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julho 19, 2017

Botner & Pedro na Gentil Carioca, Rio de Janeiro

Colcha de retalhos é costura, restos tecidos por uma ou mais pessoas enquanto a memória conversa.

O cinema sempre foi montagem, tesoura, corte e cola na tentativa de implicar a memória do espectador em fios narrativos. “A memória é como uma ilha de edição” (Wally Salomão).

Como no cinema dos primeiros tempos, Marcio Botner e Pedro Agilson sempre fixaram o fragmento de um filme expandindo o efeito de movimento na fotografia entre planos intermitentes.

Na instalação Abrigo os artistas celebram o cinema como acolhimento.

Abrigo, como em Gimme Shelter dos Rolling Stones, hospeda os medos, as fantasias e os conflitos do visitante. E nós cada vez mais editados como Frankensteins permanecemos suspensos nas asas de nossos desejos.

O olho do artista funciona como o nó de uma rede de relações de um plano acentrado em que o sentido das imagens se multiplicam envolvendo o espectador nas várias superfícies de imagens estendidas.

00 olhar
01 amor e sexo
02 celebração
03 conflitos
04 medos e fantasmas
05 ser ou não ser
06 sonhos e fantasias
07 viver

O olho sempre no centro como marca daquele que vê e que é visto e que sobretudo vigia todos os filmes que passaram, que passarão, enquanto estamos ao abrigo da duração suspensa a nos acolher. Como em uma colcha de retalhos de memórias do cinema projetadas no escuro das salas iluminadas por um fio de luz que insiste em passar uma imagem de cada vez.

Publicado por Patricia Canetti às 9:18 PM


Visita Dialogada em Do Abismo e Outras Distâncias na Mamute, Porto Alegre

Visita Dialogada com a curadora Bruna Fetter e artistas da mostra coletiva do "abismo e outras distâncias"

A Galeria de Arte Mamute promove, dia 20 de julho, a partir das 19h, Visita Dialogada com a curadora Bruna Fetter e artistas representados da Mamute, na mostra coletiva Do Abismo e outras distâncias. O evento propõe estabelecer, através de trocas descontraídas e um passeio entre as obras da exposição "Do Abismo e outras distâncias", um diálogo reflexivo a respeito das questões exploradas pela curadoria e poéticas dos artistas. A atividade integra a exposição coletiva "Do Abismo e Outras Distâncias", que comemora os cinco (5) anos da Galeria de Arte Mamute e exibe obras inéditas dos seus dezoito (18) artistas representados.

Na visita, a curadora da mostra Bruna Fetter conduzirá o público entre as obras, e juntamente com os artistas participantes - Antônio Augusto Bueno, Bruno Borne, Claudia Barbisan, Claudia Hamerski, Clovis Martins Costa, Dione Veiga Vieira, Emanuel Monteiro, Fernanda Gassen, Frantz, Hélio Fervenza, Hugo Fortes, Grupo Ío, Letícia Lampert, Marília Bianchini, Mariza Carpes, Pablo Ferretti, Patrícia Francisco e Sandra Rey – trarão a público o processo curatorial, o conceito de construção da mostra, bem como o processo de criação dos artistas para produção das obras expostas.

Publicado por Patricia Canetti às 9:00 PM


Voragem na Amparo 60, Recife

Nova exposição da galeria, com curadoria de Eder Chiodetto, discute o apagamento das pessoas que vivem à margem

A Galeria Amparo 60 recebe, a partir do próximo dia 22 de julho, a sua segunda exposição coletiva deste ano, intitulada Voragem, em sua nova casa no Edifício Califórnia. A mostra, que tem curadoria de Eder Chiodetto, reúne tanto artistas que fazem parte do casting (Bárbara Wagner e Benjamin de Búrca, Gilvan Barreto, José Paulo, Lourival Cuquinha, Paulo Bruscky e Isabella Stampanoni), como outros convidados especialmente para essa ocasião (André Hauck, Ivan Grilo, Jonathas de Andrade).

Chiodetto conta que já havia trabalhado em outras exposições cujos artistas participantes refletiam sobre a relação entre o poder institucionalizado e as pessoas mais desassistidas. Mas o atual momento vivido no Brasil foi o impulso para conceber Voragem para a Amparo 60. O nome da mostra remete aos redemoinhos que se formam nas águas, arrastando tudo para baixo, de forma truculenta. “O nome Voragem vem justamente desses ciclos de movimentos à direita, à esquerda, instantes de maior liberdade civil e tolerância racial, religiosa, comportamental e outros momentos de refluxos que levam parte dessas conquistas para trás sob a sombra do obscurantismo”, explica o curador.

O ponto de partida foi a obra Postcards from Brazil, de Gilvan Barreto, que ganhou recentemente o Prêmio Pierre Verger. A obra mapeia as belezas naturais que serviram de cenário para crimes da ditadura militar e toda a sua violência institucionalizada, a tortura e o desaparecimento de corpos. "Gilvan trabalha de modo contundente a forma dissimulada com a qual os brasileiros lidam com o passado, especialmente com os assassinatos cometidos durante o período da ditadura militar. A série propõe imagens muito bem articuladas, capazes de expor as feridas do mal estar histórico que continuamente voltam a cobrar uma tomada de posição, uma coerência, uma reflexão sem concessões", diz Chiodetto.

Partindo da ideia de apagamento, ocultação e esquecimento, o curador foi em busca de artistas cujos trabalhos trouxessem esse debate social e político. Esses corpos que não importam, que são esquecidos e marginalizados, estão presentes na mostra, ainda que não apareçam diretamente. Os trabalhos reunidos apontam que, apesar deles não encontrarem legitimação social, de serem excluídos, eles não desaparecem.

“Ao ocultar os corpos o silêncio ficou ensurdecedor. O grupo de trabalhos é muito incômodo. Não se trata de uma exposição contemplativa, é um barril de pólvora com o pavio aceso e alguns coquetéis molotov à espreita. Falamos do ocaso da política, do diálogo, da mediação, da temperança”, reflete Chiodetto.

AMPARO 60 CALIFÓRNIA

Desde março, a Galeria Amparo 60 funciona na sobreloja do Edifício Califórnia. A estreia do novo espaço aconteceu com a exposição coletiva Evoé, que reuniu obras dos mais de 30 artistas do casting e ficou em cartaz até o fim de junho. A galerista Lúcia Costa Santos acredita que esse novo espaço consegue integrá-la ainda mais à cidade e aos mais diversos públicos. “Teremos um espaço mais enxuto, porém com um maior diálogo com a cidade, num ponto onde circulam mais pessoas. O projeto arquitetônico é mais moderno e prático, facilitando o funcionamento diário da galeria. Estamos agregando cultura e arte num espaço interessante do Recife”, diz.

Publicado por Patricia Canetti às 11:36 AM


julho 17, 2017

Miragens no CAHO, Rio de Janeiro

Que cidades uma cidade abriga? Que imagens nos aguardam após a esquina, que cheiros exalam de ruas, casas e corpos? Que histórias nos contam e esquecem seus muros e porões? De diásporas dos povos que aqui chegaram e de acolhidas, de violências e miragens, de sonhos e desenganos? Quantas línguas são faladas por aquelas ruas, lojas, casas? Quantas escritas tecem os relatos das vidas que a habitam? Que céus a cobrem ou se quedam? Que chãos se levantam e se abrem? Que ritmos a aceleração da vida, as rotinas diárias e o acaso produzem na cidade e se imiscuem nos tempos coletivos e individuais? Que encontros acontecem na distração das massas, no anonimato e impessoalidade dos espaços de passagem, nas trocas comerciais, na ausência de lugar? Quantas margens desafiam o centro? Quantos centros possuem a margem? Que horizontes nos prometem e nos frustram? Quantas Babilônias e Jerusaléns, Babéis e Juazeiros, Atlântidas e Cidades proibidas guardam esta cidade? Que altares e tambores, Édens e terreiros a guardam?

Miragens tem como mote de investigação a Saara e adjacências, região em que o Centro de Artes Hélio Oiticica se localiza. Traz, por meio de pinturas, objetos e instalações, a invasão da cidade para o espaço expositivo; traz suas desordens e poesia, seus conflitos e negociações, suas imagens e suas contradições. A exposição reúne obras de 7 artistas realizadas especialmente para a mostra. Estes enfrentam, cada um a seu modo, as inquietações que perpassam e enlaçam e a vida contemporânea e a prática pictórica: no colapso e reenlace entre imagens e narrativas, nos transtornos de tempo-espaço, nas relações entre público e privado, as formas de vida, nos sistemas de trocas, etc.

Para alguns (Rafael Prado, Fernanda Leme, Talita Tunala, Jean Araújo), trata-se de se apropriar e retirar as imagens do fluxo vertiginoso e do imediatismo com que as consumimos. São imagens colhidas da percepção cotidiana (por desenhos ou fotografias), de sua imaginação, dos resíduos da memória, ou de filmes e das redes sociais. À artesania da pintura associam-se a montagem e a edição do cinema e de tecnologias eletrônicas. São fragmentos visuais e narrativos, superfícies-testemunho de encontros e histórias (talvez improváveis) a serem contadas; mas são, também, a um só tempo, a interrupção das narrativas usuais e obstrução nos fluxos das imagens condicionantes.

Para outros (Gilberto Martins, Cláudia Lyrio, Eduardo Garcia), dá-se o inverso: objetos e mercadorias do Saara, pigmentos em processos alquímicos, couros e terras - as coisas em sua concretude invadem o universo da arte, como se buscassem a carne da imagem, a pele do mundo, o olho que a tateia. Por vezes são uma inserção virótica nos sistemas de troca (de capital, imagens e informações) e de comunicação, causando pequenas panes em suas engrenagens e conexões. Buscam o apagamento das tagarelices vãs que não cessam de ecoar. Um quase silêncio como exigência de sobrevivência.

O título Miragens suscita em sua dupla acepção as questões que atravessam a exposição: as cidades veladas e subjacentes sob a ótica da pintura (o espelho e a ficção). “Miragem” ou “espelhismo” é o efeito óptico produzido pela reflexão da luz solar que ocorre nas horas mais quentes, especialmente nos desertos e rodovias e alto-mar, em que por vezes se refletem imagens. Mas miragem é também ilusão, quimera, sonho.

ARTISTAS

Cláudia Lyrio - Pintora e gravadora. Mestre em Literatura e especializada em História da Arte. Participou de diversas exposições, entre as quais, "Além da Imagem" (Sem Título Arte/Fortaleza CE), "Imersões"(Casa França Brasil), 1ªBienal de Gravura e Arte Impressa (Museu Emílio Caraffa - Córdoba/Argentina) e dos Salões de Vinhedo, Guarulhos e Rio Claro.Pesquisa processos de expansão das linguagens Pintura e Gravura.

Eduardo Garcia - Artista Visual e economista. Em seus trabalhos investiga as operações pertencentes e decorrentes dos sistemas econômicos e financeiros do capitalismo contemporâneo. Entre as exposições que participou: “Além da Imagem”, na Sem Título Arte (Fortaleza); “Imersões”, na Casa França – Brasil e “Intersecção de Conjuntos”, no Espaço Saracura (Rio de Janeiro). De Uberlândia, vive e trabalha em Niterói.

Fernanda Leme - Artista e arquiteta pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula–RJ. Ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV-RJ), em 2009 se dedicando à pintura. Entre as exposições que participou: 2017-"Abre-Alas "- A Gentil Carioca; "Imersões " na Casa França Brasil; " Mais Pintura" centro cultural da Justiça Federal –RJ. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde nasceu.

Gilberto Martins - Artista visual e advogado. Formação em Arte no MAM/RJ, EAV - Parque Lage e Casa França-Brasil. Entre as exposições que participou: individual em 2016 na Sala Djanira (RJ); coletivas em 2017 na Casa França-Brasil e na Sem Título Arte (Fortaleza); em 2016 no Solar dos Abacaxis (RJ) e na EAV - Parque Lage.

Jean Araújo - Artista visual. Graduando em Artes Visuais pela UCAM (RJ). Entre suas exposições, destacam-se: individual “Nada mais me importa” no (Espaço Furnas Cultural, RJ); coletivas, “Imersões” na Casa França Brasil(RJ); Salão de Artes Visuais de Vinhedo (SP); 23º Salão de Artes Visuais de Mococa (SP), Programa de Exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto (SP); “Além da Imagem” na Sem Título Arte em Fortaleza(CE). Nasceu em Vitória da Conquista (BA), vive e trabalha em Niterói (RJ).

Rafael Prado - Artista visual e designer Gráfico. Formação em Artes na EAV - Parque Lage (curso com Charles Watson e outros) e Casa França-Brasil. Entre as exposições que participou: 2017 coletiva "Imersões" na Casa França Brasil (RJ) e “Além da imagem” na Sem Título (Fortaleza); em 2016 no Salão do MARP. Nasceu em Porto Velho, Rondônia; vive e trabalha no Rio de Janeiro desde 2013.

Talita Tunala - Artista e psicóloga vem participando de exposições desde 2014. Em 2017 participou das exposições coletivas "Imersões" na Casa França Brasil/RJ e "Além da Imagem" na Sem Título Arte em Fortaleza/CE. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, onde nasceu.

CURADORA

Marisa Flórido Cesar - Crítica de arte e curadora independente, Prof adjunta do Instituto de Arte da UERJ. Publicou livros e textos sobre artes visuais no Brasil e exterior. Realizou curadorias no país e exterior. Vive no Rio de Janeiro, onde nasceu.

Publicado por Patricia Canetti às 10:12 AM


Leonardo Mouramateus na Sem Título Arte, Fortaleza

Primeira exposição individual de Leonardo Mouramateus. Abertura dia 18 de julho, às 19 horas, na Sem Título Arte

Leonardo Mouramateus - Embaralhando os planos: o cinema de Mouramateus, Sem Título Arte, Fortaleza, CE - 19/07/2017 a 18/08/2017

Expor o cinema de Leonardo Mouramateus nas paredes da galeria é antes de tudo produzir o diálogo entre o cinema e as artes visuais. Fazer do espaço expositivo lugar de encontros para as múltiplas formas do cinema se deixar ver. Afinal, o cinema, que tem por marco inicial o século 19, não nasceu na sala escura. Foi a indústria cinematográfica que padronizou não apenas as salas de exibição como dispositivo arquitetônico mas, sobretudo, impôs a experiência cinema, definindo assim um modo industrial de sentir o mundo.

Nos primeiros cinemas, até a virada do século 20, não havia uma forma padronizada de exibição, nem mesmo um modelo de produção. O quinetoscópio, aparelho criado por Thomas Edson, exibia cinema em visores únicos e individuais que eram projetados em loop e por trás de uma pequena tela. O loop, esse modo de exibição em tempo continuo, sem pausa, e em múltiplas metragens, não entrou na sala da indústria. O intervalo entre as sessões dos filmes passou a ser um modo dominante para a operação comercial.

O cinema de padrão industrial criou uma tipologia de longa-metragem e um modo de fruição em sala fechada e escura, com projeção que não se deixa ver, uma tela como aparato de rebatimento virtualizado e a constituição de um mundo aparte, uma ilha de ilusões óticas e sonoras. Os filmes de artistas, os cinemas experimentais, por sua vez, chamaram para si as múltiplas experiências que as imagens em movimento e som possibilitam. Sem métrica nem forma, é no campo das experiências de artistas que imagem e som viram matéria de reinvenção.

As múltiplas telas, os vários projetores, as projeções frontais ou por trás, as imagens em fusões, superposições, em janelas simultâneas fundaram os primeiros cinemas e dão a ver seus rasgos estéticos na produção contemporânea.

O que se inscreve em Embaralhando os planos, a primeira exposição individual reunindo trabalhos de Leonardo Mouramateus, é uma forma de fissurar seus filmes em planos. Decompor e afastar suas partes para traçar outros cruzamentos possíveis. É um método de leitura do seu mundo-cinema, de suas insistências: a presença de sua própria voz; a disputa dos corpos; a embriaguez dos retratos; a ocupação do território; sua inserção na cena como um quase-comentário. É ainda um modo de colocar em diálogo através da remontagem os filmes entre si, fazendo roçar um pedaço no outro. Como no cinema aberto do início das imagens em movimento, quando os filmes chegavam aos pedaços, em rolos de fitas separados, a exposição como gesto do projecionista a embaralhar seus planos.

No cinema de Leonardo Mouramateus, o mundo jorra seus detritos nas entranhas do morar, na árvore mutilada, na destruição do espaço urbano, entre os cães que ocupam as ruas. Mas a festa empurra esse mundo para dimensões paralelas. Entre corpos que lutam e dançam e as montanhas da destruição que faz cenário, Mouramateus encontra pistas para permanecer em si inventando, se colocando na frente da tela metálica e desnuda do outdoor, que diz muito do seu próprio cinema. É esse cinema que luta e dança, como uma mesma linha de força, que trapaceia a ordem do mundo nos rostos de seus personagens, que Leonardo Mouramateus desloca tudo quanto teima imobilizar-se e que produz nos corpos regimes de pulsação.

Leonardo Mouramateus (1991, Brasil) é artista e realizador de dezenas de curtas-metragens. Os filmes “Mauro e Caiena” (2013) e “A Festa e os Cães” (2015) são vencedores do festival “Cinéma du Réel”, França. Mouramateus vive hoje em Lisboa e seus trabalhos foram expostos em museus tais como Centro Georges Pompidou, em Paris, e Museu de Arte de São Paulo. Em 2015, a Cinemateca Francesa apresentou uma retrospectiva da obra fílmica do realizador cearense. Ele integra o coletivo Praia à Noite. "Antonio, Um, Dois, Três” (2017), inédito no Brasil, marca sua estreia em longas-metragens.

Os Filmes
História de uma pena;
A festa e os cães;
Vando vulgo vedita;
Fui à guerra e não te chamei;
Lição de esqui;
Lagoa Remix;
Estrela distante;
Completo Estranho;
Mauro em Caiena;
Charizard;
Europa.

Publicado por Patricia Canetti às 9:04 AM