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agosto 13, 2018

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985 na Pinacoteca, São Paulo

Sucesso de crítica em sua passagem pelo Hammer Museum de Los Angeles e Brooklyn Museum de Nova York, a mostra reúne 280 trabalhos de cerca de 120 artistas, de 15 países. As obras abordaram o corpo feminino como forma de expressão e de crítica social e política num dos períodos mais conturbados da história recente

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018, a grande exposição coletiva Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985, no primeiro andar da Pinacoteca. A mostra tem curadoria da historiadora de arte e curadora venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta e é a primeira na história a levar ao público um significativo mapeamento das práticas artísticas experimentais realizadas por artistas latinas e a sua influência na produção internacional. Quinze países estarão representados por cerca de 120 artistas, reunindo mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo, pintura e outros suportes. A apresentação na capital paulista encerra a itinerância e conta com a colaboração de Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca.

Mulheres radicais aborda uma lacuna na história da arte ao dar visibilidade à surpreendente produção, realizada entre 1960 e 1985, dessas mulheres residentes em países da América Latina, além de latinas e chicanas nascidas nos Estados Unidos. Entre elas, constam na mostra algumas das artistas mais influentes do século XX -- como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez e Marta Minujín -- ao lado de nomes menos conhecidos -- como a artista mexicana Maria Eugenia Chellet, a escultora colombiana Feliza Bursztyn e as brasileiras Leticia Parente, uma das pioneiras da vídeoarte, e Teresinha Soares, escultora e pintora mineira que vem recebendo atenção internacional recentemente.

O recorte cronológico da coletiva é tido como decisivo tanto na história da América Latina, como na construção da arte contemporânea e nas transformações acerca da representação simbólica e figurativa do corpo feminino. Durante esse período, as artistas pioneiras partiram da noção do corpo como um campo político e embarcaram em investigações radicais e poéticas para desafiar as classificações dominantes e os cânones da arte estabelecida. “Essa nova abordagem instituiu uma pesquisa sobre o corpo como redescoberta do sujeito, algo que, mais tarde, viríamos a entender como uma mudança radical na iconografia do corpo”, contam as curadoras. Essas pesquisas, segundo elas, acabaram por favorecer o surgimento de novas veredas nos campos da fotografia, da pintura, da performance, do vídeo e da arte conceitual.

A abordagem das artistas latino-americanas foi uma forma de enfrentar a densa atmosfera política e social de um período fortemente marcado pelo poder patriarcal (nos Estados Unidos) e pelas atrocidades das ditaduras apoiadas por aquele país (na América Central e do Sul), que reprimiram esses corpos, sobretudo os das mulheres, resultando em trabalhos que denunciavam a violência social, cultural e política da época. “As vidas e as obras dessas artistas estão imbricadas com as experiências da ditadura, do aprisionamento, do exílio, tortura, violência, censura e repressão, mas também com a emergência de uma nova sensibilidade”, conta Fajardo-Hill.

Para Giunta, tópicos como o poético e o político são explorados, na exposição, “em autorretratos, na relação entre corpo e paisagem, no mapeamento do corpo e suas inscrições sociais, nas referências ao erotismo, ao poder das palavras e ao corpo performático, a resistência à dominação; feminismos e lugares sociais”. E complementa: “Estes temas atravessaram fronteiras, surgindo em obras de artistas que vinham trabalhando em condições culturais muito diferentes”. Não à toa, a mostra é estruturada no espaço expositivo em torno de temas em vez de categorias geográficas. A curadora da Pinacoteca, Valéria Piccoli, destaca a importância da representatividade das brasileiras dentro da mostra: “além dos nomes que participaram das exposições no Hammer e no Brooklyn Museum, também vamos incluir obras de Wilma Martins, Yolanda Freyre, Maria do Carmo Secco e Nelly Gutmacher na apresentação em São Paulo”, revela.

A América Latina conserva uma forte história de militância feminista que -- com exceção do México e alguns casos isolados em outros países nas décadas de 1970 e 1980 -- não foi amplamente refletida nas artes. Mulheres radicais propõe consolidar, internacionalmente, esse patrimônio estético criado por mulheres que partiram do próprio corpo para aludir -- de maneira indireta, encoberta ou explícita –- as distintas dimensões da existência feminina. Para tanto, as curadoras vêm realizando uma intensa pesquisa, desde 2010, que inclui viagens, entrevistas, análise de publicações nas bibliotecas da Getty Foundation, da University of Texas entre diversas outras.

O argumento central da exposição mostra que, embora boa parte dessas artistas tenham sido figuras decisivas para a expansão e diversificação da expressão artística em nosso continente, ainda assim não haviam recebido o devido reconhecimento. “A exposição surgiu de nossa convicção comum de que o vasto conjunto de obras produzidas por artistas latino-americanas e latinas tem sido marginalizado e abafado por uma história da arte dominante, canônica e patriarcal”, definem as curadoras. Segundo o diretor da Pinacoteca, Jochen Volz, “foram, principalmente, artistas mulheres as pioneiras que experimentaram novas formas de expressão, como performance e vídeo, entre outras. Assim, a itinerância da mostra Mulheres radicais para o Brasil é de grande relevância para a pesquisa contemporânea artística e acadêmica e o público em geral”.

Esse rico conjunto de trabalhos, bem como os arquivos de pesquisa, coletados para a concepção da exposição, chegam finalmente ao público paulista, contribuindo para abrir novos caminhos investigativos e entendimentos acerca da história latino-americana. ”O tópico agora faz parte de uma pauta ampla e ao mesmo tempo urgente. Entretanto, ainda há muito trabalho a ser feito e temos plena consciência de que este é apenas o começo”, finalizam as curadoras.

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985 é organizada pelo Hammer Museum, Los Angeles, como parte da Pacific Standard Time: LA/LA, uma iniciativa da Getty em parceria com outras instituições do Sul da Califórnia e teve curadoria das convidadas Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta. Sua apresentação na Pinacoteca de São Paulo conta com o patrocínio do Itaú, escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, BTG Pactual e Vicunha, além do apoio das revistas Claudia, Elle e Capricho. A exposição é realizada graças ao apoio da Getty Foundation. A maior parte dos recursos da mostra foram promovidos por Diane and Bruce Halle Foundation e Eugenio López Alonso. Apoio generoso foi oferecido por Vera R. Campbell Foundation, Marcy Carsey, Betty e Brack Duker, Susan Bay Nimoy, e Visionary Women.

ARTISTAS PARTICIPANTES (ver lista em ordem alfabética na agenda)

Argentina
Maria Luisa Bemberg (1922–1995); Delia Cancela (1940); Graciela Carnevale (1942); Diana Dowek (1942); Graciela Gutiérrez Marx (1945); Narcisa Hirsch (Germany, 1928); Ana Kamien and Marilú Marini (1935 and 1954); Lea Lublin (Poland, 1929–1999); Liliana Maresca (1951–1994); Marta Minujín (1943); Marie Orensanz (1936;) Margarita Paksa (1933); Liliana Porter (1941); Dalila Puzzovio (1943); Marcia Schvartz (1955).

Brasil Mara Alvares (1948); Claudia Andujar (Suíça, 1931); Martha Araújo (1943); Vera Chaves Barcellos (1938); Lygia Clark (1920–1988); Analívia Cordeiro (1954); Liliane Dardot (1946); Lenora de Barros (1953); Yolanda Freyre (1940); Iole de Freitas (1945); Anna Bella Geiger (1933); Carmela Gross (1946); Nelly Gutmacher (1941); Anna Maria Maiolino (Italy, 1942); Márcia X. (1959–2005); Wilma Martins (1934); Ana Vitória Mussi (1943); Lygia Pape (1927–2004); Letícia Parente (1930–1991); Wanda Pimentel (1943); Neide Sá (1940); Maria do Carmo Secco (1933); Regina Silveira (1939); Teresinha Soares (1927); Amelia Toledo (1926–2017); Celeida Tostes (1929–1995); Regina Vater (1943).

Chile
Gracia Barrios (1927); Sybil Brintrup and Magali Meneses (1954 and 1950); Roser Bru (Spain, 1923); Gloria Camiruaga (1941–2006); Luz Donoso (1921–2008); Diamela Eltit (1949); Paz Errázuriz (1944); Virginia Errázuriz (1941); Lotty Rosenfeld (1943); Janet Toro (1963); Eugenia Vargas Pereira (1949); Cecilia Vicuña (1948).

Colombia
Alicia Barney (1952); Delfina Bernal (1941); Feliza Bursztyn (1933–1982); María Teresa Cano (1960); Beatriz González (1938); Sonia Gutiérrez (1947); Karen Lamassonne (Estados Unidos, 1954); Sandra Llano-Mejía (1951); Clemencia Lucena (1945–1983); María Evelia Marmolejo (1958); Sara Modiano (1951–2010); Rosa Navarro (1955); Patricia Restrepo (1954); Nirma Zárate (1936–1999).

Costa Rica
Victoria Cabezas (Estados Unidos, 1950)

Cuba
Ana Mendieta (1948–1985); Marta María Pérez (1959); Zilia Sánchez (1928).

Estados Unidos
Judith F. Baca (1946); Barbara Carrasco (1955); Josely Carvalho (Brazil, 1942); Isabel Castro (Mexico, 1954); Ester Hernández (1944); Yolanda López (1942); María Martínez-Cañas (Cuba, 1960); Marta Moreno Vega (1942); Sylvia Palacios Whitman (Chile, 1941); Sophie Rivera (1938); Sylvia Salazar Simpson (1939); Patssi Valdez (1951).

Guatemala
Margarita Azurdia (1931–1998)

México
Yolanda Andrade (1950); Maris Bustamante (1949); Ximena Cuevas (1963); Lourdes Grobet (1940); Silvia Gruner (1959); Kati Horna (Hungary, 1912–2000); Graciela Iturbide (1942); Ana Victoria Jiménez (1941); Magali Lara (1956); Mónica Mayer (1954); Sarah Minter (1953–2016); Polvo de Gallina Negra (ativo 1983–93); Carla Rippey (Estados Unidis, 1950); Jesusa Rodríguez (1955); Pola Weiss (1947–1990); Maria Eugenia Chellet (1948).

Panamá
Sandra Eleta (1942)

Paraguai
Olga Blinder (1921–2008); Margarita Morselli (1952).

Peru
Teresa Burga (1935); Gloria Gómez-Sánchez (1921–2007); Victoria Santa Cruz (1922–2014).

Porto Rico
Poli Marichal (1955); Frieda Medín (1949).

Uruguai
Nelbia Romero (1938–2015); Teresa Trujillo (1937).

Venezuela
Mercedes Elena González (1952); Margot Römer (1938–2005); Antonieta Sosa (Estados Unidos, 1940); Tecla Tofano (Itália, 1927–1995); Ani Villanueva (1954); Yeni y Nan (ativo 1977–86).

EXHIBITION CIRCLE

Pela primeira vez em sua história, a Pinacoteca concebe um Exhibition Circle -- prática bastante comum nos EUA e na Europa para arrecadar fundos -- especialmente para esta exposição. Para a ocasião, o museu convidou 30 mulheres inspiradoras e pioneiras em suas áreas de atuação para colaborarem financeiramente na viabilização de Mulheres radicais. “Convidamos mulheres que refletem o espírito desta exposição e que, para nós, são fonte de admiração e merecem reconhecimento público. O grupo que chamamos carinhosamente de ´Mulheres Extraordinárias´ representa o engajamento e o pioneirismo feminino em diversas áreas da sociedade”, conta Paulo Vicelli, diretor de Relações Institucionais da Pinacoteca. Integra a lista de homenageadas: Adriana Cisneros, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, Catherine Petigás, Estrellita Brodsky, Luisa Strina, Fernanda Feitosa, Lygia da Veiga Pereira Carramaschi, Luiza Helena Trajano, entre outras.

CATÁLOGO

Mulheres radicais será complementada com um catálogo que inclui as biografias das mais de 120 artistas e mais de 200 imagens de obras da mostra além de outras de referência documental, ampliando o panorama deste mapeamento para além da exposição. A publicação original é a primeira a reunir uma extensa pesquisa sobre o tema e sua versão portuguesa editada pela Pinacoteca de São Paulo é a primeira a tornar este conteúdo acessível aos leitores da América Latina. Diferentemente da mostra, o catálogo é organizado por países acompanhados de ensaios de Fajardo-Hill e Giunta, assim como outros dez autores, como a curadora-chefe do Hammer Museum, Connie Butler, e a guatemalteca Rosina Cazali.

AÇÃO EDUCATIVA

Visitas educativas a partir do dia 25/08, domingos e feriados, 10h30 às 11h30 e 15h00 às 16h00 – Pina Luz
Não é preciso realizar inscrição prévia. O visitante pode procurar pelo educador na recepção do museu. Grupo de até 20 pessoas.
Para agendar uma visita educativa à exposição Mulheres Radiarias, por favor telefone para 11-3324-0943 ou 3324-0944.

Encontro para formação de professores e lançamento do material de apoio à prática pedagógica
01/09, das 10h00 às 13h00 – auditório – Pina Luz
Inscrições a partir de 20/08, pelos telefones 11-3324-0943/0944. 50 vagas.

Publicado por Patricia Canetti às 12:13 PM


David Almeida na Zipper, São Paulo

Em Paradeiro, próxima exposição do projeto Zip'Up, o artista David Almeida apresenta um novo conjunto de pinturas que tratam da paisagem na forma de fragmentos, retalhada de sua totalidade. Com curadoria de Ana Roman, a primeira do artista em São Paulo inaugura no dia 18 de agosto e segue em cartaz até 15 de setembro.

Brasiliense radicado em São Paulo, David parte da experiência do percurso pela cidade, interessando-se, em geral, por formas acidentadas vistas casualmente. Criadas a partir de imagens fotográficas, as pinturas quase sempre fogem da perspectiva horizontal. As situações são retratadas ora em um ângulo de cima para baixo ou vice-versa, evocando o olhar de um espectador que se depara com cenas invisíveis em meio ao excesso de elementos ao redor. “O termo ‘Paradeiro’ designa o local de fim, de chegada e de partida de algo. Nos trabalhos reunidos, David Almeida constrói uma espécie de narrativa sobre o fim, em imagens as quais os referentes pertencem a vivência e ao imaginário de todos, e que, ao mesmo tempo, apresentam-se como fragmentos de não-lugares. Acidentes geográficos, buracos, refúgios improvisados, nos quais a escala é objeto de questionamento do artista”, analisa a curadora.

Se em “Conduta de risco”, sua série anterior, o artista voltou-se mais para elementos como grades, muros e outras estruturas que remetem a um percurso interrompido, nestes trabalhos recentes o artista investiga fragmentos de paisagem natural, que ocorrem tanto nos ambientes rurais quanto urbano, e como eles evocam com dubiedade cenas sem uma localização específica que pairam em nosso imaginário.

David Almeida é um dos artistas indicados ao Prêmio Pipa 2018. Seu trabalho estabelece diálogos entre pintura, arquitetura, tempo e espaço. “Em determinado momento, um gatilho é desencadeado nas cenas e objetos que vejo. Eles se transformam em imagem e ocorre um estanque de qualquer narrativa. Me dou conta de que não sei nada sobre aquele lugar ou coisa e, então, entendo que existe pintura. É imagem, é espaço, mas também é superfície, cor, matéria, tempo, linguagem”, conta ele sobre seu processo.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes ainda não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos seis anos, somam mais de quarenta exposições e cerca de 60 artistas e 20 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

Sobre o artista

David Almeida (Brasília, 1989) vive e trabalha entre Brasília e São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, sua pesquisa se desenvolve por meio de múltiplas linguagens como desenho, objeto, fotografia, instalações, performance e, sobretudo, a pintura. Sua produção tem como eixo as problemáticas do espaço e do corpo em percurso, explorando a visualidade do espaço íntimo, do ateliê, da cidade e da paisagem natural. Investiga os limites entre presença e ausência, o espaço pictórico, elementos da pintura e sua semântica narrativa engendrando conceitos de clausura, fantasmagoria, rigidez social da arquitetura dos grandes centros e deriva como método de estudo de lugares marginais e da paisagem.

Sobre a curadora

Ana Roman é mestre em Geografia pela FFLCH-USP e doutoranda em Art History and Theory na Universidade de Essex. Dedica-se atualmente a pesquisa em arte contemporânea e curadoria. Foi curadora assistente da mostra "Entre Construção e Apropriação: Antonio Dias, Geraldo de Barros e Rubens Gerchman nos anos 60"(SESC Pinheiros, 2018) e pesquisadora/assistente de curadoria das mostras "Ready Made in Brasil"(Centro Cultural Fiesp, 2017), "rever_Augusto de Campos” (Sesc Pompeia, 2016) , “Lina Gráfica” (Sesc Pompéia, 2014), entre outras. Curou a mostra "Asseidade da fenda˜, de David Almeida (Centro Cultural Elefante - Brasília, 2016) e dedica-se regularmente a escrita de textos críticos. Desde 2014, participa do coletivo sem título, s.d., coletivo de produção e pesquisa em arte contemporânea, com o qual realizou a mostra “O que não é performance?”, (Centro Universitário Maria Antonia, 2015) e a mostra ˜Tuiuiu"de Alice Shintani (ABER, 2017).

Publicado por Patricia Canetti às 11:27 AM


Romy Pocztaruk na Zipper, São Paulo

Em sua primeira individual na Zipper, a artista Romy Pocztaruk, que passa a ser representada pela galeria, apresenta a série Bombrasil, uma investigação fotográfica e documental sobre o desdobramento no Brasil da corrida armamentista nuclear durante a Guerra Fria. O projeto paralelo, conduzido secretamente pela Ditadura Militar entre as décadas de 1960 e 1980, buscava o desenvolvimento de tecnologia para enriquecimento de urânio, construção de bomba atômica e de um submarino atômico no país. Dele, resultou a construção das usinas nucleares em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que foram fotografadas pela artista. Romy também visitou outros locais relacionados ao programa nuclear brasileiro, como o Reator Argonauta e os arquivos da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

Com curadoria de Luisa Duarte, “Bombrasil” abre no dia 18 de agosto. O momento é particularmente oportuno: recentemente, o governo Michel Temer anunciou a retomada do programa nuclear brasileiro, que prevê a construção de novas usinas termonucleares e o aumento da exportação de urânio. A individual de Romy reúne fotografias da artista realizadas nas instalações das usinas, em composições com imagens dos arquivos da CNEN. Também apresenta cartazes que reproduzem manchetes sobre programa atômico brasileiro após o final da ditadura.

A ideia de jornada é recorrente na produção da artista, que costuma se envolver em longas pesquisas investigativas. Ela percorre geografias distantes para registrar os vestígios de lugares abandonados que foram, um dia, projetos faraônicos. Tal como em “A última aventura”, série em que Romy registra os vestígios da construção da rodovia Transamazônica, o trabalho “Bombrasil” revisita outra face do projeto desenvolvimentista da Ditadura Militar. Ambos trazem consigo a ideia de inserir o país em uma rota de modernidade. “Estes grandes projetos carregam uma utopia. Me interessa a criação do imaginário político, social e econômico sobre o que é o Brasil. Ao revisitar os projetos da ditadura, podemos entender muito sobre o nosso presente. São projetos ocultos, quase esquecidos”, a artista afirma.

A concepção expográfica de “Bombrasil” é baseada na mostra “Átomos para Paz”, realizada em 1959 pelos governos americano e brasileiro para divulgação pacífica da energia nuclear no Brasil. O programa, desenvolvido pelos EUA após os ataques a Hiroshima e Nagazaki, tinha a finalidade de criar uma nova imagem do desenvolvimento atômico em curso na época. O discurso da exposição buscava distanciar a ciência da ideia da guerra, promovendo a imagem dos EUA associada às vantagens da nova fonte de energia, ao divulgar informações sobre suas aplicações na pesquisa científica, indústria e saúde.

“Bombrasil” fica em cartaz até 15 de setembro.

Sobre a artista

Em diversos suportes, Romy Pocztaruk (Porto Alegre, 1983) lida com simulações, refletindo sobre a posição a partir da qual a artista interage com diferentes lugares e com as relações entre os múltiplos campos e disciplinas com a arte. Diversas vezes premiado, o trabalho da artista está presente em coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu de Arte do Rio. Com a série “A Última Aventura”, em que a artista investiga vestígios materiais e simbólicos remanescentes da construção da rodovia Transamazônica, projeto faraônico, utópico e ufanista relegado ao abandono e ao esquecimento, Romy participou da 31ª Bienal de São Paulo. Principais exposições individuais: “Geologia Euclidiana”, Centro de Fotografia de Montevideo, Uruguai (2016); “Feira de ciências”, Centro Cultural São Paulo (2015). Principais exposições coletivas: “Uma coleção Particular: Arte contemporânea no acervo da Pinacoteca”, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo (2015); “Télon de Fondo”, Backroom Caracas, Venezuela (2015); “BRICS”, Oi Futuro, Rio de Janeiro (2014); “POROROCA”, Museu de Arte do Rio de Janeiro (2014); “9ª Bienal do Mercosul”, Porto Alegre (2013); “Region 0”, The Latino Video Art Festival of New York, New York (2013); “Convite à viagem: Rumos Itau Cultural”, Itau Cultural, São Paulo (2012).

Sobre a curadora

Luisa Duarte é crítica de arte e curadora independente. É crítica de arte do jornal O Globo, desde 2009. Mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP. Doutoranda em teoria da arte pela UERJ em 2017. Foi por cinco anos membro do Conselho Consultivo do MAM-SP (2009-2013). Foi curadora do programa Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural (2005/ 2006); Foi coordenadora geral do ciclo de conferências "A Bienal de São Paulo e o Meio Artístico Brasileiro - Memória e Projeção", plataforma de debates da 28ª Bienal Internacional de São Paulo, 2008; Foi curadora de quatro edições do Red Bull House of Art, projeto de residências artísticas e mostras no centro de São Paulo voltado para artistas em começo de trajetória, 2009/2010; Foi curadora da exposição coletiva "Um Outro Lugar", MAM - SP, 2011; integrou a equipe de curadoria de Hans Ulrich Obrist para a mostra “The Insides are on the Outside”, Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, São Paulo, 2013; Foi organizadora, em dupla com Adriano Pedrosa, do livro ABC – Arte Brasileira Contemporânea, Cosac & Naify, 2014. Foi organizadora, em dupla com Pedro Duarte, do Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin, MAR - Museu de Arte do Rio de Janeiro, 2016.

Publicado por Patricia Canetti às 11:16 AM


agosto 10, 2018

Sessão comentada do filme Grupo de Bagé e lançamento do projeto O Poder da Multiplicação no Goethe-Institut, Porto Alegre

Goethe promove sessão comentada do filme Grupo de Bagé e lança projeto sobre a arte da gravura

Em sessão única e com entrada franca, documentário de Zeca Brito sobre artistas gravadores será comentado pelo diretor, o jornalista Francisco Dalcol e o historiador Paulo Gomes, com mediação da pesquisadora Maria Amélia Bulhões. Na ocasião, será lançado o projeto O Poder da Multiplicação, que terá início em setembro.

15 de agosto de 2018, quarta-feira, às 19h

Goethe-Institut
Rua 24 de Outubro 112, Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS

O Instituto Goethe exibe no dia 15 de agosto (quarta-feira), às 19h, o longa-metragem Grupo de Bagé, de Zeca Brito. A entrada é franca, com distribuição de senhas a partir das 18h. A sessão única será seguida de debate com o diretor, o jornalista Francisco Dalcol e o historiador Paulo Gomes, com mediação da pesquisadora Maria Amélia Bulhões. Na ocasião, será lançado o projeto O Poder da Multiplicação, realizado pelo Goethe a partir de setembro e que vai refletir sobre as questões da reprodução na arte. O projeto inclui exposição com 14 artistas brasileiros e alemães, website, atividades paralelas e um videogame (saiba mais abaixo).

O documentário narra a história e o legado do Grupo de Bagé - movimento artístico do RS surgido nos anos 1940, protagonizado pelos pintores e gravadores Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues, Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves. Realizado pela Anti Filmes e Boulevard Filmes, o longa apresenta depoimentos de teóricos como Néstor García Canclini e Nicolas Bourriaud, e de artistas plásticos, que incluem Anico Herskovits e Cildo Meireles, entre outros, que investigam a trajetória do grupo. "Partimos de uma recuperação biográfica e histórica do Grupo de Bagé, a contextualização artística, cultural e política da região em que viviam à época", relembra o diretor, que também assina o roteiro (junto com Gladimir Aguzzi) e a produção, com Letícia Friedrich, Frederico Ruas e Lourenço Sant'Anna.

"Buscamos recuperar e compreender os elementos que estabeleceram as condições para que os jovens artistas alcançassem uma identidade estética própria e, cada um a sua maneira, conduzissem os ideais e as características artísticas e políticas do grupo que criaram", resume Brito. Para o cineasta, o Grupo de Bagé fez da gravura uma maneira de popularizar a arte, com temáticas realistas e de denúncia social. Um dos temas de destaque do documentário é a apropriação do trabalho do grupo pelo sistema das artes brasileiras, do pampa gaúcho aos palácios de Brasília.

Radicado em Porto Alegre e natural de Bagé, Zeca Brito (32) roteirizou e dirigiu diversos curtas-metragens, com destaque para "Aos Pés" e "O Sabiá". Estreou em longa-metragem em 2011 com o drama "O Guri"; em 2015 lançou o documentário "Glauco do Brasil" (39ª Mostra de SP). É diretor dos longas "A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro" e "Em 97 Era Assim" (Melhor Filme do 2º The Best Film Fest/Seattle - EUA), lançados este ano. Dirigiu também o drama histórico "Legalidade" (em pós-produção), com previsão de lançamento para 2019. Brito é o idealizador e diretor do Festival Cinema da Fronteira de Bagé, que chega à sua 10ª edição este ano.

Ficha Técnica

Título Original: Grupo de Bagé
Ano de Produção: 2018
País de Produção: Brasil
Gênero: Documentário
Duração: 75 min.
Classificação Indicativa: Livre
Empresas Produtoras: Anti Filmes & Boulevard Filmes
Empresa Coprodutora: Canal Curta
Estado (UF): RS
Equipe
Diretor: Zeca Brito
Roteirista: Gladimir Aguzzi & Zeca Brito
Diretor de Fotografia: Pablo Escajedo
Produtor Executivo: Zeca Brito & Letícia Friedrich
Produtor: Letícia Friedrich, Zeca Brito, Frederico Ruas e Lourenço Sant'Anna
Editor: Frederico Ruas & Jardel Machado Hermes
Câmera: Pablo Escajedo
Câmera adicional: Bruno Polidoro & Eduardo Bertier
Som Direto: Maria Elisa Dantas & Letícia Friedrich
Mixagem: Tiago Bello
Pesquisa: Zeca Brito
Entrevistados: Ailema Bianchetti, Alan Silva, Alberto Híjar Serrano, Angélica de Moraes, Anico Herskovits, Antônio Lessa, Carlos Henrique Silva , Cildo Meireles, Claudio Strinati, Cristovam Buarque, Danúbio Gonçalves, Deny Bonorino, Edy Lima, Eunice Scliar, Evelio Álvarez Sanabria, Felipe Chaimovich, Fernando Cocchiarale, Francisco Mortales, Franscisco Javier Calvo Sánchez, Heloísa Beckman Morgado, Helouise Costa, Josué David Espejel, Julián Castruita Morán, Lara Denise, Luiz Coronel, Marcelo de Sá de Sousa , Mariel Ketzal Villanueva Rivas, Néstor García Canclini , Norma Estelita Pessôa, Norma Vasconcelos, Regina Lamenza, Renata Casatti, Rolf Külz-Mackenzie, Romério Rômulo, Santiago Pérez Garci , Sapiran Brito, Sergio Rizo Dutra, Teresa Poester, Valeria Piccoli, Victor Rizo García.
Sinopse longa: O Grupo de Bagé foi um movimento artístico surgido no Rio Grande do Sul dos anos 40, protagonizado pelos pintores e gravadores Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues, Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves. Ligados ao Taller de Gráfica Popular do México e ao Partido Comunista, fizeram da gravura uma maneira de popularizar a arte, com temáticas realistas e de denúncia social. O documentário revela a apropriação destes artistas pelo sistema das artes brasileiras, do pampa gaúcho aos palácios de Brasília. Teóricos como Néstor García Canclini e Nicolas Bourriaud, e artistas como Anico Herskovits e Cildo Meireles investigam a trajetória dos artistas de Bagé.
Sinopse curta: O Grupo de Bagé foi um movimento artístico surgido no Rio Grande do Sul dos anos 40, protagonizado pelos pintores e gravadores Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues, Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves.

Sobre o projeto O Poder da Multiplicação

O projeto O Poder da Multiplicação - Arte reprodutível na América do Sul e na Alemanha: do pré-digital ao pós-digital ou da gravura, passando pelo xerox, até o 3D é uma contribuição artístico-teórica à reflexão sobre a questão da reprodução hoje em dia. Trinta anos após o surgimento dos meios digitais, com os quais o acesso à informação e à reprodução (Copy & Paste) se tornaram naturais, questões a respeito dos fundamentos estruturais, da possibilidade da reprodução e de seus conteúdos voltam a ser discutidas. Os 14 artistas contemporâneos do Rio Grande do Sul e da Alemanha apresentados na exposição - que será apresentada no MARGS, em setembro - lidam com essas questões de maneiras muito diferentes. (ler texto do curador)

O projeto conta com um site, uma exposição que será realizada no Brasil e na Alemanha, além de atividades paralelas, como visitas guiadas e debates, catálogo e um videogame, desenvolvido por um grupo de pesquisa da Universidade Federal, complementará a exposição, discutindo de maneira lúdica questões em torno da reprodutibilidade. Ensaios, entrevistas, fotos e vídeos no site www.aura-remastered.art oferecem a possibilidade de um aprofundamento no assunto e na análise das obras exibidas.

A exposição será realizada no MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre/RS, de 11 de setembro a 11 novembro de 2018. Em 2019, a exposição segue para o Leipziger Baumwollspinnerei, em Leipzig/Alemanha, onde permanece em cartaz de 28 de fevereiro a 24 de março.

Artistas: Carlos Vergara, Brasil - Flavya Mutran, Brasil - Hanna Hennenkemper, Alemanha - Helena Kanaan, Brasil - Hélio Fervenza, Brasil - Marcelo Chardosim, Brasil - Olaf Holzapfel, Alemanha - Ottjörg A.C. , Alemanha - Rafael Pagatini, Brasil - Regina Silveira, Brasil - Vera Chaves Barcellos, Brasil - Thomas Kilpper, Alemanha - Tim Berresheim, Alemanha - Xadalu, Brasil - O jornal como obra de arte: edições especiais jornais diários alemães Süddeutsche Zeitung, Frankfurter Allgemeine Zeitung e Die Welt, criadas por artistas como Anselm Kiefer, Jenny Holzer, Sigmar Polke, Gerhard Richter, Georg Baselitz, também farão parte da exposição.

Curador: Gregor Jansen, Alemanha
Conselheiros: Paulo Gomes, Francisco Dalcol, Andreas Schalhorn
Produção: Goethe-Institut Porto Alegre

O projeto é realizado pelo Goethe-Institut Porto Alegre com a colaboração de parceiros locais e da Europa, como MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, UFRGS -Instituto de Artes, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Museu do Trabalho, Associação Cultural Vila Flores e Leipziger Baumwollspinnerei.

Publicado por Patricia Canetti às 11:33 AM


Iole de Freitas na Raquel Arnaud, São Paulo

A mostra - Iole de Freitas: Obras dos anos 70, que ocupa o piso acervo da galeria, destaca as sequências fotográficas e filmes experimentais que Iole de Freitas produziu ao longo de sua estadia na Itália, de 1970 a 1978. Entre as sequências fotográficas estão: My three inches Comet, Magnetismo Urano e Jump to the other side and win a red kimono, Introvert/ Penetrate, todos de 1973, e a Série Glass Pieces, Life Slices, de 1974. Elas registram a interação da artista com espelhos, vidros, peças de metais e tecidos em seu estúdio, para refletir sobre imagens bidimensionais, espaço e temporalidade. Nessa fase a representação do corpo surge como tema principal. Iole de Freitas se fotografava e filmava, sempre dominando o foco e o timing, o que tornava a produção um exercício intenso físico e mental.

Essas questões são igualmente abordadas nos filmes em Super-8, outra plataforma utilizada experimentalmente pela artista durante os anos 70. Estarão na exposição: Elements e Light work de 1972 e Exit de 1973. Esses trabalhos marcaram presença na vanguarda europeia, exibidos na Bienal de Paris de 1975, no FrankfurtKunstverein, e na Galeria Grita Insam em Viena em 1976 e no Studio Marconi em Milão em 1978. Retornando ao Brasil em 1978, parte dessa produção em fotografia e Super-8 foi apresentada pela Galeria Arte Global, espaço dirigido por Raquel Arnaud desde a inauguração, em 1973, até 1980, quando abre seu próprio gabinete de arte.

Além das obras e filmes, a exposição contará com documentos da época e cartazes de exposições realizadas na Europa. Ao destacar os filmes e a produção fotográfica dos anos 70, a exposição vai além do resgate dessa importantíssima fase do trabalho de Iole de Freitas. Apresenta também os meios que lhe permitiram traçar as características e preocupações que viriam permear toda sua obra dali em diante: movimento, leveza e velocidade, transparência e translucidez.

Iole de Freitas (1945, Belo Horizonte (MG), vive e trabalha no Rio de Janeiro) participou de importantes mostras internacionais, como 9ª Bienal de Paris, 15ª Bienal de São Paulo, 5ª Bienal do Mercosul e da Documenta 12, em Kassel, Alemanha. Além de individuais e coletivas em várias cidades do mundo, seus trabalhos integram importantes coleções, entre as quais, MAC – Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; MAM – Museu de Arte Modernade São Paulo; Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Museu de Belas Artes, RJ;Museu do Açude, RJ; MAM- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; MAR-Museu de Arte do Rio; Bronx Museum (EUA); Winnipeg Art Gallery (Canadá); e Daros Foundation (Suíça).

Publicado por Patricia Canetti às 10:42 AM