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novembro 17, 2018

Luiz Carlos Felizardo no Ling, Porto Alegre

Abertura da mostra acontece no dia 20 de novembro, com palestra do artista e da curadora Mônica Zielinsky. A entrada é franca

De 20 de novembro de 2018 a 23 de março de 2019, o Instituto Ling apresenta a exposição A Estranha Xícara, do artista e fotógrafo Luiz Carlos Felizardo. Por ocasião da abertura da exposição, na terça-feira, 20 de novembro, às 19h, o artista e a curadora Mônica Zielinsky farão uma conversa aberta com o público. A entrada é franca, por ordem de chegada.

A exposição traz 18 fotografias e montagens digitais, realizadas entre os anos de 2011 e 2017, que dão conta de uma transformação na carreira de Felizardo, em que o artista explora tecnologias digitais para compor imagens com novas técnicas e possibilidades criativas. A mostra é composta também por 35 objetos pessoais, como brinquedos que o artista ganhou e peças de seus antepassados.

Felizardo começou a trabalhar nas montagens de A Estranha Xícara em 2011, em razão de uma ataxia que lhe impôs sérias dificuldades motoras. Assim, o ambiente em que vivera por 40 anos - o laboratório fotográfico tradicional - precisou ser deixado para trás e o artista buscou, a partir de então, explorar novos suportes e técnicas para seu trabalho. Para ele, a exposição é uma espécie de homenagem aos objetos de sua história pessoal: "Esses objetos conviveram comigo por muitos anos - alguns pela vida inteira, alguns bem mais velhos do que eu mesmo. De alguma forma, todos eles estiveram e estão presentes em tudo o que fiz e faço. Fotografá-los foi a maneira que encontrei de prestar-lhes uma homenagem, dando-lhes o uso que não têm quando estão limitados a espiar-nos", escreve em seu texto. O título da mostra refere-se ao poema Cerâmica (1962), de Carlos Drummond de Andrade: Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara./ Sem uso, / ela nos espia do aparador. Para o artista, o conjunto de imagens que resultou na exposição contém essa ideia.

Para a curadora Mônica Zielinsky, Felizardo revela aptidão para retrabalhar as próprias imagens e fazer uma instigante reconfiguração dos sentidos dos objetos ou lugares do passado, realizando uma generosa transformação que aponta novas realidades, composições e reconstruções: "O artista traz à luz diversas sutilezas de sua inegável memória afetiva de todos os tempos e, simultaneamente, ressonâncias que tangenciam um sutil veio de reverberação cultural. Entre os ágeis fluxos do passado ao presente ou do presente ao passado, esses trabalhos se fundamentam em distintos regimes de historicidade ao permitirem, também, pensar o futuro", afirma em seu texto curatorial.

A exposição é organizada pelo Instituto Ling com patrocínio da Fitesa Nãotecidos SA e financiamento do Pró-cultura RS / LIC - Lei de Incentivo à Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Publicado por Patricia Canetti às 9:55 AM


novembro 16, 2018

Maritza Caneca + Claudia Melli na Anita Schwartz, Rio de Janeiro

A Anita Schwartz Galeria inaugura em 22 de novembro as exposições Entre Águas, de Maritza Caneca, e Revoada, de Claudia Melli, ocupando o térreo e o segundo andar da galeria no Baixo Gávea, respectivamente. Maritza Caneca dá continuidade à pesquisa com piscinas, tema que permeia sua trajetória artística desde 2012. Já em “Revoada”, Claudia Melli apresenta um conjunto de desenhos realizados entre 2017 e 2018, numa alusão ao movimento da vida e passagem do tempo.

Em sua segunda individual no Rio, a fotógrafa Maritza Caneca expõe o resultado de suas andanças por Budapeste em julho de 2018, onde visitou 56 piscinas em cinco dias. Com 9 imagens inéditas, de 100 X 150cm e ampliadas em papel algodão, a seleção traz o registro das termas Rudas, Szechenyi, Gellert, Kiraly, Lukacs, Palatinus e Römai e inclui, ainda, a foto da instalação “Swimming Pool” (2016), de Leandro Erlich, que fica no Museum Voorlinden, em Wassenaar, na Holanda. Além das 9 imagens inéditas fará parte da exposição a obra “Swimming Pool”, 2018, que foi apresentada na ArtRio, e três obras em formato redondo em metacrilato, fineart, em tamanhos variados. A mostra terá um texto de apresentação assinado por Vanda Klabin.

“Este ainda é o trabalho das piscinas, mas em evolução. Quando chego em uma piscina é sempre uma surpresa. Por isso escolhi Budapeste, com suas termas de origem árabe, turca, romana. É um universo vasto de diferentes formas”, comenta Maritza.

Tendo como referência a obra de David Hockney e James Turell, o olhar da artista, que começou a carreira nos sets de cinema, está refletido na geometria dos elementos com que trabalha. “Busco a simetria nas imagens, mas não tenho compromisso com o local. A ideia ao registrar este ambiente é que ele se torne atemporal, único”, explica. Maritza Caneca completa a mostra com um vídeo em looping e duas esculturas de cubo em azulejo, cada uma com seis placas de 14 x 14cm, fruto da temporada em Lisboa no início de 2018. “Desde o início busco diferentes maneiras de registrar esta experiência. Em 2017 fiz o primeiro trabalho com azulejos, com a instalação de um grande painel com fotos da piscina do Copacabana Palace. Quando estive em Portugal, tive a oportunidade de aprimorar a técnica com azulejo queimado e produzir as placas com diferentes desenhos em cima das fotos de Budapeste”, completa.

Paulista radicada no Rio de Janeiro, após três anos sem expor na cidade, Claudia Melli faz sua primeira individual na Anita Schwartz Galeria. “Revoada” é um conjunto de 80 desenhos em nanquim sobre placas de vidro, com dimensões variadas, realizados entre 2017 e 2018. No contêiner, no terraço da galeria, Claudia Melli complementará a exposição com o vídeo “IMAGENS DA LUA” (2007, 14’8”), da Sonda Espacial Kaguya do Japão, com imagens de diferentes momentos da lua ao longo de sua rotação. A mostra aborda um tema recorrente no trabalho da artista, antes representado pelos mares, árvores e vento: a passagem do tempo.

Inspirada pela Andorinha do Mar do Ártico (Sterna Paradisaea), espécie que entre as aves realiza extensas migrações, alcançando ao final do ciclo uma distância equivalente a uma volta completa ao redor da Terra, a artista se apropria do voo das aves em uma mesma direção para representar os ciclos naturais da vida.

“Assim como a migração de certos animais, a passagem das estações, o movimento das marés, o dia e a noite, a nossa respiração. Sendo a Terra um sistema fechado, o nosso ar, água, vida, alimento e tudo mais, não vem de outro lugar senão do eterno e sistemático movimento que acontece em nosso planeta através dos ciclos da natureza, mantendo o fluxo da vida contínuo fazendo com que estejamos todos conectados. Não se trata de uma visão ecológica, mas da minha perplexidade diante de tamanha perfeição e beleza”, comenta.

SOBRE MARITZA CANECA

Há cinco anos, Maritza Caneca se dedica a fotografar piscinas pelos quatro cantos do mundo. Já esteve em Israel, Suíça, Cuba e clicou o espelho d´água mais antigo de Lisboa. Seus trabalhos são conhecidos no circuito da arte internacional, em exposições coletivas na Arte Cartagena, Art Copenhagen, Scope Miami Beach, Scope Basel Suíça e Scope Nova York. Recentemente, a artista foi selecionada para uma residência artística no disputado BakehouseArtComplex, em Miami, onde tem um estúdio ao lado de mais de 50 artistas.

Seu percurso artístico começa nos anos 1980 como fotógrafa de still em filmagens cinematográficas. Desde então, assinou importantes projetos no cinema e na TV, entre eles “A luz do Tom” (2013), de Nelson Pereira dos Santos; “Carlos Burle Gigantes por Natureza” (2012), de Felipe Jofily; e “Viver com Fé, em Jerusalem”, com Cissa Guimarães, para o GNT. Suas fotos podem ser vistas no Rio de Janeiro, São Paulo, Los Angeles, Barcelona, Genebra e Londres. Entre as individuais estão as exposições “Water Diaries”, na Clima Art Gallery (2018), e “Pool Series”, na Bossa Gallery (2016), ambas em Miami.

SOBRE CLAUDIA MELLI

Expondo desde 2007, Claudia Melli atua na fronteira entre o desenho e fotografia, sempre indagando sobre a natureza dos mecanismos de percepção. Participou de algumas coletivas como o projeto de interferência no Museu da República, no Rio de Janeiro em 2007, “3 atos 3 artistas” na Galeria Eduardo Fernandes, em São Paulo (2009) e “Monumental”, na Marina da Glória (Rio de Janeiro, 2018). Entre as individuais estão a mostra “ONDE”, galeria Durex, Rio de Janeiro em 2008, “Série Azul” na Fundação Walter Wulltrich – Projeto Brasiléia (Basel, Suíça - 2014) e “Lugares onde nunca estive”, no MAM Rio (2015).

Publicado por Patricia Canetti às 4:32 PM


novembro 15, 2018

David Almeida na Mul.ti.plo, Rio de Janeiro

Indicado ao Prêmio Pipa, David Almeida expõe trabalhos que giram em torno de uma relação fugidia com o espaço, na Mul.ti.plo

Com uma série de obras que exploram a visualidade do espaço íntimo da cidade e da paisagem natural, David Almeida abre sua primeira exposição individual no Rio, Encalço. A mostra acontece na Mul.ti.plo Espaço Arte, no Leblon, de 22 de novembro a 19 de janeiro de 2019. Serão apresentados cerca de 15 trabalhos recentes, dentre eles 10 pinturas inéditas de médio e grande formato, que variam entre 25x30cm a 180x240 cm, criadas especialmente para a mostra.

São trabalhos que giram em torno de uma relação fugidia com o espaço, que se confunde entre paisagem natural e fragmento urbano. O artista brasiliense de apenas 28 anos, indicado ao Prêmio Pipa 2018, desenvolve sua arte por meio de múltiplas linguagens, como desenho, objeto, fotografia, instalações, performance e, sobretudo, a pintura.

David explica que as imagens das pinturas são de lugares que passou e das relações de narrativa e mistério a partir da ausência de fatos, do vazio, do resquício da passagem do outro:

“Em determinado momento do meu percurso, acontece um fato invisível, um gatilho desencadeado nessas cenas ou nesses objetos encontrados, que os transforma em imagens para mim. No momento do encontro com essas imagens porvir, acontece uma suspensão da história, um estanque de qualquer narrativa, onde eu me vejo de frente a uma espécie de mistério, de fantasma. Me dou conta de que não sei nada sobre aquele lugar ou coisa e de que o não saber é o que importa. Nesse breve momento de dúvida, é que se revela a imagem. É imagem, é espaço, mas também não é nada disso, pois é também superfície, cor, matéria, tempo, linguagem".

Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, “David traz consigo uma inquietude própria dos grandes artistas; é um fabulador potente e singular, a fazer o caminho caminhar, com um tempo fora dos outros tempos. Tempo e estrada de poeta!”

Sobre o artista

Brasiliense radicado em São Paulo, David Almeida, de 28 anos, é formado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília. Premiado em 2013 no 12o Salão de Arte de Jataí, em 2014 pelo 20º Salão Anapolino de Arte e novamente em Jataí no 14o Salão de Arte de Jataí em 2015, participou de mostras coletivas como ‘Brazil: arbeit und freundschaft’, no Espaço Pivô, em São Paulo, e ‘20 - Pintura e Pictorialidade’, em Brasília, de 2000/2014 no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, ‘Ondeandaaonda I e II’ no Museu Nacional da República, ‘Scapeland – Território de Transito Livre’, no Memorial da América Latina. Em 2015, realizou a mostra individual ‘Sobre habitar o invisível’, na Referência Galeria de Arte em Brasília, após participar da Residência FAAP, em São Paulo. Realizou projetos de curadoria como a exposição coletiva ‘Turvas Narrativas’, na Orlando Lemos Galeria - Belo Horizonte. Participou de prêmios como ‘1o Salão Mestre D’Armas – Planaltina’, ‘Transborda Brasília – Prêmio de Arte Contemporânea’, e mais recentemente foi premiado com o primeiro lugar no ‘I Prêmio Vera Brant de Arte Contemporânea’. Em 2016 realizou a residência no Centro Cultural Elefante onde realizou a exposição ‘Asseidade da Fenda’, mais recente individual com curadoria de Ana Roman. É indicado ao prêmio PIPA de 2018.

Publicado por Patricia Canetti às 2:01 PM


Virginia de Medeiros na Casa Porto das Artes Plásticas, Vitória

A artista visual Virginia de Medeiros apresenta, de 20 de novembro de 2018 a 6 de janeiro de 2019, a exposição Studio Butterfly e outras fábulas, na Casa Porto das Artes Plásticas, em Vitória/ES. Contemplada pelo Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais, promovido pelo o Ministério da Cultura e pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), a mostra apresenta instalações, vídeos e fotografias na criação de narrativas que lançam um olhar surpreendente sobre histórias reais. O trabalho da artista baiana converge estratégias documentais para ir além do testemunho, questionando os limites entre realidade e ficção. A curadoria é assinada por Moacir dos Anjos. A visitação acontece de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h, com entrada gratuita. Na abertura, a partir das 19h, haverá bate papo e visita guiada com a artista. A classificação indicativa é de 16 anos.

A exposição “Studio Butterfly e outras fábulas”, que contém cenas de nudez, reúne quatro obras: “Studio Butterfly” (2003-2006), “Cais do corpo” (2015), “Manilas Bar – Casa da Marinalva” (2014), e “Sergio e Simone # 2” (2007-2014). Segundo a artista, os pilares dos seus trabalhos são sexualidade, gênero e religião. As obras apresentam uma perspectiva do encontro com o outro e do aprofundamento dessa vivência que exige uma intensa troca de referências e de afetos. “Meu trabalho fala de políticas do afeto e de economia do cuidado. É o que me move”, explica a artista. Partindo desse pressuposto, Virginia se lança a encontrar novos modos de ler a realidade e de estar atenta para as representações descuidadas que são criadas a respeito dela. Sendo assim, a artista mergulha, se envolve e participa das vidas das pessoas e das cidades com quem convive.

Para a realização da obra “Studio Butterfly”, que dá nome à exposição, a artista se dedicou por três anos ao estabelecer uma relação com várias travestis de Salvador. A vídeoinstalação apresenta o registro de testemunhos dados por várias das travestis em visita ao estúdio fotográfico montado por Virginia para acolhê-las. São depoimentos permeados por lembranças das fronteiras entre o masculino e o feminino. Em retribuição à cessão de imagens das travestis, a artista produziu books para cada uma delas. Ladeando a exibição do vídeo, projeções sequenciadas de fotografias retiradas desses books e de álbuns pessoais das travestis são instaladas: imagens das mesmas pessoas, mas feitas em condições e momentos distintos.

Já “Sergio e Simone # 2” reforça o baralhamento de gêneros sugerido na obra anterior e acrescenta, na tessitura fluida de imagens filmadas pela artista, ambiguidades identitárias que desconcertam e ensinam. O trabalho mostra, em telas distintas que por vezes se atravessam, depoimentos de duas personagens que são, ao final, uma pessoa apenas. Simone, uma travesti que tomava conta de uma fonte pública na Ladeira da Montanha, em Salvador, foi foco de Virginia em um primeiro momento. No entanto, após um delírio místico causado por overdose de crack, Simone decide abandonar a fonte. Volta para a casa dos pais, reassume seu nome de batismo, Sérgio, e se torna pregador evangélico, renegando a vida que antes levava, denunciando-a como provação de sua nova fé. A partir de então, a artista passa a filmar Sérgio, cujo comportamento parece conflitar em quase tudo com o de Simone, da sexualidade declarada às religiões que um e outro professam.

A terceira obra separa solidão e partilha, calmaria e desassossego, transgressão e obediência, entre outros pares de estados e fazeres tantas vezes distinguidos de modo artificial. Formada por um vídeo e quatro fotografias, “Manilas Bar – Casa da Marinalva” é um trabalho que foi comissionado pelo Museu de Arte do Rio (MAR). “A obra retrata o bordel de Marinalva, seu fechamento e o desaparecimento dessas pessoas e desses espaços de resistência. Mostra o processo de gentrificação, de higienização humana e de como não são pensados projetos sociais para inclusão daquelas pessoas que já ocupavam os locais”, conta Virginia.

A quarta e mais recente obra apresentada nesta exposição é “Cais do Porto”. Feita a partir de imagens e falas de prostitutas que vivem e trabalham no entorno da Praça Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, a obra mostra o local que foi objeto de radical intervenção urbanística na última década. Em comum com o trabalho anterior, há a vontade de registrar um tipo de vida em progressivo desmanche, dessa vez claramente acelerado pelo processo de gentrificação causado pelas mudanças implementadas na região. Em seus depoimentos, as prostitutas denunciam os mecanismos explícitos e velados de expulsão de um território. As falas das prostitutas são acompanhadas por imagens de corpos seminus que dançam e afirmam, em sensualidade contida ou aberto erotismo, a vontade de confrontar e resistir às forças que as querem regular.

Itinerância – Antes da temporada em Vitória, a exposição “Studio Butterfly e outras fábulas” esteve em cartaz em Brasília, na Galeria Fayga Ostrower, de 31 de agosto a 14 de outubro de 2018. A itinerância da mostra integra o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais, promovido pelo o Ministério da Cultura e pela Funarte.

Virginia de Medeiros é artista visual e educadora, Mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes-UFBA. Ao longo de sua trajetória realizou cerca de 60 exposições nacionais e internacionais, entre elas: 2017-2018: História da Sexualidade, MASP [São Paulo, SP]; 2017: Jogja Biennale XIV, Yogyakarta, Indonésia; 2016: La réplica Infiel, Centro de Arte 2 de Mayo [Madri, Espanha]; 2015: Rainbow in the dark: no joy e tormento of Faith, Malmö Konstmuseum [Malmö, Suécia]; 2014: Salón de Belleza [Beauty Salon], Utopian Pulse - Flares in the Darkroom [Viena, Áustria]; 2014: 31ª Bienal de São Paulo: como (...) coisas que não existem. Pavilhão da Bienal [São Paulo, SP]; 2006: 27ª Bienal Internacional de São Paulo Como Viver Junto, Pavilhão da Bienal [São Paulo, SP], entre outras. Em 2015, ganhou o Prêmio PIPA voto popular e júri; foi artista premiada na 5ª Edição Prêmio Marcantonio Vilaça CNI / Sesi / Senai. Como educadora ministrou inúmeras oficinas em instituição de Arte e Fundações como Associação Cultural Videobrasil [São Paulo, SP], Universidade Federal da Bahia [Salvador, BA], Escola de Arte Visuais Parque Lage [Rio de Janeiro, RJ], Universidade Federal de Ciências da saúde de Porto Alegre [Porto Alegre, RS], Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR [Rio de Janeiro, RJ], Museu de Arte Contemporânea – MAC/USP [São Paulo, SP], entre outras. Foi Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Artes Visuais: Cultura e Criação da Rede-EAD, SENAC, Bahia [2008/2009] e Professora Substituta do Departamento de História da Arte e Pintura na Escola de Belas Artes – UFBA, também em Salvador [BA].

Publicado por Patricia Canetti às 11:38 AM


Zé Carlos Garcia na Cassia Bomeny, Rio de Janeiro

Artista apresentará, na Cassia Bomeny Galeria, trabalhos inéditos, produzidos este ano, com penas, madeira e couro, em um diálogo da arte com a antropologia e a história do Brasil

Cassia Bomeny Galeria inaugura, no dia 21 de novembro, a exposição Torto, com obras inéditas de Zé Carlos Garcia, artista sergipano radicado no Rio de Janeiro, que tem tido destaque internacional, com exposições, este ano, na Fundação Prada, em Milão, e na Bienal de Busan, na Coreia do Sul. Com curadoria de Paula Borghi, serão apresentados 13 pares de esculturas, em um total de 26 obras, produzidas este ano, em uma nova pesquisa, na qual o artista dá continuidade à utilização de penas de animais, como vem fazendo desde 2004. A exposição será acompanhada de um livro, com 33 páginas, texto da curadora Paula Borghi e fotos de Mario Grisolli, que mostram o processo de trabalho do artista.

“A produção de Zé Garcia nos sugere pensar as artes visuais em diálogo com a antropologia e a história nacional. Entretanto, isso não significa que Garcia seja um artista etnógrafo ou historiador, pelo contrário, sua produção abre espaço para uma nova percepção dos estudos originários e contemporâneos ao encontro da emoção e da crítica nas artes visuais. São trabalhos que traçam reflexões acerca de conceitos que envolvem as relações entre natureza e cultura no campo da subjetividade antropológica e da potência poética”, diz a curadora Paula Borghi.

Nas obras da exposição, Zé Carlos Garcia apresenta uma redefinição da noção moderna de escultura, retirando-lhe o sentido de volume estático, presente na linguagem ao longo da história da arte, e atribuindo-lhe organicidade e dinamismo através da arte plumária. Na exposição, as obras serão apresentadas em pares. Cada dupla terá o mesmo formato e tamanho, sendo uma escultura feita com penas e outra em couro, com uma lança em madeira, esculpida por ele. Ao utilizar a madeira, o artista apropria-se de itens de mobiliário doméstico, alterando sua função tradicional e agregando a escultura um aspecto híbrido.

“Como a plumagem, a madeira e o couro também constituem os elementos originários das esculturas aqui presentes, logo, das culturas originárias brasileiras e da cultura hegemônica. Pois, se por um lado se pode pensar a plumagem como adorno, o couro como atributos corporais e a madeira como a representação da floresta, por outro, esses mesmos elementos podem ser lidos como ícones do carnaval, do ruralismo e da estratificação. São materiais naturais com representações simbólicas extremamente determinantes para o entendimento e a construção da(s) cultura(s) brasileira(s), tanto em seu sentido hegemônico, como plural (de entender a diversidade dos povos indígenas)”, ressalta a curadora Paula Borghi.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, as novas esculturas não têm uma relação direta com a anatomia dos pássaros, apesar de remeterem a eles pelo uso das penas. Daí o nome da exposição, “Torto”. “Não é um corpo real, são volumes, é a abstração em si; não é um pássaro, são corpos tortos. Os materiais continuam os mesmo, mas mudam as anatomias, que não são mais visíveis. São corpos que estão fora do padrão e este trabalho tem a ver com a negação do diferente”, conta o artista.

Zé Carlos Garcia sempre foi fascinado pela arte plumária indígena desde criança, não só com a beleza do material, mas com a longa duração. As penas utilizadas pelo artista são verdadeiras, de animais como pássaros, galos, avestruzes, entre outros, que foram usados para abate em fazendas certificadas, que criam animais para este fim. As peças possuem, além de certificação, um laudo veterinário.

SOBRE O ARTISTA

Zé Carlos Garcia (Aracaju, 1973. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) estudou escultura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Laje.

Dentre suas exposições individuais estão: “Tropical” (2017), no Espaço Saracura, Rio de Janeiro; “Do pó ao pó” (2017), no Museu da República, Rio de Janeiro; “Prumo” (2015), no Memorial Meyer Filho, em Florianópolis; “Jogo” (2014), no Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; PET (2012), no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rio de Janeiro, entre outras.

Suas exposições coletivas mais recentes foram: “Busan Biennale” (2018), no The former Bank of Korea, em Busan, Coreia do Sul; “Aluga-se Triplex” (2018), ocupação em São Paulo; “Horse Takes King” (2018), na Fondazione Prada, em Milão; “Bestiário” (2017), no Centro Cultural São Paulo; “Frestas – Trienal de Artes” (2017), no Sesc Sorocaba; “A Room and a Half” (2017), no Ujazdowski Castle Centre for Contemporary Art em Varsóvia, entre outras.

Publicado por Patricia Canetti às 10:39 AM