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dezembro 16, 2018

Valéria Costa Pinto lança livro na Argumento, Rio de Janeiro

Edição celebra 25 anos de trajetória da artista: livro reúne pesquisa da artista sobre dobras e vincos em diferentes suportes e mídias

Artista visual conceituada, com importante currículo de exposições no Brasil e no exterior, a carioca Valéria Costa Pinto reúne em livro 25 anos de sua trajetória na arte contemporânea brasileira. Com tiragem limitada, tradução em inglês e acabamento de luxo, a edição de arte comemorativa reúne a instigante obra da artista com base em esculturas flexíveis nos mais diferentes suportes – papel, tecido, fotografias, persianas –, além de vasto trabalho em vídeo. Um texto inédito de Luiza Interlenghi percorre o trabalho de Valéria, de 1991 até 2016. Textos de renomados críticos brasileiros mergulham em cada fase de sua carreira. O lançamento do livro acontece no dia 18 de dezembro, às 19h, na Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira 417, Leblon, Rio de Janeiro), com a presença da artista.

Com 244 páginas coloridas, a edição debruça-se sobre a incansável e minuciosa pesquisa da artista sobre dobras, vincos e seus desdobramentos em diferentes suportes e mídias, considerando conceitos sobre continuidade, movimento, tempo e simultaneidade. Além de Luiza Interlenghi, que também responde pela organização do livro, assinam os textos críticos: Paulo Sergio Duarte, Adolfo Montejo Navas, Mauricio Lissovsky, Marcia Mello, Masé Lemos e Denise Carvalho. O livro traz, ainda, uma pequena entrevista com Paulo Herkenfoff e uma poesia inédita de Tunga. A publicação, com a coordenação editorial de Nelson Ricardo Martins, tem o selo da Editora Fase 10 – Ação Contemporânea.

Desde sua primeira mostra individual em 1991, na Galeria Millan (SP), Valéria Costa Pinto expôs em instituições como Casa França Brasil, Brazilian American Cultural Institute, Washington (EUA), Galeria Debret, Paris (França), Culturgest, Lisboa (Portugal), Centro Cultural da Light (RJ), Paço Imperial (RJ), Caixa Cultural (Brasília), além de diversas galerias de arte. Foi ganhadora do primeiro Prêmio Icatu de Arte e do Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio, Paço Imperial. Atualmente, é representada no Rio de Janeiro pela Galeria Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea e, em São Paulo, pela Galeria Arte Formatto.

SOBRE VALÉRIA COSTA PINTO

Formada em design e pós-graduada em História da Arte e da Arquitetura no Brasil, Valéria vem trabalhando com arte desde 1983. Seu trabalho artístico transita entre a escultura, o objeto, a fotografia, o vídeo e o desenho, ¬¬¬misturando os diversos meios. Em 1991 realizou sua primeira exposição individual na Galeria Millan, SP, e, em 1993, no Centro Cultural, SP. No Rio, expôs individualmente na Fundação Casa França Brasil, em 1994, e, no ano seguinte, no Palácio das Artes, BH, e, no Brazilian American Cultural Institute, Washington, EUA. Em 1996 ganhou o primeiro Prêmio Icatu de Arte, indo viver em Paris. Expôs na Galeria Debret, ¬¬Paris, FR, e na Culturgest, Lisboa, PT. Realizou inúmeras exposições no Rio e em São Paulo, como na Galeria Candido Mendes, Galeria Silvia Cintra, Galeria Marcia Barrozo do Amaral, Galeria Tempo, RJ, e na Galeria Rosa Barbosa, SP, e em instituições culturais como Centro Cultural da Light, RJ, Paço Imperial, RJ, e Caixa Cultural, Brasília. Participou de inúmeras exposições coletivas, como no Centro Cultural da Justiça Federal, RJ, Instituto Tomie Ohtake, SP, entre outros. Em 2014 foi uma das vencedoras do Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio, realizando exposição no Paço Imperial, RJ. Atualmente, é representada no Rio de Janeiro pela Galeria Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea e, em São Paulo, pela Galeria Arte Formatto. www.valeriacostapinto.com

SINOPSE

O livro de Valéria Costa Pinto aborda sua trajetória artística nos 25 anos de sua carreira, desde 1991 até 2016. Reúne um texto inédito de Luiza Interlenghi abordando todo o período citado e uma compilação de textos de época realizados por diversos autores durante seu percurso: Paulo Sergio Duarte, Adolfo Montejo Navas, Mauricio Lissovsky, Marcia Mello, Masé Lemos, Denise Carvalho, entrevista com Paulo Herkenfoff e uma poesia inédita de Tunga. Com tiragem limitada de 230 exemplares, a publicação tem o selo da Editora Fase 10 – Ação Contemporânea.

FICHA TÉCNICA

Livro: Valéria Costa Pinto
Textos: Percursos da dobra - Luiza Interlenghi e coletânea de textos de época de diversos autores
Organização editorial: Luiza Interlenghi
Coordenação editorial: Nelson Ricardo Martins
Tradução: Alexandra Joy Forman, Ben Kohn
Editora Fase 10 – Ação Contemporânea
Tiragem 230 exemplares
Preço: R$ 120
Número de páginas: 244
Ano: 2018

Publicado por Patricia Canetti às 10:38 AM


Leilão beneficente Michel Groisman na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Renomados artistas doam obras para tratamento de saúde de Michel Groisman, diagnosticado com doença neurodegenerativa.

18 de dezembro de 2018, terça-feira, às 19h

Escola de Artes Visuais do Parque Lage - Salão Nobre
Rua Jardim Botânico 414, Rio de Janeiro, RJ
As obras estarão em exposição na galeria do subsolo no próprio dia do leilão, das 9h às 19h

Leilão beneficente mobiliza artistas no Parque Lage

Conhecido internacionalmente por suas performances de controle corporal, o premiado artista brasileiro Michel Groisman vem se deparando com a difícil condição de perder o controle sobre o próprio corpo. Groisman foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa que paulatinamente vem limitando seus movimentos. Sensibilizados com sua situação, um grupo de mais de 80 artistas vem doando obras para a realização de um leilão beneficente. O valor arrecadado custeará o tratamento de Groisman num hospital especializado, nos EUA.

Ao longo dos últimos 20 anos Michel Groisman se apresentou em inúmeros centros culturais ao redor do mundo e consagrou-se por suas inusitadas performances de controle corporal com equipamentos agregados ao corpo. Nos últimos anos, no entanto, ele se vê atrelado à execução de uma performance involuntária dentro do seu próprio cotidiano, a de simplesmente tentar levantar-se, andar, mover-se. Uma no-stop performance, na qual o artista precisa de todo seu esforço e concentração para se deslocar dentro de casa e ir de um cômodo a outro. Um ensaio diário, circunscrito ao âmbito privado, do que pode vir a ser a sua última performance.

O leilão que custeará as despesas de seu tratamento médico acontecerá no Salão Nobre da EAV Parque Lage, escola que já abrigou tantas vezes as performances de Groisman ao longo dos anos. As obras à venda podem ser visualizadas no site do artista. No dia do leilão, as obras estarão em exposição na galeria do subsolo, das 9h às 19h.

(quase todos os) ARTISTAS PARTICIPANTES (pois a cada dia novos artistas aderem a causa)

Adriana Tabalipa, Adriana Varejão, Adriano Motta, Afonso Tostes, Alexandre Vogler, Amador Perez, André Alvim, Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Arjan Martins, Arnaldo Antunes, Barrão, Beatriz Berman, Bob N, Cabelo, Cadu, Carla Zaccagnini, Carlos Bevilacqua, Carolina Ponte, Celina Portella, Chelpa Ferro, Chiara Banfi, Cildo Meireles, Claudia Hersz, Daniel Murgel, Eduardo Berliner, Elvis Almeida, Enrica Bernardelli, Ernesto Neto, Felipe Barbosa, Fernanda Gomes, Fernando de la Rocque, Franklin Cassaro, Gê Orthof, Gisele Camargo, Guga Ferraz, Guilherme Teixeira, Gustavo Speridião, Joao Modé, José Bechara, José Damasceno, Laura Eber, Laura Lima, Lucia Koch, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Luiza Baldan, Luiza Marcier, Marcela Tiboni, Marcius Galan, Marco Veloso, Marcos Chaves, Maria Nepomuceno, Mariana Manhães, Martha Niklaus, Matheus Rocha Pitta, Mauro Espindola, Michel Groisman, Nadam Guerra, Noni Ostrower, Opavivará/Domingos Guimarães, Paulo Vivacqua, Pedro Paulo Domingues, Pedro Varela, Raul Mourão, Ricardo Basbaum, Ricardo Ventura, Rodrigo Andrade, Romano, Stela Barbieri, Suzana Queiroga, Tatiana Grinberg, Thereza Salazar, Valeria Scornaienchi, Vicente de Mello, Vivian Caccuri.

QUEM É MICHEL GROISMAN

Michel começou a desenvolver equipamentos corporais quando frequentava a faculdade de música, onde se formou como professor. Nessa época descobriu que podia inventar seus próprios instrumentos, e que estes não precisavam ser musicais, podiam ser instrumentos de todo tipo, desde que servissem para uma auto-investigação de si mesmo e para a interação com o outro. Em seu processo de criação, Michel Groisman integra diferentes campos: artes visuais, dança, jogos, arte interativa, engenharia, relações interpessoais etc. Foi contemplado com bolsas e prêmios: Rioarte (2004), Vitae (2002) e Uniarte da Faperj (2000), Programa Rumos Artes Visuais (1999), Rumos Dança (2009) e Rumos 2018; Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014, 8o Salão da Bahia (2001) e Prêmio "O Artista Pesquisador" do MAC de Niterói (2001), entre outros. Seu trabalho vem sendo mostrado em museus e festivais ao redor do mundo: MoMA (Nova York, 2014); Worlds Together Conference, Tate Modern (Londres, 2012); Festival Temps D’Image (Paris, 2012); Lig Art Hall (Coreia do Sul, 2012); PS 122 (Nova York, 2011); 29a Bienal de São Paulo (2010); Centro de Arte Reina Sofia (Madri, 2008); Festival In Transit the Berlim Lab (Alemanha, 2001 e 2006); Don't Call It Performance, El Museo Del Barrio (New York, 2004); "Tempo", MOMA (Nova York, 2001); Festival de La Batiê (Geneva, 2002); II Bienal de Lima (Peru, 2000); e Encontros Acarte (Lisboa, 2000), entre outros.

PERFOMANCES DO ARTISTA

Em "Transferência", que teve sua estreia na EAV, em 1999, o artista utilizava velas acopladas ao seu corpo e executava uma série de movimentos para passar o fogo de uma vela para outra. Já em "Criaturas", Groisman e sua parceira utilizavam equipamentos conectados a eletricidade, de modo que quando encostavam um no outro faziam as lâmpadas acenderem. Junto com seu trabalho de performance, o artista também passou a criar obras de arte de engajamento coletivo, dizendo que as relações interpessoais era o que havia de mais revelador. Dentre as suas obras-jogo coletivas estão: Polvo, Máquina de Desenhar, Sirva-se, Risco etc. Uma dessas obras foi premiada pelo programa Rumos 2018, do Itaú Cultural, a Risco#32, que o artista intenta ter condições de realizar no ano que vem. Trata-se de uma máquina de grande dimensões a ser manipulada por 32 pessoas simultaneamente, com o propósito de fazerem juntas um simples desenho num papel. Seria apenas uma coincidência que, assim como o lápis da obra Risco precisa de 32 participantes para riscar um desenho sobre o papel, agora a própria salvação de Groisman dependa também de uma união e engajamento coletivo?

Transferência, em NY

Máquina de Desenhar, na Tate Modern

Sirva-se, no TBA Festival

Risco, nas Cavalariças do Parque Lage

Publicado por Patricia Canetti às 9:53 AM


dezembro 15, 2018

Amilcar de Castro na Galeria Aberta Amilcar de Castro, Belo Horizonte

A Fundação Clóvis Salgado dá sequência à série de inaugurações em 2018 e apresenta ao público a Galeria Aberta Amilcar de Castro. O espaço, que está localizado entre as galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, vai abrigar a exposição Corte, uma mostra de média duração que reúne esculturas em diferentes tamanhos de um dos principais expoentes do neoconcretismo brasileiro: Amilcar de Castro. A curadoria é feita por Leonardo de Castro, da Gerência do Instituto Amilcar de Castro.

A inauguração da Galeria Aberta Amilcar de Castro reforça a diretriz da FCS em valorizar a arte produzida em Minas Gerais durante a atual gestão (2015-2018). Neste ano, inclusive, toda a programação artística da instituição é norteada por diferentes manifestos, dialogando diretamente com o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, que completa 90 anos em 2018. A exposição permanecerá até 27 de junho de 2019, data de início da comemoração do centenário de nascimento do artista, um dos signatários do Manifesto Neoconcreto.

De acordo com Augusto Nunes-Filho, Presidente da FCS, apresentar ao público um novo espaço expositivo no Palácio das Artes é, ao mesmo tempo, um reconhecimento do legado do artista e um olhar mais demorado sobre a produção artística em diferentes suportes, como a escultura. “Amílcar de Castro tem papel importante no cenário artístico brasileiro gozando também, há muito, de reconhecimento internacional. Por ser um escultor de mão cheia, foi justa essa vertente escolhida pela Fundação Clovis Salgado para lhe prestar merecida homenagem com a nomeação do mais recente espaço expositivo do Palácio das Artes, a Galeria Aberta Amílcar de Castro”, destaca o presidente.

CORTE traça uma linha do tempo na história da produção de Amilcar de Castro ao reunir esculturas produzidas em diferentes momentos da carreira do artista. Vindas diretamente do Instituto Amilcar de Castro, em Nova Lima, as obras representam trabalhos em grande e pequena escala, exemplificando a visão que o escultor tinha sobre dimensionalidades, percepções espaciais e manipulação do ferro.

Amilcar ao ar livre – A Galeria Aberta é uma mureta ao ar livre ocupando área total de 328m². A Galeria Aberta está localizada em frente às galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta.

Para Ana de Castro, diretora do Instituto Amilcar de Castro, a exposição é uma grande homenagem ao escultor e uma lembrança daquilo que mais inspirava o trabalho de Amilcar. “Ao explorar com grande intensidade espaços abertos do Palácio das Artes e nomear este espaço de Galeria Aberta Amílcar de Castro, a Fundação Clóvis Salgado faz referência instantânea ao passado do escultor e cria um lugar onde a percepção se exerce mesclando elementos concretos e orgânicos. A prática sensível conduz a vivências de grande apelo visual”.

Um dos destaques do acervo é a obra Estrela, uma escultura em ferro, inspirada em um trabalho anterior de Amilcar de Castro, que concedeu ao artista seu primeiro prêmio. Datada do início dos anos 2000, a obra mescla a força do ferro com a sutileza e a precisão dos cortes característicos do escultor mineiro. Ao contrário das outras obras, a peça ficará exposta no Hall de Entrada do Palácio das Artes.

As demais esculturas que integram a exposição CORTE são obras que perpassam as décadas de 1950 a 1990. Com dimensões variadas, algumas chegando a medir pouco mais de 30cm. Já outras esculturas chegam aos 2m de cumprimento e pesam mais de 5 toneladas.

“CORTE é uma seleção de obras que reúne um amplo e significativo acervo do trabalho de Amilcar. É, também, uma homenagem à trajetória do artista que, aluno da Escola Guignard, observava e se inspirava na paisagem do Parque Municipal. Com essa galeria, celebramos o passado do escultor ao mesmo tempo em que reverenciamos a mistura do concreto, no caso as esculturas de Amilcar, com a leveza de um espaço aberto, de livre circulação e conectado ao parque”, destaca Augusto Nunes-Filho.

A dança e a escultura – Integrando seus corpos artísticos às diferentes atividades realizadas ao longo desta gestão, a FCS também vai promover a estreia do espetáculo Corte – Manifesto Neoconcreto, da Cia. de Dança Palácio das Artes. A coreografia, que tem direção de Cristiano Reis e cocriação dos bailarinos da CDPA, dialoga diretamente com o trabalho de Amilcar de Castro e o ambiente da Galeria Aberta. Em uma pesquisa coreográfica que envolveu visitas ao Instituto Amilcar de Castro e estudos sobre o neoconcretismo brasileiro, a proposta da montagem é refletir a respeito da ocupação da dança em diferentes espaços, seja pela união de corpos e obras ou pelo desdobramento entre coreografia e escultura.

De acordo com Cristiano Reis, Corte – Manifesto Neoconcreto é, assim como as obras de Amilcar de Castro, um estudo sobre dimensionalidades. “Essa coreografia não é puramente estética. Ela evoca um corpo em ação, um ato de ocupar um espaço, de trabalhar as dimensionalidades que podemos habitar por meio da dança”, comenta o diretor.

Fábio Retti será o responsável pela iluminação do espetáculo. A ideia é que as luzes sejam aliadas ao ambiente da Galeria Aberta e à própria concepção da montagem. Segundo Cristiano Reis, a luz foi planejada para criar mais dramaticidade à apresentação. “Estamos pegando um pouco da ideia do neoconcreto, de trabalhar a subjetividade da criação artística”, comenta. E a sonoplastia de Corte – Manifesto Neoconcreto será uma espécie de resgate do ateliê de Amilcar de Castro. A trilha sonora se agarra a sons de ferramentas para corte de metais e outras sonoridades características do trabalho de um escultor que tem o ferro como matéria prima de suas obras.

Amilcar Augusto Pereira de Castro (1920 - 2002) – Foi escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor. Mudou-se com a família para Belo Horizonte em 1935, e estudou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, de 1941 a 1945. A partir de 1944, frequenta curso livre de desenho e pintura com Guignard (1896 -1962), na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, e estuda escultura figurativa com Franz Weissmann (1911-2005). No fim da década de 1940, assume alguns cargos públicos, que logo abandona, assim como a carreira de advogado. Paralelamente, em seus trabalhos, dá-se a passagem do desenho para a tridimensionalidade.

Amilcar foi aluno de Guignard em Belo Horizonte. Da capital mineira mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi um dos signatários do Manifesto Neoconcreto, que marcou a ruptura com o grupo paulista dos Concretos. O escultor mineiro virou referência para os artistas brasileiros e, especialmente, para seus alunos na Escola Guignard. Suas esculturas, fundadas quase exclusivamente em corte e dobra sobre ferro e madeira, impressionam pela economia de meios e pela lição que oferecem sobre a capacidade afirmativa do gesto e o fato de realizarem a passagem do plano para o volume.

Neoconcretismo ou Movimento Neoconcreto – Corrente das artes (plásticas, escultura, performances, literatura) que surgiu em fins da década de 50 no Rio de Janeiro, em oposição ao Movimento Concretista, de São Paulo. O Neoconcretismo, influenciado pelas ideias da fenomenologia do filósofo francês Merleau-Ponty (1908-1961), foi considerado como o “divisor de águas” na história das artes visuais no Brasil, sendo seus precursores o poeta maranhense Ferreira Gullar e a artista plástica mineira Lygia Clark.

O Movimento Neoconcreto (Grupo Frente) surgiu no Rio de Janeiro em prol do subjetivismo da arte e da criação artística, o qual criticava o racionalismo, objetividade e o dogmatismo geométrico dos concretistas paulistas (Grupo Ruptura). Para tanto, essa contradição de ideias foram os elementos propulsores dos ideais dos artistas neoconcretos, ou seja, propor uma arte mais libertária contra o cientificismo técnico, o exacerbado racionalismo da “arte pela arte” em que estavam pautados os concretistas ortodoxos de São Paulo. Os concretistas paulistas acreditavam que a forma era o principal elemento da arte, em detrimento do conteúdo, visto como mais importante pelos artistas neoconcretos.

Publicado por Patricia Canetti às 4:35 PM


Burle Marx no MuBE, São Paulo

MuBE inaugura exposição em homenagem a Roberto Burle Marx

Jardim do museu foi projetado pelo paisagista; intitulada Burle Marx: arte, paisagem e botânica, mostra reúne obras inéditas e apresenta faceta polivalente do artista

Natureza, arte e arquitetura convergem na obra de Roberto Burle Marx. O artista transpunha com destreza a linguagem pictórica ao paisagismo, contrapondo formas orgânicas abstratas à rígida geometria da arquitetura. Não à toa, tornou-se um dos maiores paisagistas do século XX, somando ainda, os adjetivos de arquiteto, pintor, escultor, designer, botânico, ecologista e ativista pelas causas ambientais. Em homenagem à sua trajetória, o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE) inaugura em 8 de dezembro a mostra Burle Marx: arte, paisagem e botânica.

Com curadoria assinada por Cauê Alves, a exposição é dividida em três núcleos, já enunciadas em seu título, evidenciando a faceta polivalente do artista. No total, são cerca de 70 trabalhos, entre desenhos, pinturas, esculturas, tapeçarias, peças de design, projetos paisagísticos e registros de espécies botânicas e de expedições científicas que realizou ao longo da vida.

"Queremos chamar a atenção para os mais diversos atributos de Burle Marx, mas sem um tom de retrospectiva. Ao contrário, trazemos ao público singularidades pouco exploradas de um artista de múltiplas capacidades. Sem dúvida alguma, o paisagismo foi sua grande contribuição para o mundo, mas ele foi muito mais do que um grande paisagista", pontua Alves.

No núcleo Arte, destaque para as telas que vão do realismo figurativo, como é o caso de uma natureza morta Sem título (s/d), à abstração informal, tal qual o óleo sobre tela Mangue azul (1963). Em outros suportes, Sem título (1984), uma pintura sobre o tecido de uma toalha de mesa, e Sem título (1965), tapeçaria de lã.

Autor de centenas de projetos paisagísticos no Brasil e no mundo, Burle Marx se valeu de plantas, construções, relevos, painéis de azulejos e de mosaicos de tradição portuguesa. À essa produção se volta o núcleo Paisagem. Entre os trabalhos aqui apresentados, duas plantas do projeto criado para o Terraço Itália, no centro de São Paulo. Hoje já descaracterizado, o projeto do restaurante instalado na cobertura do icônico Edifício Itália foi fruto de uma parceria entre o paisagista e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

Devido a sua fama, Roberto Burle Marx foi inúmeras vezes convidado por nomes da elite brasileira para projetar jardins de suas residências. Foi o caso, por exemplo, de Ema Klabin, figura emblemática do mundo das artes, mecenas e colecionadora. O jardim de sua casa, hoje sede da fundação cultural que leva seu nome, foi uma das criações do paisagista. Situada exatamente à frente do MuBE, o espaço funcionará como uma extensão da exposição.

O grande destaque da seção ficará por conta da remontagem provisória em vinil do monumental mosaico de pedras desenhado pelo artista no primeiro estudo para o jardim do MuBE, instituição que hoje o homenageia. É dele o projeto paisagístico do espaço externo que circunda a também construção modernista de Paulo Mendes da Rocha. A composição do jardim foi elaborada a partir da relação com a cidade e da humanização do urbanismo. Na mostra, o projeto, jamais executado em sua totalidade, será apresentado temporariamente, em tamanho real, ocupando toda a área externa do museu durante o período da exposição.

"Paulo Mendes da Rocha e Burle Marx, a quem coube a questão da ecologia do MuBE, idealizaram um museu integrado com o bairro, que já é um jardim, o Jardim Europa. Ele integra o projeto justamente com a ideia de dar conta desse aspecto que está na origem da instituição. Cidade e natureza estão em diálogo constante em sua obra", comenta o curador.

Filho de pai alemão e mãe pernambucana com descendência francesa, Burle Marx começou a colecionar plantas na infância, com sete anos de idade. Formou-se em artes plásticas e arquitetura nos idos de 1933 e, na mesma década, descobriu a flora brasileira de forma antropófoga, durante uma viagem a Berlim.

Ao longo de sua vida, descobriu cerca de 35 espécies de plantas em suas famigeradas expedições Brasil adentro. O núcleo Botânica reúne os registros destas viagens e traz ao público desenhos, exsicatas e fotografias assinados pelo artista e também trabalhos de contemporâneos influenciados por sua obra, como a britânica Margaret Mee, que se especializou em plantas da Amazônia, e o brasileiro Caio Reisewitz, que retrata o jardim berlinense que despertou no paisagista o olhar apurado para a flora tropical.

Nesse sentido, o curador chama atenção para a íntima relação que Burle Marx nutriu com o meio ambiente. "Ele é um personagem que tem uma relação muito forte com o campo da ciência. Foi militante pelas causas ambientais quando esta não era ainda uma pauta da sociedade brasileira", recorda.

Entre os embates que abraçou, uma ferrenha e crítica oposição à derrubada de árvores para a construção de estradas pelo país nos anos 1970, quando a ação era, inclusive, propagandeada pelo Governo Federal.

"Neste setor cometem-se erros diários. Por diversas vezes naturalistas alertaram contra o fato de se fazer propaganda de grandes obras públicas, como a abertura de estradas (...) Mostram isso como um símbolo de vitória da tecnologia sobre a natureza. (...) Ninguém é contra a derrubada necessária de uma árvore para abrir estrada. O que não se pode aceitar é a propaganda disso com a chancela do próprio chefe da Nação. Esse é um erro tremendo", afirmou Burle Marx em 4 de agosto de 1973, em uma entrevista do O Estado de São Paulo, referindo-se a um vídeo que registrava a derrubada de uma árvore para a construção da rodovia Perimetral Norte, no Rio de Janeiro, ação presenciada pelo então presidente da república e veiculada em programas televisivos e até mesmo no cinema.

Sobre o curador

Cauê Alves é curador geral do MuBE. Doutor em Filosofia, professor do Departamento de Arte da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Foi um dos curadores do 32º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011). Foi membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007) e curador do Clube de Gravura do MAM-SP (2006-2016). É autor do livro Mira Schendel: avesso do avesso e da mostra homônima (Bei Editora/ IAC, 2010). Foi curador assistente do Pavilhão Brasileiro da 56ª Bienal de Veneza (2015). Foi co-curador da mostra Sergio Camargo: Luz e Matéria, no Itaú Cultural e Fundação Iberê Camargo (2015-2016), entre outras.

Publicado por Patricia Canetti às 3:38 PM


Ana Calzavara e Marina Zilbersztejn na CAL, Brasília

Ana Calzavara e Marina Zilbersztejn ocupam a galeria Acervo (2º andar) com a exposição Teima, artistas que têm em comum pela reiteração e experimentação de práticas gráficas variadas. Calzavara mostra um conjunto de xilogravuras, monotipias e fotografias que giram em torno da ideia de uma não-totalidade: imagens com mínimos desajustes de registro, sobreposições não coincidentes, descontinuidades, ausências, fragmentos. Zilbersztejn explora monotipias e desenhos em suportes diversificados, imagens que partem de uma pesquisa sobre práticas de mapeamento como ferramentas para reconstituir o mundo físico em imagens bidimensionais, tipo mapas topográficos e cartas de navegação que são refeitas por meio do uso de diferentes técnicas gráficas.

Formada em Artes Visuais pela Unicamp e mestre e doutora em Poéticas Visuais pela USP, Ana Calvazara faz uso de linguagens como gravura, pintura e fotografia. Participou de mostras individuais no Centro Cultural São Paulo e no Museu da Imagem e do Som (MIS)/SP e de coletivas como a do VIII Premio Arte Laguna, em Veneza (Itália), em 2014. Tem obras em coleções como MIS/SP e Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

Formada em Artes Visuais pela USP, Marina Zilbersztejn participou de coletivas no Centro Universitário Maria Antônia (USP), Oficina Cultural Oswald de Andrade e Centro Cultural São Paulo. Atua, também, como designer e desenvolve pesquisa sobre métodos não convencionais de impressão e publicações independentes. Desde 2012, ministra oficinas relacionadas à arte impressa.

Publicado por Patricia Canetti às 2:58 PM