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fevereiro 20, 2017

Ibram abre chamada para parcerias nacionais durante a Semana de Museus 2017

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) abriu chamada para a realização de parcerias, sem repasse de recursos financeiros, com empresas públicas e privadas com foco na promoção e divulgação da 15ª Semana de Museus – programada para acontecer entre os dias 15 e 21 de maio de 2017.

Empresas de aviação civil do Brasil, de fabricação de artigos de vestuário, assim como empresas de telefonia móvel e de mídia indoor são de interesse para a formação de parcerias, com intuito de divulgação do evento junto a seus públicos por meio de produtos e serviços.

A contrapartida do Ibram será feita com a inclusão das logomarcas das empresas apoiadoras em todo o material de divulgação produzido para a Semana de Museus 2017, destinado a todos os museus brasileiros e instituições participantes da temporada nacional, assim como no Guia de Programação - disponibilizado digitalmente para o público brasileiro. Acesse a chamada de parcerias na íntegra.

As empresas interessadas devem entrar em contato com o Ibram, até o dia 24 de fevereiro, pelo telefone (61) 3521. 4112 ou pelo endereço eletrônico semana@museus.gov.br. Uma ou mais empresas poderão ser parceiras, de acordo com o escopo das ações de promoção e divulgação.

Atualmente, o Ibram tem mapeados cerca de 3,6 mil museus no Brasil. Em média, 1.260 instituições participam anualmente da Semana de Museus, que completa 15 anos em 2017.

As inscrições online de atividades para a 15ª Semana de Museus estão abertas até 3 de março. O tema para esta edição é Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus.

Publicado por Patricia Canetti às 11:38 PM


Projeto Latitude apoia participação de 12 galerias brasileiras na feira ARCOmadrid 2017

Projeto Latitude apoia participação de 12 galerias brasileiras na feira de arte espanhola ARCOmadrid 2017

Por meio de uma parceria entre a ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea e a Apex-Brasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o Projeto Latitude – voltado à internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea – apoia a participação de doze galerias brasileiras na Espanha durante a realização da prestigiosa feira de arte Internacional ARCOmadrid 2017, que comemora seu 36o aniversário.

Considerada uma das mais importantes feiras de arte mundiais, a ARCOmadrid é um dos principais destinos das galerias brasileiras em solo europeu. Nesta edição, o país homenageado é a Argentina. Participam do Programa Geral galerias de 28 países, com 12 galerias brasileiras do Projeto Latitude: Anita Schwartz Galeria de Arte | Baró Galeria | Casa Triângulo | Dan Galeria | Galeria Jaqueline Martins | Galeria Leme | Luciana Brito Galeria | Galeria Marilia Razuk | Mendes Wood DM | Galeria Nara Roesler | Galeria Raquel Arnaud | Vermelho. O galerista brasileiro Eduardo Brandão (Vermelho) participa do Comitê de Representação de Galerias, ao lado de 9 outros galeristas internacionais.

No total, a feira apresenta 200 galerias, abarcando desde as vanguardas históricas, os clássicos contemporâneos e a arte contemporânea.

A feira ARCOmadrid 2017 acontece em Madrid entre 22 e 26 de fevereiro de 2017. O apoio à participação das galerias na Espanha é uma das ações integrantes do Projeto Latitude. No ano de 2016, foi registrado um aumento expressivo de 162% de vendas das galerias associadas à ABACT para o país.

As galerias participantes, seus estandes e artistas:

Anita Schwartz Arte Contemporânea (7D09) mostra obras dos artistas Jesper Dyrehaugue, Thomas Florschuetz e Otavio Schipper. [http://www.anitaschwartz.com.br]

Baró Galeria (9E10) exibe Norbert Bisky, Maria Nepomuceno e Túlio Pinto. [http://www.barogaleria.com]

Casa Triângulo (9D12 e 9B15) exibe os artistas Albano Afonso, Eduardo Berliner, Nino Cais, Sandra Cinto, Max Gómez Canle, Alex Cerveny, Ivan Grilo e Guillermo Mora. [http:///www.casatriangulo.com]

Dan Galeria (7A05) exibe Alberto Menocal, Hércules Barsotti, Lothar Charoux, Hermelindo Fiaminghi, Sérgio Fingermann, Wilfredo Arcay e Willys de Castro. [http://www.dangaleria.com.br]

Galeria Jaqueline Martins (9G04) exibe trabalhos de Goran Petercol e Daniel de Paula. [http://www.galeriajaquelinemartins.com.br]

Galeria Leme (9E03) leva à feira os artistas David Batchelor, Ana Elisa Egreja, Antonio Malta Campos e Marcia de Moraes. [http://galerialeme.com].

Luciana Brito Galeria (7D07) exibe obras de Caio Reisewitz, Geraldo de Barros, Héctor Zamora, Rafael Carneiro, Thomaz Farkas, Thiago Tebet, Waldemar Cordeiro e Regina Silveira. [http://www.lucianabritogaleria.com.br]. O artista Leandro Erlich, representado pela galeria, expõe trabalhos na mostra individual “Certezas Efímeras” na Fundação Telefonica de Madri, de 23 de março a 23 de abril.

Galeria Marilia Razuk (7C04) exibe os artistas Marlon de Azambuja, Mabe Bethônico, Maria Laet e Johana Calle. [http://www.galeriamariliarazuk.com.br]. Johana expõe no espaço Boadilla del Monte a individual “Punto de Partida”.

Mendes Wood DM (9B10) exibe trabalhos de Anna Bella Geiger, Adriano Costa, Daniel Steegmann Mangrané, Celso Renato, Cibelle Cavalli Bastos, f.marquespenteado, Letícia Ramos, Michael Dean, Patricia Leite, Paulo Nazareth, Solange Pessoa e Thiago Martins de Melo. [http://www.mendeswooddm.com/]

Galeria Nara Roesler (7A02) exibe trabalhos dos artistas Eduardo Navarro e Julio Le Parc. [http://www.nararoesler.com.br]. Na seção curada Galería, são exibidos Julio Le Parc e, novamente, Eduardo Navarro que ainda participa da coletiva “En el ejercício de las cosas” na Casa de Américas.

Galeria Raquel Arnaud (9E15) exibe Waltércio Caldas, Willys de Castro, Carlos Cruz-Diez, Iole de Freiras e Arthur Luiz Piza. [http://www.raquelarnaud.com]

A galeria Vermelho (9D07) leva à feira trabalhos dos artistas André Komatsu, Carla Zaccagnini, Cinthia Marcelle, Iván Argote e Nicolás Robbio. [http://www.galeriavermelho.com.br]. A instituição madrilenha La Casa Encendida exibe a individual de Nicolás Robbio intitulada “Ejercícios de Resistencia” de 17 de fevereiro a 23 de abril.

Publicado por Patricia Canetti às 10:48 PM


Cromofilia vs Cromofobia: continuação na Nara Roesler, Rio de Janeiro

Continuando sua investigação da cor e essa hipotética batalha entre a tabela cromática e o círculo cromático, a diretora artística da Galeria Nara Roesler, Alexandra Garcia Waldman, apresenta a segunda parte da exposição coletiva Cromofilia vs Cromofobia: Continuação, agora na sede carioca. A mostra, cuja primeira parte passou por São Paulo, inclui 23 obras dos artistas Abraham Palatnik, Angelo Venosa, Antonio Dias, Artur Lescher, Bruno Dunley, Carlito Carvalhosa, Daniel Buren, Eduardo Coimbra, Hélio Oiticica, José Patrício, Karin Lambrecht, Laura Vinci, Marcelo Silveira, Marco Maggi, Melanie Smith, Milton Machado, Rodolpho Parigi, Sergio Sister, Tomie Ohtake, Vik Muniz e Virgínia de Medeiros.

Tomando como base teórica o ensaio Chromophilia, do livro Chromophobia, de David Batchelors, a exposição apresenta artistas contemporâneos que brincam, destroem e se deleitam com a tensão entre o uso das cores industriais pós-1960 e o advento da tabela cromática. Batchelor descreve a tabela cromática, como uma lista descartável de cores prontas. “Cada tira de papel é uma pintura abstrata perfeita em miniatura, ou um exemplo compacto de serialismo cromático, ou uma página de um vasto catálogo raisonné de monocromos”. A tabela conferiu aos artistas liberdade e autonomia na utilização das cores, algo inimaginável dentro da rígida estrutura estabelecida anteriormente pelo círculo cromático. Nas palavras de Batchelor: “o círculo cromático estabelece relações entre cores e implica uma hierarquia quase feudal entre elas – primárias, secundárias e terciárias, puras e não tão puras”.

Os artistas da exposição brindam os visitantes com o espectro completo do drama cromático. Daniel Buren rejeitou a ideia de que a eliminação da cor produziria uma forma mais pura de arte; ao contrário, a cor para ele é essencial e não pode ser substituída por palavras ou ações.

Rodolpho Parigi, com cores explosivas tece formas geométricas planas, em composições que evocam paisagens urbanas semi-abstratas e fragmentadas. Já Vik Muniz, cuja obra se relaciona à percepção e à representação de imagens do mundo, desta vez explora a força da cor sozinha, a partir de uma pintura monocromática do consagrado artista Yves Klein.

Enquanto Eduardo Coimbra e Marco Maggi constroem com a cor particulares geometrias, Artur Lescher a introduz como elemento em sua escultura formal. De outro lado, Sérgio Sister e Bruno Dunley recontextualizam ideias clássicas relativas à tela no sentido de janela, investigando a intrincada relação entre as cores quando estas interagem com o espaço e o ar.

Entre os trabalhos bidimensionais, ainda, as obras de José Patrício e Marcelo Silveira tangenciam a arte cinética ao criar com a cor e material certa ilusão ao olhar e as pinturas de Karin Lambrecht definem paisagens por uma monocromia vibrante. Diferentemente de Carlito Carvalhosa, cujo desenho orgânico contrasta com a aplicação de um único tom pálido e dos suaves tons do desenho de Antonio Dias. Por sua vez, Angelo Venosa introduz a cor em suas estruturas que investigam o interior dos corpos.

Os artistas na exposição desafiam os espectadores a experimentar a cor. Eles materializaram as cores para alcançar a liberdade de experimentação, deixando para trás a rigidez do círculo cromático.

Publicado por Patricia Canetti às 10:19 PM


Miniaturas, maquetes, vodu e outras projeções políticas na Blau Projects, São Paulo

A Blau Projects apresenta, de 28 de janeiro a 25 de fevereiro a exposição Miniaturas, maquetes, vodu e outras projeções políticas, com curadoria de Claudia Ponga. A exposição foi selecionada pelo #03 C.LAB Mercosul, edital voltado a jovens curadores que está na terceira edição, promovido pela Blau Projects. O C.LAB faz um intercâmbio entre artistas, instituições, galerias e curadores por meio de exposições e residências que reforçam o papel da galeria de incubadora e difusora da arte contemporânea. Os artistas apresentados na exposição são Débora Bolsoni, Gabriel Rossel, Jaime Lauriano, Martín Carrizo, Mônica Giron e Renato Maretti, que expõem oito obras, algumas delas inéditas.

O objetivo da exposição é tornar evidente o poder mágico/político do modelo em miniatura, criando um diálogo entre obras que abordam problemas que o Brasil divide com seus vizinhos, inclusive com o México, que poderia ser considerado o polo “latino-americano” mais afastado do Brasil, tanto geográfica quanto culturalmente. Por um lado, a exposição traz obras em miniatura, e outras que são uma alegoria aos ex-votos (termo que designa obras de arte criadas para serem doadas às divindades como forma de agradecimento a pedidos atendidos).

“Quando acontece uma redução de escala, é possível controlar melhor o resultado e produzir uma série de impactos”, conta a curadora Claudia Ponga. “Com a miniaturização, o entendimento é micro, mas é dessa forma que atingimos o macro também de forma política”, afirma.

A inspiração para o tema, segundo Claudia, veio do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss. Para ele, a miniaturização é uma característica essencial da arte, por tornar o mundo inteligível sem necessidade de dividi-lo em partes. Além disso, a maquete, que é uma das formas de miniaturização, é sempre “man-made” (feita pelo homem), construída, por isso “constitui uma verdadeira experiência sobre o objeto”, segundo Strauss. “E as obras pequenas têm aparência de brinquedo, podem parecer inofensivas, mas têm uma espécie de veneno dentro delas”, conta Claudia.

Outra influência para Ponga é a obra de Arthur Bispo do Rosário. A curadora visitou seu museu, no Rio de Janeiro, onde encontrou modelos miniaturizados de toda a sorte de materiais: galinheiros, cercas, cavalariças. “Bispo tinha recebido a missão, divina, de reconstruir o mundo para mostrá-lo a Deus no Juízo Final”, conta Claudia. “O interessante da obra dele é que ele não estava oferecendo pedaços de si, como uma parte de seu corpo, mas a forma do seu raciocínio que precisava ser analisado e pensado para ser reparado”, afirma a curadora. A miniaturização do Bispo do Rosário foi de extrema importância para a curadora chancelar seu pensamento sobre a importância de se reduzir a escala para se abranger o mundo.

Já os ex-votos, mais tradicionais em países de fé católica, são imagens votivas que, segundo o filósofo francês Didi-Huberman, caracterizam-se por ignorar “a ruptura entre o paganismo e o cristianismo”. São geralmente feitos de materiais fáceis de serem modelados, e têm forma de desejo, de reza e são sempre “objetos aos que o donante está unido, e objetos que lhe unem com algo”, segundo Huberman.

As obras
“Genocídio”, do brasileiro Jaime Lauriano, mostra uma série de santos católicos dispostos em miniatura, e questionam a relação de devoção dos fiéis. “São figuras de opressão, e tem por trás o peso de toda a colonização de séculos”, conta a curadora. Nessa mesma linha, “Catedral de Açúcar”, do mexicano Gabriel Rossel, é uma catedral em miniatura criada em açúcar. Essa obra é uma referência a uma matança de índios feita dentro de uma catedral no México, onde os indígenas buscaram abrigo e acabaram sendo queimados, mesmo dentro do local considerado sagrado. No México, o açúcar é um elemento muito utilizado no Dia dos Mortos, com caveiras coloridas feitas de açúcar.

A brasileira Débora Bolsoni apresenta duas obras: “Confete e arapuca”, e “Pipocas”. O confete é uma alegoria da alegria, sobretudo para os brasileiros, onde o Carnaval é uma festa que acontece em todo o país. “Mas ela cria uma arapuca, que gera um ruído e uma contradição, é uma armadilha que pode ter uma conotação política forte”, conta a curadora. Em “Pipocas”, a artista cria uma série de pipocas em cerâmica espalhadas pelo chão, onde o público é instado a avaliar e se colocar diante da obra podendo também destruí-la.

Mercado imobiliário, ocupações, ruínas
O mercado imobiliário e a questão da moradia são temas de duas obras inéditas da exposição. No novo trabalho de Renato Maretti, “Empreendimento”, o paulista mostra uma maquete de um empreendimento imobiliário pichada, como se fosse possível “ocupar” um projeto. São inscrições ligadas às frentes de luta pela moradia que colocam em cheque a viabilidade de se criar novos empreendimentos, já que há muitos locais na cidade vazios ou ocupados. Nessa mesma linha, o argentino Martín Carrizo apresenta a obra “Sem título”. Ele vem a São Paulo criar o trabalho, que consiste em criar uma maquete em ruínas. “É um tipo de maquete que existe em tantos lugares do Brasil e da América Latina, onde se iniciam construções e por falta de previsão, de dinheiro ou viabilidade, acabam por deixar a obra incompleta e precária, o que evidencia a falta de planos urbanísticos nesses locais”, pontua a curadora.

Uma das mais prestigiadas artistas argentinas, Mônica Giron, que já teve retrospectiva feita pelo Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), mostra duas obras, “Enxoval para bandeirante” e “Neocriollo”. Nascida na Patagônia, a artista mostra, em “Enxoval para bandeirante”, pulôveres em miniatura para os pássaros da região migrar. “A Mônica é uma artista bastante ácida, e fazer roupas para pássaros é quase um gesto infantil, mas ao mesmo tempo muito crítico”, afirma a curadora. Em “Neocriollo”, Mônica traz à tona o neocriollo, língua inventada pelo artista surrealista argentino Xul Solar, uma mistura de espanhol, português, inglês, francês, grego e sânscrito, além de um toque de expressões típicas argentinas, uma espécie de “esperanto” do Rio da Prata. Na obra, Mônica traz uma série inédita, onde ela cria uma espécie de “massinha” com agrupamentos de figuras humanas antropomorfas e disformes, em que questiona o “estar junto”. “Ela mostra como as pessoas estão juntas e unidas, mas ao mesmo tempo estão também apertadas e confusas”, conta Claudia Ponga.

Claudia Ponga
A espanhola radicada no Brasil Claudia Ponga é doutoranda em artes visuais pela ECA/USP. É formada em Belas Artes em Madrid, Espanha, com mestrado em curadoria pela Goldsmith College, em Londres e em teoria das artes pela Universidade Complutense de Madrid. Já realizou curadorias no Reino Unido, Madrid, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro.

Sobre o C.LAB
Concebido como projeto independente do programa regular de exposições da Blau Projects, o concurso anual C.LAB seleciona e apóia projetos de curadores e artistas para exposição no espaço da galeria, reforçando seu papel de incubadora e difusora da arte contemporânea.

A primeira edição, realizada em 2014, resultou na produção e exibição dos projetos Ampulheta, do curador Douglas Negrisolli, e (...) pegaríamos as coisas onde elas crescem, pelo meio (...), da curadora Galciani Neves. Em 2015, a segunda edição do C.LAB apresentou, como resultado, a exposição Na Iminência, da curadora Carolina Soares e Território, povoação, dos curadores Gabriel Bogossian e Juliana Gontijo.

Em 2016, são duas curadorias selecionadas, Formas de abandonar o corpo – Parte I, de Natália Quinderé, já exposta na galeria, e a atual exposição, com curadoria de Claudia Ponga. As comissões de seleção são independentes e têm critérios sólidos de avaliação. Em 2016, foi composta pela curadora colombiana Isabela Villanueva, a argentina Gachi Prietto e o cubano naturalizado brasileiro Andrés Hernandez. Além das exposições, em 2016 houve, ainda, a premiação de uma residência em Buenos Aires, bom uma bolsa para a pesquisa no

Proyecto PAC: Prácticas Artísticas Contemporâneas em Buenos Aires, com duração de até 60 dias. A escolhida nessa categoria foi a curadora Thais Gouveia. Mais informações: www.blauprojects.com/clab.

Publicado por Patricia Canetti às 8:11 PM


Rivane Neuenschwander no MAR, Rio de Janeiro

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon, inaugura em 21 de fevereiro a exposição O nome do medo, da artista Rivane Neuenschwander, em colaboração com o fashion designer Guto Carvalhoneto. Com curadoria de Lisette Lagnado, patrocínio do prêmio da Fundação Yanghyun (Coreia do Sul) e em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), a mostra apresenta 32 peças desenvolvidas por Rivane e Guto. Elas são resultado de um processo de criação iniciado a partir de oficinas realizadas com crianças de escolas públicas e particulares e de unidades de reinserção social (URS), além de público espontâneo do MAR e do Parque Lage.

O projeto que dá nome à mostra foi concebido por Rivane após ser agraciada com o Yanghyun, em 2013, na sexta edição do prêmio coreano que contempla artistas com obras reconhecidas internacionalmente. Por meio deste, a Fundação Yanghyun oferece aos ganhadores um sistema de apoio para realização de uma mostra em um museu renomado. O MAR, como um espaço de fomento à educação como prática de criação e experimentação, foi escolhido para receber as peças produzidas a partir das atividades de O nome do medo no Rio de Janeiro.

Em 2015, Rivane foi convidada para colaborar com o evento Children’s Comission, realizado anualmente pela galeria de arte Whitechapel (Londres, Inglaterra), criado para promover a interação das crianças com a arte. Na ocasião, a artista se propôs a investigar o medo a partir do olhar das crianças, que foram estimuladas a listar e desenhar seus maiores temores e a construir capas com materiais ricos em texturas e cores – algodão, organza, fitas, plásticos, linhas e outros materiais ligados ao universo do corte e da costura –, como uma forma de ajudá-las a acolher e se proteger de seus medos. Os artigos produzidos nos encontros foram transformados em capas estilizadas, criadas pela artista com a colaboração do fashion designer Lucas Nascimento, brasileiro radicado em Londres.

No Rio de Janeiro, foram realizadas 12 oficinas, com duração de três horas, com mais de 240 crianças, entre 6 e 13 anos, na Escola do Olhar e na EAV Parque Lage. Artistas renomados como Laura Lima, Anitta Boavida, Chiara Banfi, Daniel Steegmann-Mangrane, entre outros, auxiliaram os participantes nas confecções de suas peças. As capas desenhadas e construídas durante as atividades ganharam um novo formato pelas mãos de Rivane e do fashion designer Guto Carvalhoneto, com acompanhamento de Lisette Lagnado.

Para a artista, o projeto permite questionar as origens psíquicas e sociais do medo e ajuda a criança na elaboração de seus conflitos. Rivane explica que “a oposição entre brincadeira e violência faz com que esse trabalho ofereça condições singulares para que a criança manifeste seus anseios e temores, para que os adultos reavaliem tanto a infância quanto a exposição cotidiana da criança à brutalidade, e, ainda, para repensarmos como o medo decorre de um tipo de afeto coercitivo dentro da sociedade”.
Rivane já fez exposições individuais e coletivas na Suécia, Irlanda, Japão, África do Sul, França, entre outros países. Suas obras são produzidas a partir de processos colaborativos com o público.

Sobre Lisette Lagnado
Lisette Lagnado (1961, Kinshasa, Congo) é crítica de arte e curadora independente. Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é mestre em Comunicação e Semiótica (dissertação sobre a obra de Mira Schendel) e doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, com uma tese sobre o programa ambiental de Hélio Oiticica. Junto com amigos e familiares, fundou, em 1993, o Projeto Leonilson, que permitiu organizar a primeira retrospectiva do artista, morto em decorrência da AIDS. Autora dos livros Leonilson. São tantas as verdades (São Paulo: Projeto Leonilson/SESI/DBA, 1995) e Laura Lima. On_off (Rio de Janeiro: Cobogó, 2014), tem diversos artigos e ensaios publicados no Brasil e no exterior. Entre as exposições que concebeu, foi curadora, em 2006, da 27ª Bienal de São Paulo ("Como Viver Junto"); da mostra “Desvíos de la deriva. Experiencias, travesias y morfologías” (2010), no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (MNCARS), em Madri; e do 33º Panorama do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013). Desde agosto de 2014, dirige a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro.

Sobre Guto Carvalhoneto
Guto Carvalhoneto formou-se em design de moda pela Universidade Cândido Mendes, em 2008. Já em 2009 foi viver em Paris para aprofundar os seus conhecimentos. Durante esse período, trabalhou como visual merchandising para uma marca de prêt-à-porter francesa e paralelamente desenvolveu sua pesquisa focada na precisão e técnicas da alta costura parisiense. Em 2011, lançou sua marca, buscando experimentar materiais e formas não comuns à moda comercial, unidas às semelhanças estéticas entre o sertão e o oriente, contaminando-se também pelo cinema e pelas artes visuais.

Publicado por Patricia Canetti às 6:57 PM