individuais recentes incluem: Desert means ocean, Museum of Latin American Art, Long Beach, EUA (2019); Arena Parking, Centro Cultural Recoleta – Sala Cronocopios, Buenos Aires, Argentina (2015); Mutações, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil (2015); Espacio, proyectil, Galeria Luisa Strina, São Paulo, Brasil (2015); Life in an instant, Galerie Georges-Philippe & Nathalie Vallois, Paris, França (2014); Discard Geography, École Nationale Supérieure des Beaux-arts de Paris, France (2013); La Distance Juste, Galerie Georges-Philippe & Nathalie Vallois, Paris, França (2013); Parc solo project, Lima, Peru (2013); Of Bridges and Borders, Valparaiso, Chile (2013).

Seu trabalho faz parte das coleções: Tate Collection, Reino Unido; Blanton Museum, EUA; Patricia P. de Cisneros Collection, EUA; Pierre Huber Collection, Suíça; Fondazione Cassa di Risparmio di Modena, Itália; ARCO Foundation, Espanha; MACRO – Museo de Arte Contemporáneo de Rosario, Argentina; MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Argentina; MALI – Museo de Arte de Lima, Peri; MUSAC – Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, Espanha; MAMBA – Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, Argentina; Museum of Latin American Art, Long Beach, EUA.

Publicado por Patricia Canetti às 1:15 PM


Laura Lima na Luisa Strina, São Paulo

A artista Laura Lima realiza a sua terceira individual na Galeria Luisa Strina trazendo um grupo de novas obras com materiais que se transformam, que impactam o ambiente expositivo de maneira multissensorial e evocam o imaginário fotográfico. A exposição “qual” conta com texto-obra assinado por Daniela Castro / Deleuze Was Wrong, em que as substâncias presentes na mostra entabulam um diálogo diagramado em formato de árvore.

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Todas as obras são suspensas. A escolha por esse método de apresentação se explica tanto pela transparência e delicadeza das obras, quanto pela postura sempre questionadora da artista em relação a tudo que se entende como “tradição” na história da arte. O grupo de trabalhos Ágrafo, iniciado em 2015, é quase todo mostrado da mesma maneira; neste caso, por se tratar de peças tridimensionais, a suspensão tem a ver com a possibilidade de observação por ângulos diversos, mas também com a atitude avessa à tradição de colocar esculturas no chão.

Do ponto de vista das experiências da materialidade suspensa na trajetória de Laura Lima, pode-se pensar nos Costumes, nos Portraits e, mais radical de todas, no Balé Literal, que a artista realizou neste ano na encruzilhada d’A Gentil Carioca, no centro do Rio de Janeiro, espécie de ópera bufa protagonizada por objetos que transitavam de um prédio a outro em um fio suspenso, uns mais rápidos, outros mais lentos, configurando a coreografia orquestrada pela artista.

As obras da exposição “qual” são feitas de tule e gelo seco, uma matéria frágil e imaculada, outra instável e mutante. Aqui, o diálogo se estabelece entre as novas obras e os Wrong Drawings (feitos de algodão e carvão), pelo risco iminente de contaminação, um elemento ameaçando o outro. Da perspectiva da materialidade cambiante, importante lembrar das instaurações de HOMEM=CARNE / MULHER=CARNE, em que Laura considera os seres vivos como matéria escultórica.

Para encerrar esta rápida genealogia de obras relacionadas, com o intuito de contextualizar “qual”, falta falar da materialidade fantasmática destas obras, derivadas de seus pensamentos sobre o desenho, “desfocados” pelo efeito fumegante do gelo seco. Nesse aspecto, conversam com o universo do Fumoir (2009/2017), que subverte as regras museológicas e permite contemplar as outras obras envolto em fumaça de charuto, assim como com as obras-fotografias Lugares Colagens, em que elementos esfumaçados ou desfocados habitam ambientes art nouveau aos quais, deliberadamente, não pertencem.

SOBRE A ARTISTA

Nascida em 1971, em Governador Valadares, Laura Lima vive e trabalha no Rio de Janeiro. Desde os anos 1990, a artista ficou conhecida pelo uso de seres vivos (humanos, animais ou plantas) como matéria da arte, construindo relações inesperadas com o espaço e a arquitetura. Seu intuito está em desafiar conceitos do vocabulário especializado, como performance ou instalação. As variações do comportamento humano em relação à complexidade das relações sociais também são objeto de fascinação da artista, o que a leva ao contínuo exercício de construir um léxico particular para abordar este tema.

Exposições individuais recentes incluem: Balé Literal, Galeria A Gentil Carioca, Rio de Janeiro (2019); I hope this finds you well, Tanya Bonakdar Gallery, Nova York (2019); Alfaiataria, Pinacoteca do Estado, São Paulo (2018); Cavalo come Rei, Fundação Prada, Milão (2018); The Inverse, ICA Miami (2016); Ágrafo, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2015); El Mago Desnudo, MAMBA Museo de Arte Moderno de Buenos Aires (2015); The Naked Magicien, National Gallery of Denmark, Copenhagen (2015) e Bonnierskonsthall, Stockholm (2014); e The fifth floor, Bonnefantenmuseum, Maastricht (2014).

Exposições coletivas selecionadas incluem: Bienal de Busan (2018); Trienal de Aichi, Toyohashi (2016); Performa 15, Nova York (2015); 15 Rooms, Long Museum, Shanghai (2015); Encruzilhada, Parque Lage, Rio de Janeiro (2015); Por amor a la disidencia, MUAC – Museo Universitario Arte Contemporáneo, Cidade do México (2013); Circuitos Cruzados – Centre Pompidou meets MAM, Museu de Arte Moderna, São Paulo (2013); Ruhrtriennale, Essen (2012); 11ª Bienal de Lyon (2011).

Coleções das quais seu trabalho faz parte incluem: Instituto Inhotim, Brasil; MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; Bonniers Konsthall, Suécia; Migros Museum für Gegenwartskunst, Suíça, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil.


The artist Laura Lima presents her third solo show with Galeria Luisa Strina bringing a group of new works with transforming materials that impact the exhibition environment in a multisensory manner and evoke photographic imagery. The exhibition “qual” features an art-text by Daniela Castro / Deleuze Was Wrong, in which the substances present in the exhibition embark on a dialogue diagrammed in a tree-shaped format.

All works are suspended. The choice for this method of presentation is explained both by the transparency and delicacy of the pieces, as well as by the artist’s questioning attitude towards everything that is understood as “tradition” in art history. The Ágrafo group of works, for example, started in 2015, is almost entirely shown in the same way; in this case, because they are three-dimensional pieces, the suspension has to do with the possibility of observation from different angles, but also with the attitude against the tradition of placing sculptures on the floor.

From the point of view of the experiences of suspended materiality in Laura Lima’s trajectory, one can think of Costumes, Portraits and, most radical of all, the Literal Ballet, which the artist presented this year at the crossroads of A Gentil Carioca, in downtown Rio de Janeiro, a kind of puff opera performed by objects that moved from one building to another on a suspended wire, some faster, some slower, configuring the choreography orchestrated by the artist.

The works of “qual” are made of tulle and dry ice, one fragile and immaculate matter, another one unstable and mutant. Here, a dialogue is established between the new works and the Wrong Drawings (made of cotton and charcoal), for the imminent risk of contamination, one element threatening the other. From the perspective of changing materiality, it is important to remember the instaurations of MAN = MEAT / WOMAN = MEAT, in which Laura considers living beings as sculptural matter.

To end this quick genealogy of related works, in order to contextualize “qual”, one has to speak of the ghostly materiality of these works, derived from the artist’s thoughts about drawing, ‘blurred’ by the steaming effect of dry ice. In this respect, they relate to the universe of Fumoir (2009/2017), which subverts the museological rules and allows us to contemplate the other works wrapped in cigar smoke, as well as to the photo-works Lugares Colagens, where smoky or unfocused elements inhabit art nouveau environments to which they deliberately do not belong.

Publicado por Patricia Canetti às 1:08 PM


Cildo Meireles no Sesc Pompeia, São Paulo

Exposição Entrevendo, de Cildo Meireles, abre ao público dia 26 de setembro, no Sesc Pompeia, com o maior acervo já exposto do artista na América Latina

Partindo da ideia polissêmica de “sentido”, a antologia com curadoria de Júlia Rebouças e Diego Matos apresenta cerca de 150 obras, dos anos 1960 até os dias atuais, que dialogam com a pluralidade de usos e públicos da unidade projetada por Lina Bo Bardi

A seleção traz grandes instalações nunca expostas no Brasil, como “Amerikkka” e a série completa de “Blindhotland”, além de trabalhos que ganham versões inéditas, como “Missão, Missões (Como construir catedrais)”

O Sesc Pompeia apresenta ao público, de 26 de setembro de 2019 a 2 de fevereiro de 2020, a exposição Entrevendo, de Cildo Meireles. Com curadoria de Júlia Rebouças e Diego Matos, a antologia reúne cerca de 150 obras dos anos 1960 até os dias atuais. Trata-se do maior acervo de Meireles já exposto na América Latina, preenchendo uma lacuna de quase duas décadas sem uma grande mostra nacional do artista, um dos nomes mais importantes da arte brasileira.

Para Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, “a exposição é um percurso educativo pela obra do artista, que exercita a sensibilidade dos visitantes que perpassam o ambiente livre e acolhedor do Sesc Pompeia, e estimula a reflexão para novas apreensões da realidade propostas pelo olhar sensível do artista”. Danilo complementa afirmando que “a instituição cumpre sua missão ao difundir as Artes Visuais a um ampliado público, confirmando que a cultura é intrínseca ao desenvolvimento humano e mola propulsora de transformações que visam ampliar a qualidade de vida de toda a sociedade”, diz.

“Trabalhamos com um conjunto de obras que não foram mostradas no Brasil, ou que foram montadas há muito tempo - queríamos corrigir um lapso de uma ou até duas gerações, em alguns casos. Ainda que não seja uma retrospectiva, há um escopo de trabalhos bem diverso”, afirma Cildo Meireles.

Para desenvolver Entrevendo, a dupla de curadores teve dois pontos de partida, começando pela ideia polissêmica de “sentido” – sensação, compreensão, sinestesia, escala, direção e propósito, presentes na produção de Meireles. “A visão, que é o sentido mais associado às artes plásticas, é descontruída e desafiada em muitos dos seus trabalhos, que nos propõem perceber o mundo de outras formas e desconfiar daquilo que parece verdade”, afirma Rebouças.

A segunda premissa foi o próprio local da exposição. Para a curadora, levar essa mostra para uma instituição não-museológica, com múltiplos usos e públicos, é um gesto contundente e necessário. “Entrevendo foi pensada para dialogar com essa condição democrática e generosa que vemos no Sesc Pompeia. É importante apresentar a produção de Cildo Meireles para um público grande e diverso, fazê-lo participar e se engajar com sua obra, em diferentes linguagens, suportes e temas”, diz.

Com produção e expografia de Alvaro Razuk, a mostra ocupa uma área de mais de 3000m2 no Sesc Pompeia, entre a Área de Convivência, o Galpão e Deck. “Tendo em vista a qualidade arquitetônica do projeto de Lina Bo Bardi e as diferentes atividades que caracterizam a unidade, o projeto curatorial privilegia o amplo acesso e adequação do espaço físico, evitando a construção de novas estruturas ou a descaracterização do entorno”, fala Matos.

PERCORRENDO A EXPOSIÇÃO

Entrevendo, obra que dá nome à exposição, foi projetada por Cildo Meireles em 1970 e realizada pela primeira vez em 1994. A instalação cilíndrica de madeira convida o visitante a entrar e caminhar em direção a uma fonte de vento quente, enquanto derretem em sua boca gelos de água doce e salgada. Entre o claro e o escuro, o frio e o quente, o doce e o salgado, o visitante experimenta sensações que transbordam o campo da visão e deflagram outras maneiras de perceber.

O trabalho estará na Área de Convivência, livre de salas ou paredes, junto com outras grandes instalações do artista, como Amerikkka (1991/2013). Pela primeira vez no país, a obra que já foi exibida em grandes instituições internacionais, como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, em 2013, apresenta aproximadamente 17 mil ovos de madeira e 33 mil balas de armas de fogo. Caminhando sobre a plataforma de ovos e sob a placa de projéteis, é possível refletir sobre uma América marcada por guerras, desde os tempos coloniais, até recentes ataques realizados por organizações de extrema-direita, numa referência à Ku Klux Klan, presente no triplo K do título da instalação.

Missão, Missões (Como construir catedrais) (1987/2019) ganha uma nova versão, em formato circular. Exibida na importante exposição Magiciens de la Terre, no Centro Pompidou de Paris, em 1989, o trabalho é constituído por milhares de moedas, ossos de boi, centenas de hóstias e trata dos processos missionários de catequização dos povos indígenas. “Quis construir uma espécie de equação matemática, muito simples e direta, conectando três elementos: poder material, poder espiritual e uma espécie de consequência inevitável e historicamente repetida dessa conjunção, que foi tragédia”, diz Cildo Meireles.

A obra se relaciona com Olvido (1987-1989), que traz uma tenda indígena coberta por cédulas de dinheiro de países americanos. Situada no meio de uma área circular com toneladas de ossos de boi e circundada por uma parede de velas, a tenda abriga um ruído de motosserra, que se propaga pelo espaço expositivo. Esses trabalhos, em conjunto, discutem a história do Brasil e das Américas, marcadas pela violência colonial que repercute ainda hoje nas estruturas sociais e políticas. Para além de lançar um olhar crítico sobre o passado, a obra de Cildo Meireles se atualiza a cada exibição, de modo a ressignificar questões da contemporaneidade.

Outra grande instalação desta mostra é Antes, obra concebida no ano de 1977 e realizada pela primeira vez em 2003, no Musée d'art Moderne et Contemporain de Strasbourg. Em montagem inédita no Brasil, ela permite ao público subir uma escada que leva a uma plataforma com uma cadeira e uma mesa. Sobre seu tampo, é possível observar uma outra escada, em escala menor, que leva a uma segunda plataforma, de onde parte outra escada. Ao criar uma nova relação de escala tanto com o ambiente expositivo, como com o corpo de quem o experimenta, o trabalho altera a percepção espacial do visitante.

A série Blindhotland (1970), por sua vez, será pela primeira vez apresentada na íntegra. Na Área de Convivência está a icônica Eureka/Blindhotland (1970-1975), cujo nome origina-se da interjeição supostamente pronunciada pelo matemático grego Arquimedes, quando descobriu a resposta para o dilema acerca do volume e densidade dos corpos. Na obra, Meireles experimenta diferentes relações entre peso, densidade e volume de objetos, como nas centenas de bolas de borracha aparentemente idênticas, questionando a dominância da percepção visual.

Podem ser vistos ainda neste mesmo espaço projetos, desenhos, ações, objetos e documentos da série Arte Física (1969), os trabalhos Zero Dollar (1978-1984/2013) e Zero Real (2013), a série Malhas da Liberdade (1976/2008), os projetos de Volumes virtuais (1968-1969), e Ocupações (1968-1969), entre outros.

No Galpão, a exposição assume uma proposta museológica com paredes e vitrines, apresentando desenhos e objetos, como Razão/Loucura (1976), Rodos (1978-1981) e Esfera Invisível (2012). Também estará presente parte das séries Espaços virtuais: Cantos (1967-1968/2008/2013), um dos primeiros trabalhos instalativos de Cildo Meireles.

Nesta área do Sesc Pompeia encontra-se ainda a instalação Volátil (1980/1994). Para chegar a uma sala escura, iluminada por uma única vela, o visitante percorre descalço um caminho instável, impregnado de cheiro de gás. Segundo o artista, a obra é “uma tentativa de associar sensação e emoção, produzindo um elo quase instantâneo, também ligado por esta região do medo”.

Com outras duas grandes instalações, a exposição ganha um caráter ainda mais participativo e público no Deck, “quase um jogo ou brincadeira, qualidades que na obra de Meireles abandonam seu caráter meramente lúdico para tratar de negociações entre espaços de poder e relações sociais ”, de acordo com Rebouças.

Blindhotland/Gueto (1975), montada uma única vez na década de 1970, traz bolas esportivas, como de vôlei e futebol, preenchidas por diferentes materiais. Assim como Eureka/Blindhotland, a obra desconstrói a relação direta entre tamanho e peso, provocando no visitante uma desorganização cognitiva e convidando-o a jogar em um território incerto. Já o trabalho (Entre. Parêntesis) (2005/2007) propõe ao visitante entrar entre dois semicírculos e experimentar um momento de digressão, protegido do ambiente externo e das narrativas que o circundam.

SOBRE O ARTISTA

Cildo Meireles (Rio de Janeiro, 1948) é artista multimídia. Iniciou seus estudos em arte em 1963, na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília, orientado pelo ceramista e pintor peruano Barrenechea (1921). Em 1967, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Nesse período, cria a série Espaços Virtuais: Cantos, com 44 projetos, em que explora questões de espaço, desenvolvidas ainda nos trabalhos Volumes Virtuais e Ocupações (ambos de 1968-1969). É um dos fundadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1969, na qual lecionou até 1970. O caráter político de suas obras revela-se em trabalhos como Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970) e Quem Matou Herzog? (1970). No ano seguinte, viaja para Nova York, onde trabalha na instalação Eureka/Blindhotland e na série Inserções em Circuitos Antropológicos. Após seu retorno ao Brasil, em 1973, passa a criar cenários e figurinos para teatro e cinema e, em 1975, torna-se um dos diretores da revista de arte Malasartes. Desenvolve séries de trabalhos inspirados em papel moeda, como Zero Cruzeiro, Zero Centavo (ambos de 1974-1978) e Zero Dólar (1978-1994). Em 2000, a editora Cosac & Naify lança o livro Cildo Meireles, originalmente publicado, em Londres, em 1999, pela Phaidon Press Limited. Participa das Bienais de Veneza, 1976; Paris, 1977; São Paulo, 1981, 1989 e 2010; Sydney, 1992; Istambul, 2003; Liverpool, 2004; Medellín, 2007; e do Mercosul, 1997 e 2007; além da Documenta de Kassel, 1992 e 2002. Tem retrospectivas no IVAM Centre del Carme, em Valência, 1995; no The New Museum of Contemporary Art, em Nova York, 1999; na Tate Modern, em Londres, 2008; e no Museum of Fine Arts de Houston, 2009. Recebe, em 2008, o Prêmio Velázquez de las Artes Plásticas, concedido pelo Ministerio de Cultura da Espanha. Em 2009, é lançado o longa-metragem Cildo, sobre sua obra, com direção de Gustavo Moura. Entre a últimas individuais estão no Itaú Cultural, São Paulo (2010); Centro de Arte Reina Sofia, Madrid (2013); Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto (2013-2014); Galeria Luisa Strina, em São Paulo (2014); e Galerie Lelong, em Nova York (2015).

SOBRE OS CURADORES

Júlia Rebouças (Aracaju, Brasil, 1984) é curadora, pesquisadora e crítica de arte. É curadora do 36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, de agosto a novembro de 2019. Foi co-curadora da 32a Bienal de São Paulo, Incerteza Viva (2016). De 2007 a 2015, integrou a curadoria do Instituto Inhotim, Minas Gerais. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, como curadora, na comissão dos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil, em São Paulo. Foi curadora adjunta da 9a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Se o clima for favorável, em 2013. Realiza diversos projetos curatoriais independentes, dentre os quais destaca-se a exposição Entrementes, da artista Valeska Soares, na Estação Pinacoteca, São Paulo, de agosto a outubro de 2018, a mostra MitoMotim, no Galpão VB, São Paulo, de abril a julho de 2018 e Zona de instabilidade, com obras da artista Lais Myrrha, na Caixa Cultural Sé, São Paulo, em 2013, e na Caixa Cultural Brasília, em 2014. Integrou o corpo de jurados do concurso que selecionou o projeto arquitetônico e curatorial do Pavilhão do Brasil na Expo Milano 2015, concurso realizado em janeiro de 2014, em Brasília. Escreve textos para catálogos de exposições, livros de artista e colabora com revistas de arte. Graduou-se em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). É mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (2017).

Diego Matos (Fortaleza, 1979) é pesquisador, curador e professor; mestre (2009) e doutor (2014) pela FAU-USP. Defendeu a tese Cildo Meireles – Espaço, Modos de Usar. É organizador, com Guilherme Wisnik, do livro Cildo: estudos, espaços, tempo (Ubu Editora, 2017). Foi um dos curadores do 20o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompéia, 2017). Foi coordenador de Acervo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil (2014-2016). Foi também assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010), sendo editor do site; membro do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake (2011 – 2013); curador assistente do 18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2013). Realizou a curadoria das exposições coletivas Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente (Pivô, inauguração da instituição em 2012) e Quem nasce pra aventura não toma outro rumo (Paço das Artes, 19º Festival Sesc_Videobrasil), entre outros projetos curatoriais e de pesquisa. Foi professor substituto da Universidade Federal do Ceará (2005). Atua como professor em centros de ensino de arte e arquitetura em São Paulo (Instituto Tomie Ohtake, Escola São Paulo, Centro de Pesquisa e Formação do Sesc e outras unidades do Sesc São Paulo).

Publicado por Patricia Canetti às 12:36 PM